Quando fora anunciada, a minissérie Chernobyl, do HBO, causou interesse no grande público. O plot é simples: os bastidores e os desdobramentos após a explosão nuclear em abril de 1986 na antiga União Soviética. O assunto por si só já chama atenção, afinal, marcou a história da humanidade.

A minissérie especial de apenas cinco episódios, ultrapassou Game of Thrones e Breaking Bad nas avaliações do IMDb (Internet Movie Database), portal de língua inglesa, pertencente a Amazon, contido de dados e avaliações sobre músicas, filmes, cinema, publicidades e programas para a TV e jogos eletrônicos. Hoje, é um dos sites mais influentes do mundo nesse nicho e serve como termômetro para os gostos populares.

Como de costume, obras do entretenimento sempre acrescentam algo ou retiram para dar mais sentido a trama. Isso é muito comum em adaptações de livros, HQs ou jogos eletrônicos para a TV, cinema ou streaming. Com Chernobyl, não foi diferente. Entretanto, não é algo que causa nenhum estranhamento, muito pelo contrário. Dá liga para a história e um completo sentido a tudo o que é contado nos capítulos de um hora, cada.

*** ATENÇÃO: ESTE ARTIGO PODE CONTER SPOILERS ***

  • Valery Legasov
O ator Jared Harris como o cientista Valery Legasov na minissérie Chernobyl | Foto/Reprodução: HBO

A série já se inicia de forma densa. O personagem interpretado por Jared Harris, comete suicídio dois anos após os adventos centrais da trama. Antes de se matar, Legasov gravou uma série de fitas onde denunciava a pressão política que teria sofrido para deixar de fora do seu relatório, informações pertinentes a respeito dos acidentes causados pela explosão do reator. 9 anos depois, Legasov foi condecorado, postumamente, como herói da Rússia.

  • Ulana Khomyuk
Ulana Khomyuk vivida pela atriz Emily Watson na minissérie Chernobyl | Foto/Reprodução: HBO

A cientista da Bielorrússia nunca existiu. A personagem é uma mistura de inúmeros pesquisadores que trabalharam para que a situação não tomasse uma proporção maior, embora o caos já havia se instalado, obviamente. Na série, ela foi a primeira a desconfiar de uma leitura radioativa suspeita na região de Minsk e passou investigá-la por conta própria. Era comum mulheres obterem destaque e títulos em suas profissões e ocuparem cargos importantes na União Soviética, entretanto, nunca houve uma mulher na alta cúpula que investigou o acidente. Na minissérie, a atriz Emily Watson foi quem a interpretou.

  • Boris Scherbina
O ator Stellan Skarsgård vive Boris Scherbina na minissérie Chernobyl | Foto/Reprodoução: HBO

Sim, Boris de fato existiu. E na época, atuava como vice-presidente do Conselho de Ministros da União Soviética. O ator Stellan Skarsgård deu vida ao personagem quem ordenou e coordenou a evacuação de Pripriat e também, de uma zona de exclusão num raio de 30 km no em torno da usina. Ele também respondia pelas fontes de energia do país, mas segundo a trama, demonstrava desconhecer todos os assuntos ligados a energia nuclear.

  • Anatoli Diatlov
Anatoli Diatlov é vivido pelo ator Paul Ritter em Chernobyl | Foto/Reprodução: HBO

Sim, existiu. Ele era engenheiro supervisor do teste que causou o desastre da usina. Ele foi julgado e condenado a dez anos de prisão por manipulação criminosa de instalações potencialmente explosivas e ficou preso por cinco anos. Após sua saída da prisão, escreveu um livro que relatava uma falha de projeto e não humana, onde foi a principal causa do acidente. O ator Paul Ritter deu vida ao personagem

  • Vasily Ignatenko
O ator Adam Nagaitis vive o bombeiro Vasily Ignatenko Chernobyl, um dos primeiros a chegar no local da explosão | Foto/Reprodução: HBO

Também existiu. Ele foi o primeiro bombeiro que respondeu ao primeiro chamado de socorro, sendo assim, um dos primeiros a chegar no local a fim de combater o fogo. Por conta de seus esforços, recebeu uma dose fatal de radiação e morreu 14 dias depois em um hospital de Moscou, capital da Rússia. Na série, Adam Nagaitis o interpretou.

  • Lyudmilla Ignatenko
Jessie Buckley interpreta Lyudmilla Ignatenko, mulher do bombeiro Vasily Ignatenko e tal como na minissérie, estava grávida do primeiro filho do casal e mentiu para os médicos a fim de permanecer no hospital onde o marido encontrava-se internado devido as altas doses de radiação. | Foto/Reprodução: HBO

Outro personagem real da trama. A atriz Jessie Buckley deu vida a mulher do bombeiro, Vasily e vivenciou todo o drama apresentado na trama. Seu depoimento foi registrado por Svetlana Alexievich, vencedora do prêmio Nobel de Literatura e autora do livro Vozes de Tchernóbil: A História Oral do Desastre Nuclear, publicado no Brasil pela editora Companhia das Letras.

  • Nikolai Fomin e Viktor Bryukhanov

O primeiro era o engenheiro chefe da usina, Nikolai Fomin. Ele deu uma ordem a Anatoly Sitnikov que fosse até o telhado da usina verificar o estado do reator, mesmo sabendo que isso poderia matar o funcionário — o que de fato, ocorreu. Por conta disso, Fomin fora destituído do partido comunista e condenado a dez anos de prisão.

Já o segundo, Viktor Bryukhanov, era o diretor da usina e assim como Fomin, resistiu em acreditar os fatos, mesmo com a ida de Sitnikov ao telhado. Tal como o colega, fora expulso do partido comunista e condenado a dez anos por violar as regras de segurança e mais cinco por abuso de poder.

Na minissérie, ambos os personagens foram interpretados por Adrian Rawlins e Con O’Neill, respectivamente.

  • A radiação fora detectada na Suécia?

Sim e isso foi de fato comprovado. Documentos históricos afirmam que foi uma usina sueca que revelou ao mundo o acidente ocorrido na usina de Chernobyl, enquanto as autoridades soviéticas tentavam encobrir o ocorrido. Um dos empregados da usina de Forsmark, localizada a uma hora de Estocolmo, chegou para o seu turno de trabalho e percebendo a situação, soou o alarme — a capital do país fica a 1.100 km de Chernobil.

Partículas radioativas foram encontradas na relva ao redor da usina sueca e na mesma hora, foram identificadas como material de uso em usinas soviéticas. O vento que vinha do sudeste e a chuva, colaboraram para que os tais materiais radioativos estivessem em terreno da Suécia. Foi então que o país alertou a população sobre o ocorrido e Moscou admitiu o desastre, entretanto, dois dias depois da explosão.

  • Outros adventos

Durante os cinco episódios, situações são mostradas e causa em quem assiste, embrulho no estômago — não pelo fato da caracterização das vítimas mostradas completamente desfiguradas —, mas pela frieza como as autoridades lidaram com a tragédia. Outras situações são bem engraçadas, até, para dar ao drama, um tom mais leve (sim, a série é bem pesada no que diz respeito de ser direta, sem voltas).

Por exemplo: mineiros foram sim, convocados para ajudar em toda a obra de contenção do caos. Juntaram-se a eles, eletricistas, outros engenheiros e trabalhadores do metrô. Em um determinado episódio, os mineiros, como forma de protesto pelas condições de trabalho, tiram suas roupas e trabalham nus — o que não ocorreu, afinal, documentos provam que eles estavam vestidos o tempo inteiro.

Outro fato que deve ser desmistificado, é o fato do helicóptero partir-se em pleno voo. Esse vídeo de fato existe, entretanto, trata-se de uma colisão com um guindaste e não pela aproximação do helicóptero com o núcleo do reator da usina que ainda queimava materiais radioativos, como é mostrado na minissérie.

As pastilhas de iodo são constantemente citadas nos episódios. Acontece que o iodo é absorvido na glândula tireoide com facilidade. A usina lidava com iodo-131, material altamente radioativo, portanto, prejudicial. Em contato com a tireoide, ele poderia causar câncer. As pastilhas de iodo serviam de proteção, neutralizador.

A cidade de Pripriat existe. É uma espécie de vilarejo que fora construído em 1970 e servia de abrigo para os funcionários e famílias dos funcionários da usina e também, outros prestadores de serviço ligados direta ou indiretamente a usina. Possuía cerca de 50 mil habitantes e no fatídico dia 27 de abril de 1986, precisou ser evacuada. Os moradores precisaram deixar tudo para trás. É considerada uma cidade fantasma, pertencente a zona de exclusão na Ucrânia.

Chernobyl é exibida semanalmente no HBO e no HBO Go.

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