quarta-feira, 23, setembro, 2020
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Comparativo Filme vs Livro: O Lar das Crianças Peculiares

Filmes e livros possuem linguagens diferentes e por isso toda adaptação cinematográfica passa por algumas mudanças para de adequar aos fãs de cinema. Entregar uma fantasia com a premissa de O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares nas mãos de Tim Burton é esperar por várias modificações, afinal, o diretor sempre deixa tudo com de acordo com seus traços marcantes.

Em O Lar das Crianças Peculiares, Tim Burton usou de toda a liberdade criativa que pode encontrar e mudou muita, mas muita coisa mesmo, algumas melhoraram a obra, outras ficaram um pouco sem explicação.

*** Atenção! Pode conter spoilers!***

Várias pequenas mudanças foram feitas ao longo do filme, mas de metade para o fim é praticamente outra obra. No livro, basicamente toda a ação é jogada em um capítulo, que ficou demasiadamente longo por isso, o roteiro do longa mudou drasticamente esse fato, deixando mais ambientado de acordo com as obras de Tim Burton e dando um tom mais cômico às cenas de ação.

Além dessa drástica mudança, algumas outras foram feitas. Listamos as principais modificações (não dá para falar de todas) no texto abaixo:

 

Jake, o Tigrinho

A primeira modificação acontece logo de cara, quando Jacob se torna o pequeno Jake, chamado pelo seu avô por um apelido que significa “Tigrinho”, em tradução livre.

É justificável? Sim, em partes. É bizarro mudar o nome do personagem principal, mas ficou claro que o objetivo era deixar o protagonista ainda mais deslocado, principalmente com o uso do apelido, do qual o próprio personagem diz não fazer jus a ele. No livro, o avô o chama de Yakob. Todavia, Jack ou Jacob, seus feitos são os mesmos.

O Misterioso desaparecimento do amigo

Na obra de Ransom Riggs, Jacob possui um único amigo, Rick. Na adaptação de Tim Burton, nem esse amigo o coitado possui! Rick foi substituído por Shelly, sua gerente no mercado, que é quem dá a carona a ele quando na cena do assassinado e vê tudo, depois nunca mais é mencionada.

É justificável? Sim, ficaria bem complicado de explicar a relação de Rick e Jacob, e de qualquer maneira, ele deixa de ser citado na metade do livro, então não faz nenhuma diferença remover o personagem.

A estranha obsessão por olhos

Todo conhecedor das obras de Tim Burton já notou que ele tem algum tipo de obsessão por olhos, sempre há algo referente a olhos nelas. Aqui não foi diferente.
No livro, os Etéreos se alimentam dos peculiares e para isso eles praticamente retalham a pessoa. Burton modificou isso e no filme eles se alimentam dos olhos.

É justificável? Bastante. Como o longa é também focado no público infantil, ficou muito mais leve para os baixinhos. Além disso, é mais uma das muitas características do Burton para os fãs reconhecerem.

A mudança de sexo

Sabe o Psicólogo Doutor Dolan? No filme é Doutora Dolan!
É justificável? Bom, não fez diferença nenhuma em relação à trama. Além disso, tem o bônus da atriz escolhida ser a querida Allison Janney (A Bonnie, do seriado Mom), então compensa só para ver a atriz.

3 anos no futuro

Diferente da trama original, da qual as crianças estão na fenda aberta em 3 de setembro de 1940, no filme a data é 3 de setembro de 1943.

É justificável? Deve ser, porém não achei o motivo para essa mudança. Acredito que a ideia de mudar o ano se deva a alguma homenagem, ou um fato marcante de 1943 que resolveram aproveitar e usar para fazer mais sentido, entretanto, cheguei a pesquisar, mas não encontrei nenhum explicação.

A troca das peculiaridades

Essa foi, sem dúvida, a mudança mais sem sentido do filme. As peculiaridades de Emma e Olive foram trocadas, deixando Emma com o poder de flutuar e Olive com o de fogo, sendo que no livro é exatamente o inverso.

É justificável? Não. Pra mim não fez sentido algum essa troca. Entendo que o objetivo talvez fosse dar um ar mais romântico pra obra (flutuar gera mais cenas românticas do que soltar fogo), mas não é o suficiente para justificar a mudança de dois personagens.

Miss Peregrine Time Lady

DF-15506 - Miss Peregrine (Eva Green) demonstrates one of her many time-bending talents to Jake (Asa Butterfield) and Fiona (Georgia Pemberton). Photo Credit: Jay Maidment.

Alma LeFay Peregrine é uma Ymbrynes, ser que tem o poder de criar e manter fendas no tempo. Para representar o seu poder de controlar o tempo, o roteiro do longa resolveu deixar Peregrine uma mulher obcecada pelo tempo. A todo momento ela olha seu relógio e controla os milésimos de segundos para as tarefas.

É justificável? Sim. É uma característica interessante para o personagem e não afeta em nada a história original.

Divergências na Fenda Temporal

É inocência achar que Tim Burton poderia ter em mãos uma história que inclui uma viagem no tempo e não aproveitar para usar todos os recursos que essa temática envolve. Por isso, ele transformou esse pequeno detalhe do livro em um grande diferencial no filme.
Com isso, várias mudanças foram feitas para representar essa fenda e as viagens, como por exemplo o famoso recurso Hollywood de reiniciar o dia usando um relógio. Peregrine faz isso no final de todo dia, manualmente, ou seja, a fenda não é reiniciada automaticamente com uma pessoa passando por ela todo dia como no livro. Além disso, Abraham liga para ela nesse dia, diferente da trama original onde ele tinha parado de manter contato.
A mudança mais grave ficou no fim, onde o roteiro mudou descaradamente os acontecimentos, aproveitando essa volta no tempo. Não vou mencionar exatamente o que foi pra evitar esse enorme spoiler, mas foi uma diferença drástica.

É justificável? Algumas partes sim, como o modo de reiniciar o dia, que se encaixa melhor no cinema. Já a parte de modificar o fim foi só um grande abuso da liberdade criativa.

Os Gêmeos Importantes

b7031f3aaed61c30fadab6a2249f174eNo livro, vários peculiares são mencionados e não participam da trama principal, isso inclui os famosos gêmeos, que foram um recurso muito usado no marketing do filme. Burton resolveu colocar todas as crianças do orfanato em ação, mesmo que tenha eliminado várias para isso, e isso incluiu os gêmeos. Para melhorar, ele até deu uma peculiaridade para eles!

É justificável? Com certeza. Achei um pouco estranho o livro ter tantas crianças, mas só algumas estarem dispostas a salvar sua protetora. Ter todas unidas em todos os momentos se encaixou bem. Quanto à questão de explicar o poder do gêmeos, achei sensacional a peculiaridade escolhida, fez muito sentido.

As Super- Ymbrynes

Ransom Riggs constantemente deixa as Ymbrynes debilitadas. Começa com a Miss Avocet, que fica muito abalada com o ataque ao seu orfanato e vira quase um vegetal, até que é sequestrada junto com Miss Peregrine. No longo capítulo de ação, Avocet some e Miss Peregrine fica seriamente debilitada, sem conseguir se transformar novamente em humana.
No filme, em nenhum desses momentos elas ficam prejudicadas. Peregrine chega a se voluntariar para ir com o Barron e Avocet fica auxiliando as crianças. No fim, Peregrine não fica com nenhum problema, mas Avocet tem o mesmo destino do livro.

É justificável? Bom, acho que se você tem Eva Green e Judi Dench no elenco, não vai deixar as duas em forma de pássaro o tempo todo, certo?

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