Baseado no livro homônimo de Nicola Yoon, O Sol Também é Uma Estrela chega aos cinemas como uma adaptação que mantém a essência de sua obra original, mas perde muito do seu teor crítico.

Algumas mudanças e exclusões fazem com que o filme perca o que a obra literária tem de melhor: detalhes que criticam convenções sociais e preconceitos comuns.

-> Veja também a resenha do livro e a crítica do filme.

Confira as principais mudanças na lista abaixo, mas cuidado, tem spoilers a seguir.

 

10Daniel um pouco modificado

Certamente, a primeira mudança no personagem foi notada pelos fãs já nas fotos de divulgação. Daniel tem o cabelo comprido e passa o livro todo com um terno, pois vai à uma entrevista de admissão para a Faculdade Yale e escolheu uma gravata vermelha para acompanhar o look. No livro, essa gravata vira algo importante, já que ele vai contra os conselhos da mãe para usá-la e é apelidado de “Gravata Vermelha” por Natasha quando se encontram.

No filme ele não tem um cabelão e troca a gravata por uma xadrez e chega a trocar o apelido com direito a um trocadilho esperto. Vale mencionar também que ele não está tentando entrar em Yale, e sim em Darkmouth.

9Algumas horas a mais

O longa apresenta Natasha tentando resolver a deportação de sua família, que está marcada para o dia seguinte. Na realidade, a graça da obra original é se passar inteira em apenas um dia, com a sentença marcada para às 22 horas do mesmo dia e não para a manhã seguinte, como é colocado no filme.

A entrevista de Daniel também sofre com essa mudança, enquanto no livro ele liga para adiar a entrevista para o final da tarde (e acaba descobrindo que iria ser adiada de qualquer maneira), no filme ele recebe uma ligação adiando para a manhã seguinte.

8Irene esquecida

Irene, a segurança da imigração, é quase uma figurante, mas é uma personagem marcante. Seu jeito peculiar é uma análise sobre depressão e sua rápida participação é muito importante no final do livro. Infelizmente, ela foi removida do filme, junto com qualquer aprofundamento sobre transtornos psicológicos.

7Resumindo as explicações

A parte mais interessante da narrativa de Yoon nessa obra é se aventurar em detalhes sobre as diferentes culturas. Quando Natasha não consegue, a principio, uma apelação, ela tem um surto quando tentam tranquilizá-la dizendo que a Jamaica é um lugar legal e “Irie”. Ela então explica de onde vem essa palavra, a religião Rastafári e toda a situação social e financeira no país.

O filme não se aventura nessa explicação, além de deixar algumas outras igualmente de fora. As questões culturais que remetem aos EUA são mantidas, como das loja de produtos para cabelo afro, entretanto muito da Jamaicana e Coreana são deixadas de lado.

6O discurso do condutor

Outro exemplo de religiões removidas. O discurso que o condutor dá, do qual inspira Daniel a procurar algo diferente no seu dia e consequentemente insiste em Natasha, é sobre encontrar Deus e não uma história sobre o 7 de setembro. Ele chega a citar “Deus Ex-Machina” no seu diálogo e é nesse momento que a jaqueta chama atenção.

5Quem precisa de Ex?

Na obra literária, Natasha tem um relacionamento mal resolvido em seu passado, seu ex Rob a traiu e ela ainda não superou totalmente essa situação. Quando encontra pela primeira vez com Daniel, é na loja de discos ‘Segundo Advento’, que costumava ir e Rob está lá com a menina com quem a traiu. Daniel acaba assumindo a situação, pois o casal está furtando a loja e é assim que a história entre ele e Natasha realmente começa.

Rob não é nem mesmo citado no filme, assim como o encontro é modificado, eles se encontram na Estação Central, quando Daniel avista Natasha e vai atrás dela. Por sinal, o amigo que está acompanhando Daniel é uma invenção do longa.

A cena seguinte, do quase atropelamento, é fiel ao livro, mesmo que lá seja a segunda vez que eles se encontram e a garota tenha feito um pequeno drama por causa do fone quebrado e seu valor sentimental.

Vale mencionar também que no karaokê, a música que Daniel canta no livro é ‘Take a chance on me’, do Abba. Sua performance exagerada e engraçada é o que faz com que Natasha comece a sentir algo por ele.

4Charlie, o babaca

Charlie, irmão mais velho de Daniel, é uma pessoa difícil, porém no livro podemos entender que ele até tem alguns motivos para ser assim. O personagem serve para ilustrar a cobrança que a cultura Coreana impõe em seus filhos. Charlie é o mais velho e também sofre a pressão para se tornar médico. Ele chega a entrar em Harvard, mas é expulso e agora é praticamente menosprezado pelo pais por isso.

Inclusive, quando ele deixa o envelope que precisa entregar na loja de seu pai em casa, é porque sua mãe perde a coragem de lhe entregar, já que quando ele entra na cozinha ela está dizendo para Daniel ser melhor e “não se tornar igual ao irmão”.

O filme não retrata tudo isso, chega a demonstrar os atos de rebeldia de Charlie, mas não menciona todos os outros fatos e deixa meio vazio os motivos, transformando-o em apenas um babaca.

3O advogado certinho

Jeremy Fitzgerald, como é conhecido no livro, tem uma boa amenizada de culpa no filme. O advogado começa um caso com a secretária nesse dia e é por isso que ele não ganha o caso de Natasha. Na realidade, ele não foi na reunião com o juíz, pois estava com a secretária nesse momento. Fato que acaba sendo exposto no momento em que está na entrevista com Daniel e ele descobre que Natasha irá realmente ser deportada, interrompendo sua entrevista e indo contar imediatamente para ela.

No filme ele é solteiro e acaba casando com a médica que conheceu no acidente.Também não é Daniel que descobre e conta sobre a deportação, é Natasha que entra no escritório no momento da entrevista e confronta o advogado sobre o resultado.

2Samuel e os valores familiares

Uma diferença enorme entre o livro e o filme é a completa exclusão dos problemas na família da Natasha. Samuel, seu pai, causou a deportação por ter sido pego dirigindo bêbado, e não em uma ronda aleatória como diz no longa.

Na realidade, a família já estava sofrendo com as atitudes do pai anteriormente, Samuel estava frustado por não conseguir seguir seu sonho de trabalhar na Broadway e começou a viver uma realidade só dele, focando apenas nos musicais e deixando todas as dificuldades a cargo da família. Tudo isso leva a uma discussão linda e cheia de ensinamentos no final do livro, mas que foi retirado do filme.

1Final criativo

O final da adaptação também é totalmente modificado. Enquanto no livro eles se encontram por acaso em um avião (onde, por sinal, Irene trabalha como Comissária de Bordo), no filme ela retorna para Nova Iorque e procura por ele, até encontrá-lo no mesmo café em que tiveram o primeiro encontro.

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