sexta-feira, 24, setembro, 2021

A Netflix estragou as nossas infâncias ?

Na década de 80, a Mattel encomendou a criação de um novo personagem para desencalhar alguns action figures da linha de colecionáveis do filme Conan, mediante a essa demanda foi criado o clássico He-Man e os Mestres do Universo.

Para impulsionar o personagem resolveram expandir o universo dando a franquia histórias em quadrinhos, com direito até a um crossover com o Superman, personagem que já era consagrado na época.

Com o sucesso dessas histórias e das vendas de colecionáveis, a Mattel resolveu criar conteúdo do personagem para outra mídia que estava em alta: A Televisão. E em 1983 foi criada a icônica série animada He-Man e os Defensores do Universo.

O intuito da animação era ser leve ao mesmo tempo que utilizava elementos de ação, como armas medievais, magia e vilões monstruosos (incluindo o Esqueleto que é quase uma personificação da morte). Porém combinar esses elementos em uma história mais infantil era um enorme desafio para os criadores.

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He-Man 1983

Mesmo com os empecilhos a mistura deu certo, e assim foi criado o clássico desenho do He-Man. Para deixar claro o tom, os criadores inseriram nos episódios situações que permitiam que fosse traçado um paralelo entre Eternia e o mundo real, a fim de advertir as crianças sobre diversos erros e perigos do dia-a-dia, nascendo assim os famosos conselhos do He-Man.

A animação foi um enorme sucesso, e até hoje tem um cantinho especial garantido no coração dos fãs, e esse enorme sucesso fez com que continuassem investindo na franquia, e em 1985 veio uma continuação de sucesso: She-Ra: A Princesa do Poder.

Sou Adora, He-Man 89 e Netflix

A trama trazia a história da princesa Adora, irmã gêmea do príncipe Adam que foi sequestrada quando criança e levada pelo vilão Hordak para outra dimensão, e depois de alguns anos recebe uma espada das mãos do próprio He-Man. O spin off tinha como foco atingir também o público feminino, criando assim uma heroína que as meninas também pudessem se reconhecer em uma personagem.

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She-Ra a princesa do poder, 1985

A partir daí, foram lançadas diversas animações do personagem, em 1989 foi lançado He-Man com o intuito de funcionar como uma sequência para a série original, porém não chegou nem perto do sucesso, já em 2002 foi lançado o desenho He-Man e os mestres do universo, que diferente da antecessora tinha o intuito de servir como um reboot do personagem.

Mais recentemente em 2018, foi a vez da She-Ra ganhar a seu reboot pela Netflix, que transformou a animação em algo mais próximo das animações de sua época, inclusive nos traços do desenho.

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She-Ra A rainha do poder – Netflix

A Netflix não parou por aí, trazendo para o catálogo do streaming Mestres do Universo: Salvando Eternia, que é a continuação canônica da série dos anos 80, e assim como She-Ra em 2018 a série não foi bem vista por parte dos fãs.

Opinião é diferente de Ódio

Atualmente as redes sociais dão voz e espaço para as pessoas expressarem suas opiniões, porém em alguns momentos os comentários transcendem o espaço de opinião e acaba se convertendo em ódio.

Em She-Ra um dos principais aspectos criticados por parte de alguns fãs foram os traços utilizados, e o fato de terem “infantilizado” a animação. Talvez a pessoa mais acalorada que critique esses pontos não possui uma recordação tão exata assim em relação as séries clássicas, pois desde os anos 80 o intuito era atingir as crianças de uma maneira leve, com batalhas que mais pareciam uma esquete dos trapalhões, afinal durante toda a série os personagens jamais usaram as espadas para cortar alguém.

Além disso não havia chutes e socos, os personagens jogavam os inimigos para o lado, desviavam deles fazendo com que dessem de cara com a parede ou arremessavam algum objeto neles.

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Mestres do universo salvando Eternia, 2021 – Netflix

E isso não torna a animação original ruim, apenas mostra que assim como a She-Ra mais recente, ambos se preocuparam em agradar o seu público alvo. E se você acha que um reboot de animação com esses elementos estragou a sua infância, pode ser que você ainda não tenha saído dela.

Os traços também foram criticados na série dos Mestres do Universo de 2021, mas por motivos diferentes. Em She-Ra o problema eram os traços infantilizados que descaracterizavam os traços humanizados da personagem, já em 2021 a reclamação foi com relação ao corpo e cabelo da Teela, e os dois casos são preocupantes.

Assim como vemos em diversos reboots e redesign, uma parte tóxica do fandom vê como um problema uma personagem menos sexualizada, e se essa alteração se torna um empecilho para alguém única e exclusivamente por utilizar um traje que cubra mais o corpo ou que os traços sejam mais distantes do que é considerado como o padrão de beleza ideal, isso diz mais sobre quem critica do que da obra em si.

Outro termo muito utilizado nessas críticas é a “lacração”, termo utilizado por pseudo fãs que veem a inclusão e protagonismo de personagens diferentes do padrão como uma afronta a qualquer obra. Esse tipo de comentário acaba sendo um reflexo da sociedade, e de como o ódio incrustrado na sociedade se propaga em diferentes âmbitos.

Mestres do Universo: Salvando Eternia foi duramente criticado com relação a participação do protagonista da obra original na série, e esse ponto é o que mais faz sentido dentro de uma crítica séria e fundamentada ao show. Isso porque durante a divulgação de materiais a Netflix utilizou diversas imagens e visuais do He-Man, talvez até mais do que a própria protagonista Teela.

Ao assistir os cinco primeiros episódios da série fica claro que o intuito é dar uma continuidade a toda a mitologia de He-Man, expandido o universo da série e dando mais protagonismo e espaço para que outros personagens possam continuar salvando Eternia.

E mais do que uma simples continuação, essa nova série mostra como os eternianos são muito mais evoluídos e abertos a aceitar heróis e heroínas dos mais diversos tipos, diferentes de nós humanos tomados pelo preconceito, ódio e saudosismo afetivo.

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