O vento uiva por onde ele passa. Esguio e silencioso, sua roupa é tão leve que parece se mesclar na escuridão. As sombras o envolve como uma dama, enquanto a luz da lua ilumina seu sorriso.

Este é o herói de capa e espada Zorro, que neste mês de agosto completa 100 anos de existência. Suas aventuras são conhecidas pela maioria das pessoas do planeta. Mesmo que não conheçam toda a sua real origem, com certeza já viram a sua marca em algum lugar.

De acordo com o IMDB.com, o maior banco de dados de cinema, a capa e espada de Zorro, já teve 74 versões, inclusive uma indiana.

Portanto, ele é conhecido mundialmente, de alguma forma. A maioria na casa dos 30, o conhece pelo ator Antonio Banderas, que o interpretou em 1998. Outros mais antigos, com um pouco mais de 40, através da série da Disney, que popularizou o personagem que era interpretado por Guy Williams, também conhecido pelo público como o patriarca da família Robinson em Perdidos no Espaço.

O ator junto do elenco da série criada por Irwin Allen. A série – 1965-1968 -, era protagonizada por Williams e June Lockhart.

Suas origens

O herói sofreu algumas modificações com o tempo, mas nada que mudasse suas origens. Don Diego de La Vega, é um “criollo”, ou seja, filho de espanhóis nascido na América, que ao ver as injustiças que o povo da cidade de Los Angeles, Califórnia, sofre nas mãos dos Dons, senhores de terra que praticamente escravizavam as pessoas, resolve enfrentar essa tirania.

Como percebe que não poderá enfrentar estes homens e o principal deles sozinho, cria um personagem para ele próprio, um afeminado e totalmente alheio ao mundo ao seu redor, enquanto a noite com sua máscara e espada, é o herói Zorro.

Douglas Fairbanks (1883-1939), um dos mais famosos astros holywoodianos do cinema mudo, gostou muito da obra criada pelo repórter policial Johnston McCulley (1883-1958), comprando seus direitos e fazendo uma adaptação. Fairbanks então criou a capa preta, o esconderijo e a famosa marca do Zorro, o ‘Z’, para o filme “A Marca do Zorro”. McCulley gostou da ideia e incorporou-a em seu novo livro, “Novas Aventuras do Zorro” de 1922.

A Marca do Zorro

Basicamente, foi assim que o personagem ganhou toda a personalidade, charme e estrutura psicológica que conhecemos, totalmente vindas de uma época em que a Califórnia ainda pertencia ao México e a coroa Espanhola tratava o estado como sua colônia.

Johnston McCulley ao lado de Guy Williams.

Zorro não era apenas um herói de capa espada pulando de teto em teto ou montado em seu cavalo negro chamado Tornado – no original Diamond Decorator, mas sim uma crítica social de um tempo em que as minorias sofriam nas mãos daqueles que mais tinham. E ainda hoje sofrem.

Além disso, Zorro é uma aula de história sobre colonização, modo de vida dos antigos senhores de terra, que mais pareciam feudais mas que na realidade eram latifundiários.

Portanto, sua origem pode ter sido há 100 anos atrás, mas sua representatividade era de 100 anos depois ou seja, do nosso tempo.

Mickey de Capa e Espada

Johnston McCulley vendeu os direitos para a TV ao agente Mitchell Gertz em 1950. O agente então tentou repassá-los a Walt Disney. Infelizmente Disney na época estava totalmente focado na construção da Disneylandia. O criador do Mickey mesmo assim viu todo o potencial e tentou com a rede ABC levá-lo para a TV. Infelizmente a rede de TV preferiu patrocinar “Disneyland”, que seria uma antologia de desenhos e contos de fadas apresentada por Shirley Temple, na época a garota prodígio americana.

Um pouco depois, Walt precisou de mais dinheiro para o seu parque e trouxe de volta a ideia do Zorro para a ABC, que desta vez aprovou e assim iniciaram a construção do set de filmagens do herói e em 1957, Guy Williams foi escolhido para vivê-lo.

Walt Disney e Guy Williams. Curiosamente Walt já havia selecionado o ator Britt Lomond para ser Zorro. Britt Lomond acabou ficando com o papel do Capitão Monastário.

Esta fase é uma das mais conhecidas do público, por trazer um ator carismático e sempre sorrindo sem suas lutas, assim como do cinema mudo. Mesmo assim, agora Zorro podia ser visto por milhões de pessoas através da TV e não se limitar ao cinema ou matinês. E também conquistar o mundo.

Com o passar dos anos…

O herói ganhou novas versões, sendo a mais famosa a francesa, feita por Alain Delon em 1975. O ator francês era o mais cobiçado de sua época, tanto por sua fama, assim como sua beleza.

Alain Delon como Zorro.

Além desta versão, outra muito lembrada e como descrita no início da matéria, é com Antonio Banderas, que viveu o personagem por duas vezes.

“THE MASK OF ZORRO”, Antonio Banderas, Anthony Hopkins, 1998, (c) Columbia/Cortesia: Everett Collection

Zorro ainda teve uma novela mexicana, adaptação literária pela escritora chilena Isabel Allende, animações, quadrinhos etc.

E falando em HQ, muitos – mesmo que não tenham lido ou assistido nada de Zorro -, lembram de uma das mais famosas cenas dos quadrinhos que é a morte dos pais de Bruce Wayne, quando o mesmo saiu do cinema após assistirem ao filme “A Máscara do Zorro”.

Atualmente Zorro está sendo planejado para ganhar vida nos cinemas novamente, além de já ter uma versão musical que chegou ao Brasil.

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