Não é segredo que o Brasil tem começado a entrar mais ainda no cinema de gênero. Mas se temos As Boas Maneiras ou O Animal Cordial que se arriscam mais em suas propostas, ainda temos algumas produções que ficam ainda no mais do mesmo e tentam copiar a fórmula norte-americana. E 10 Segundos Para Vencer que mesmo tendo uma parte técnica muito competente, se perde por ter o mesmo clichê de tanto outros filmes que contam esse tipo de história.

O filme conta a história do boxeador Eder Jofre (Daniel de Olveira), campeão mundial de boxe durante os anos 60 e 70. Acompanhamos vinte anos da sua carreira, focando principalmente com a relação com o seu treinador Kid (Osmar Prado), pai de Eder e ex-boxeador que era conhecido por conta dos seus métodos rigorosos de treinamento.

Assinado por nada mais que quatro roteiristas – entre eles o diretor José Alvarenga Jr. – isso se mostra o grande problema do longa. Todos os conflitos vistos no filme já foram utilizados na série Rocky: o pobre que consegue provar o seu valor; a esposa preocupada com a violência do esporte; o treinador exigente que não se impressiona com facilidade, etc… Por conta da utilização dessas saídas fáceis, a sensação de ver uma enorme repetição de clichês que já foram usados da mesma maneira em tanto outros filmes.

10 Segundos para Vencer | Imagem: Imagem FIlmes

Outro problema que é comum no longa são os personagens que aparecem e somem do nada. Como os outros irmãos do protagonista, que nunca são devidamente apresentados ou desenvolvidos. Em uma altura do campeonato aparece mais uma pessoa para ajudar a treinar Eder, mas nunca é dito quem ele é ou de onde veio. Só que é algum parente dele, que mostra uma estrutura problemática.

Mas tecnicamente o longa se mostra muito interessante. Principalmente quanto a direção de arte e fotografia. Os cenários são extremamente bem feitos, com um trabalho de reconstituição de época que chama muito a atenção pelo nível dos detalhes, que vão desde as cortinas aos figurinos dos personagens. Já a fotografia de Lula Carvalho ajuda a criar momento evocativos – como o plano de Eder sentado na chuva enquanto uma luz ilumina sua silhueta. Mas ela comete um erro ao tentar mostrar todos os planos do filme, como lindos e maravilhosos. Perece que há um cuidado em excesso para alguns planos que ficam bonitos, mas que pouco dizem sobre a narrativa.

O elenco se mostra correto, mas a dupla de protagonistas rouba a cena. Apesar de esquecer o sotaque em alguns momentos, Daniel de Oliveira se entrega fisicamente e cria um personagem com o qual conseguimos criar uma grande simpatia. Não só por ser o protagonista do filme, mas por conta da sua humildade e dos seus sonhos. Já o veterano Osmar Prado se mostra irretocável como Kid Jofre. Além da presença marcante, Prado deixa Kid como uma presença fascinante do começo ao fim. Ele consegue criar as duas facetas muito bem, tanto a do pai amoroso e preocupado, quanto ao do treinador linha dura. A sua expressão quase sempre fria, que podia se tornar algo caricato, é o que deixa Kid como uma figura muito interessante. E os momentos minimalistas de Prado, são os que deixam o personagem mais rico. Mais um grande trabalho desse excepcional ator.

Enfim, 10 Segundos Pra Vencer é um filme correto. O saldo final é positivo, mas se perde por ser muito formulaico. Uma pena.

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