As Garotas de Corona Del Mar – Rufi Thorpe

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As Garotas de Corona Del Mar Book Cover As Garotas de Corona Del Mar
Rufi Thorpe
Novo Conceito
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Novo Conceito
18/02/2016

Amizade entre garotas pode ser intensa e, no caso de Mia e Lorrie Ann, não há dúvidas de que isso é verdade. À medida que crescem, a vida de Mia e Lorrie Ann é preenchida com praia, diversão e passeios ao shopping. Por outro lado, como toda amizade, há conflitos e dores. Mia e Lorrie Ann convivem há muito tempo e possuem personalidades opostas. Mia é a bad girl , vivendo em uma família problemática. Lorrie Ann é linda e amável, quase angelical, e tem uma família que parece ter sido arrancada de um conto de fadas. Mas, quando uma tragédia acontece, a vida perfeita sai fora de controle...

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Mia e Lorrie Ann vivem em uma cidade pequena na Califórnia chamada Corona Del Mar. É nesta cidade em que depois de um tempo tudo que era rico foi aos poucos se acabando, e tudo o que as duas amigas viam como grandioso foi se proliferando e diminuindo cada vez mais, inclusive a amizade delas. A experiência de viver naquele lugar com duas famílias que também estavam sendo destruídas por perdas ficava cada dia mais dolorida, e a situação infindável de momentos ruins parecia não ter fim.

Isso é o que Mia sempre achou. Sempre acreditou que tinha algo de errado ou maligno perto de Lorrie Ann já que mesmo parecendo angelical, as coisas ruins aconteciam com ela. Parece que o mal a perseguia de algum jeito estranho e perturbador.

Tudo estava mudando muito depressa. E a morte do Terry foi apenas a primeira coisa, a primeira batidinha daqueles abutres da má sorte na janela da Lorrie Ann. Nos anos seguintes, mais e mais delas viriam, sacudindo a cabeça loira deles, tornando a pele do rosto vermelha, crua e descascada. Pág. 25

Rufi Thone descreve em As Garotas de Corona Del Mar uma amizade ao longo dos anos, com uma breve descrição de quando elas eram crianças e a geração dos grandes problemas no início do ensino médio. É a partir daí que a autora começa a colocar as questões mais difíceis que vão aos poucos moldar a amizade entre Lorrie Ann e Mia.

Quem já está um pouco acostumada com livros Young adult não vai encontrar nada demais na leitura, até porque é mais na fase a partir dos dezessete anos, onde certos assuntos começam a se desenvolver. O que mais me impressionou é que a autora colocou alguns assuntos polêmicos e que dão embasamento para muita discussão a respeito de preconceitos, opiniões a favor ou contra e tudo o mais. O aborto é um dos temas que são recorridos durante boa parte da obra. Quem tem uma visão mais fechada sobre o assunto vai sentir uma certa crueldade por parte deste tema.

Estou sendo injusta apresentando-o desta forma, apresentando tão friamente só o pior lado dele. Pois a Lorrie Ann se apaixonou por ele, e ela teve seus motivos, mas desconfio que grande parte do amor dela era na verdade pena disfarçada de amor. Pág. 115

A maternidade em si é algo bastante discutido no livro. Por um lado temos a Mia, uma mulher que decidiu não ter filhos e ir ao mundo em busca de sucesso profissional. Por outro lado temos Lorrie Ann, que largou seus sonhos e aceitou a maternidade cedo, mesmo com a dificuldade de criar uma criança com deficiência. Confesso que fiquei chocada com alguns momentos, já que tinha uma visão ora voltada para o que Mia pensava e ora voltada para o que Lorrie Ann pensava.

Ela assentiu depressa, como se soubesse exatamente do que eu estava falando e de repente descobri que eu estava uivando como um animal mortalmente ferido, e os braços da Lorrie Ann estavam em torno de mim, e eu tinha dezesseis anos novamente, e ela era minha amiga. Pág. 237

Aos poucos o leitor descobre tudo o que as decisões de cada amiga resultou e como a amizade foi se distanciando. Também dá para notar que mesmo sendo um livro mais jovem a autora usa muitas palavras de baixo calão e isto pode impactar na leitura de quem não tem muito costume de ler isto. No mais acredito que é uma obra para pensar no real motivo de se manter algo para toda a vida e de que não há razões para questionar as ações tomadas por outras pessoas, já que cada vida tem suas dores e suas necessidades. Fiquei desejando algo diferente no final, mas depois que analisei mais percebi que não tinha como haver um resultado diferente e muito menos um resultado que se encaixasse em algo que formasse um final feliz. Ao menos aos olhos de quem espera um clichê. Afinal, a vida nunca é um clichê. Ainda bem!

Veredito
Nota do Thunder Wave
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