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Coletiva de Imprensa | Elenco e diretora falam sobre o longa O Novelo

Um longa que foge dos clichês para falar de homens pretos ao mesmo tempo que reflete suas complexidades

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No mês de novembro é comemorada uma data muito importante, a Consciência Negra no dia 20. Muito se fala sobre aceitar e respeitar o próximo, e é o correto a ser feito. Mas ser negro vai além do respeito e da aceitação. Precisamos falar sobre outras questões que afetam não só pessoas negras, mas os homens negros. Hoje estreia o longa O Novelo, um longa que toca profundamente, é espontâneo e belo, pois conversa com o publico de igual para igual. É difícil ver filmes que tratam com sensibilidade os temas abordados aqui em O Novelo.

O Novelo apresenta sua narrativa por um acontecimento em uma família de cinco irmãos (e um possível encontro com o pai que os abandonou). Cada um em seu universo nos mostra um problema social que precisa ser debatido, com seus dramas e suas vivências, escolhas e particularidades, mas que se unem pelas memórias do tricô, aprendido na infância, com o objetivo de “resgatar o valor da família e da irmandade”.

Os atores aprenderam a tricotar para interpretarem seus papeis / Reprodução

A narrativa é dominada por personagens homens. Além da mãe (interpretada por Isabél Zuaa, em participação especial), as outras mulheres do filme são uma namorada e uma ex-mulher, ambas pouco desenvolvidas e sem narrativas próprias. Também autora do roteiro, Nanna de Castro disse ter buscado questionar estereótipos ligados à masculinidade, abordando temas que vão de paternidade à orientação sexual. 

Na última segunda-feira, 22, participamos da coletiva de imprensa virtual e podemos conversar com o elenco e a diretora do longa. Os atores que participam do longa são Nando Cunha, Rocco Pitanga, Sérgio Menezes, Rogério Brito e Sidney Santiago Kuanza e a Cláudia Pinheiro responsável pela direção. Confira!

A diretora Claudia durante a coletiva comentou sobre os sentimentos que é mais comum as mulheres expressarem, mas que os homens também sentem, mas que não se deixam expressar devido a visão de que o homem não pode chorar, a tal da masculinidade toxica.

 Acho que os homens são só criados para não serem frágeis e delicados. Mas acho que no fundo. No fundo. Os sentimentos são próximos, parecidos. – Cláudia Pinheiro.

O Novelo aborda questões muito atuais como masculinidade tóxica, ausência parental e até mesmo a pressão da sociedade sobre a sexualidade do homem. Assistindo ao longa vemos que um dos irmãos é gay, mas esconde a sua orientação sexual e um outro não é, mas por ser sensível é visto como alguém da comunidade LGBT. Além disso, o longa é majoritariamente composto por atores negros e essa representatividade é muito importante porque o ator negro é mais que um ator negro, é um ator comum que pode interpretar qualquer papel e o fato de vermos atores negros num filme dirigido e escrito por mulheres abordando temas tão relevantes e atuais é uma prova de que o audiovisual tem avançado para melhor.

Elenco formado por atores negros / Reprodução

O ator Nando Cunha fala sobre a importância de um elenco negro e ainda mais no cinema. Para ele é importante ver corpos negros vivendo de uma forma sensível, de maneira humanizada.

O longa é uma adaptação da peça homônima de Nanna de Castro, encenada em 2009, era formado por homens brancos. Mas ao conhecer Nando Cunha em Gramado, a diretora e os produtores decidiram oferecer a ele o papel de Mauro, o mais velho dos irmãos. A partir da escalação do ator, a família no centro da narrativa passou a ser negra e formada, no núcleo adulto, pelos demais atores mencionados anteriormente.

O filme quando o elenco se torna negro… A gente precisa fazer esse recorte nesse país tão racista. Que historicamente sempre nos colocou nessa masculinidade negra brutalizados, animalizados (…) Uma masculinidade branca é completamente diferente da masculinidade negra. Isso a gente precisa entender. – Nando Cunha

O longa conta com a produção de Luciano Reck e Diego Freitas da Parakino Studio, chegando às plataformas e cinemas selecionados no dia 25 de novembro. A produção recebeu dois importantes prêmios no 49º Festival de Gramado: Melhor ator para Nando Cunha e melhor filme pela escolha do público. O longa recebeu ainda menção honrosa pela atuação de Isabel Zuaa e do elenco infanto-juvenil.

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