Agatha Christie é um nome que dispensa apresentações e seu romance Assassinato no Expresso do Oriente já se tornou muito famoso. Escrito em 1934, é conhecido pelo seu final imprevisível e já rendeu algumas adaptações cinematográficas, ganhando agora sua nova versão.

O novo filme até que é bem fiel à obra original, mantendo as principais características do livro e chegando perto de apresentar corretamente o detetive Hercule Poirot. Ainda assim, há algumas diferenças e você pode conferir as principais na lista abaixo.

***Atenção, contem spoilers a seguir***

1. Introduzindo Hercule Poirot

Claro que seriam necessárias mudanças para a introdução de Hercule Poirot (Kenneth Branagh), já que é um personagem complexo e com um futuro promissor. Para isso, logo no começo do filme existe um caso inexistente no livro, que serve para explicar as habilidades do detetive.

Mesmo muito bem representado, há umas mudanças desnecessárias no personagem, que visam deixá-lo mais humanizado. Começando com a intima ligação de Poirot com o caso Armstrong, já que no filme ele recebe uma carta pedindo que investigue e situação e acaba não conseguindo ajudar. Essa relação não existe no livro.

O personagem também recebe um passado diferente, uma amante perdida que constantemente aparece em cenas através de um retrato, nas quais Poirot se mostra fatigado e pesaroso. O protagonista parece reforçar constantemente que está cansado de seu trabalho, coisa que nunca aconteceu nos romances da autora.

Essa versão, por mais que de longe se pareça fiel ao personagem criado pela autora, acaba sendo diferente do detetive bêbado e pavio curto dos livros, que usa sua excentricidade para enganar os suspeitos para subestimá-lo.

2. Os diferentes passageiros

Boa parte dos personagens são fielmente representados nesse filme, entretanto, alguns deles foram modificados. Boa parte é justificada pelo roteiro que resolveu abordar algumas questões de preconceito racial e para se tornar satisfatório, precisou realizar as mudanças.

A maior delas é, certamente, em relação ao Dr. Arbuthnot (Leslie Odom Jr.), que assume a identidade de dois personagens do livro: o coronel Inglês Arbuthnot e o Médico que ajuda na investigação, Dr. Constantine. A missionária sueca Greta Ohlsson se torna Pilar Estravados (personagem do livro O Natal de Hercule Poirot), interpretada por Penélope Cruz. Já Antonio Foscarelli, originalmente um vendedor de carros italiano, se tona o cubano Biniamino Marquez, interpretado por Manuel Garcia-Rulfo. Por fim, Bouc leva a mudança menos significativa no que diz respeito ao seu personagem, originalmente apresentado como um velho amigo de Poirot, no filme ele vira o jovem e promiscuo sobrinho de Bouc, interpretado por Tom Bateman.

3. Um cenário mais amplo

No livro, quando o Expresso fica preso por conta da neve, os passageiros também ficam e a investigação é inteira feita dentro dele, deixando tudo muito mais claustrofóbico. Já no filme, além da dramatização na cena em que o trem fica impossibilitado de andar, há o livre acesso ao lado externo.

 

4. A Ação Obrigatória

Os casos de Poirot não são regados a momentos de lutas, porém, como era de se esperar, o filme insere duas cenas de ação envolvendo o detetive, e outra claramente dramatizada.
Certamente a mais chamativa é quando a Sra. Hubbard (Michelle Pfeiffer) encontra a arma do crime, que não está em sua mala como no livro, e sim cravada em suas costas!

Outros momentos de dramatização são protagonizados pelo detetive e alguns suspeitos, que entram em momentos de confronto físico. A primeira é quando Arbuthnot aponta uma arma para Poirot. A segunda se dá no momento em que o detetive persegue um suspeito por uma ponte.

5. Dramatização também na solução do caso

A resolução do caso é, sem dúvida, a parte mais interessante de Assassinato no Expresso do Oriente. Tanto no livro quanto no filme, Poirot apresenta duas possíveis soluções para o crime. No primeiro, Poirot sugere que um assassino entrou no trem, esfaqueou Ratchett e desapareceu. Na segunda, e correta, Poirot revela que todas as pessoas a bordo do trem têm alguma conexão com a família Armstrong e conspiraram para assassinar Ratchett.

A diferença é que no livro, Poirot se simpatiza com os conspiradores, mas deixa Bouc decidir qual teoria deve apresentar à polícia. Já no filme, não é tão simples. Depois de apresentar ambas as teorias e extrair uma confissão da Sra. Hubbard, ele declara que não pode viver com a injustiça de manter o segredo dos assassinos. Após uma enorme dramatização, onde ele coloca uma arma sobre a mesa e insiste em que os suspeitos terão que matá-lo para manter seu silêncio, ele eventualmente decide que ele irá apresentar à polícia a primeira teoria e “aprender a viver com o desequilíbrio”.

Veja também a crítica do filme

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