quarta-feira, 27, outubro, 2021

Crítica | 365 days

O longa recém lançado tem feito sucesso na Netflix incitando violência física e psicológica contra a mulher

Em pleno confinamento devido ao Covid-19, trocamos as ruas pelo conforto de nosso lar. E com isso, temos tido mais tempos para ficar com nossos familiares, para refletir e se redescobrir. Porém, nesse período, crimes de violência física aumentaram 10% na comparação ao mesmo período do ano passado. Nos crimes de violência sexual o índice subiu 17% em relação a 2019, de acordo com divulgação do Instituto de Segurança Pública do Rio e da Agência Brasil. É muita mulher sendo agredida e o que tem gerado revolta é a mais nova trama da Netflix.

Entre as mais assistidas, um dos “Top 10” da Netflix, o recém lançado longa polonês, 365 Days (365 DNI), conta a história de Laura Biel (Anna‑Maria Sieklucka), uma jovem que sai de férias para Sicília com o namorado e amigos. No segundo dia da viagem, em seu aniversário de 29 anos, Laura é sequestrada pelo chefe de uma família da máfia siciliana, o jovem Massimo (Michele Morrone). Com um passado marcado pela morte e violência, ele tenta fazer Laura o amar no período de 365 dias.

Ela inicialmente se mostra resistente a situação, perdida e assustada. Porém, no decorrer da trama, ela se “apaixona” por seu sequestrador. O que no filme é mostrado como amor, entretanto, é apontado por especialistas como um claro retrato da Síndrome de Estocolmo. No longa, Laura vai a festas, faz muitas compras acompanhada de funcionários que carregam suas sacolas e até passeia de iate. Esse “sonho perfeito” romantizado por tantos filmes, somado ao fato de o protagonista ser um cara bonito, anula todas as problemáticas por trás da produção. 

Essa relação está longe de ser saudável e só quem viveu ou vive um relacionamento abusivo sabe como é essa realidade. E quem nunca viveu, se deslumbra e até sonha com esse falso amor. É o mafioso quem escolhe para onde a mulher vai, como, por exemplo, quando ele decide que Laura viajaria para Varsóvia e ponto. Ele também controla suas roupas, puxa ela pelo braço em inúmeras situações e até chega a passar a mão pelo seu corpo, inclusive em suas partes íntimas, enquanto ela está amarrada dentro de um avião, sem consentimento, o que pode ser considerado abuso sexual. Além de outras cenas em que Massimo a obriga a fazer sexo oral nele ou empurra Laura enquanto fala, calmamente, que “não fará nada sem sua permissão” não é correto. Logo isso é conectar o erotismo com atos de repressão e abuso físico, mental e sexual, atitudes que não devem ser normalizadas.

Se você achou que essa “fanfic” de 50 Tons de Cinza – muitos tem feito comparações entre a franquia e o filme polonês – teria a construção de um romance de forma gradual como acontece com Christian Grey (Jamie Dornan) e Anastasia Steele (Dakota Johnson), enganou-se. No momento, os comentários que renderam do longa são sobre qual galã é o favorito entre o público feminino e não sobre o quão problemático ele é. Esse filme é um tapa na cara de quem há anos vem lutando contra abusos de seus parceiros, desmerecendo a mulher quanto ser pessoa.

Nota do Thunder Wave
Uma produção como essa causa espanto, uma vez que, estamos num momento que se tem discutido muito a respeito da violência, seja ela física, psicológica ou sexual, por cor, por religião ou até mesmo por ser gente. É um retrocesso ao movimento feminista, além de objetificar e coisificar a mulher.

Artigos Relacionados

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por Favor insira seu nome aqui

Instagram

Bombando

Mais vistos da semana

Siga Nossas Redes

Tem conteúdo exclusivo por lá
6,914FãsCurtir
2,958SeguidoresSeguir
4,238SeguidoresSeguir

Recentes

Conteúdo fresquinho

Thunder Fic's

Tudo sobre roteiro
pt_BRPT_BR
Thunder Wave-Filmes, Séries, Quadrinhos, Livros e Games Thunder Wave