segunda-feira, 4, julho, 2022

Crítica | A Mulher que Fugiu

Longa introspectivo nos desafia a refletir sobre nós mesmos

Hang Sang-soo é um cineasta que gosta de retratar em seus trabalhos o cotidiano. Ao assistir o longa, temos a sensação de que são apenas conversas sem muito “glow” e intermináveis. Mas a sua forma de trabalhar vai contra tudo o que já vimos no cinema ocidental como cenários menores e mais simples, poucos atores, não é comum ver efeitos especiais, porém, uma ousadia pesa sob os enquadramentos, principalmente, o zoom. O longa A Mulher que Fugiu. Parte integrante da 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o longa-metragem acompanha três atos de uma mesma mulher, interpretada por Kim Min-hee.

Podemos ver o longa dividido em três partes, pois o marido da protagonista se ausenta devido a uma viagem de trabalho e a personagem principal decide visitar três amigas nos arredores de Seul. Portanto, três “atos” marcam A Mulher Que Fugiu, um para cada encontro, sendo todos marcados por traços típicos como conversas cotidianas enquanto comem; uma decupagem rígida de poucos planos que vai se remodelando a partir do uso dos zoom (in/out) e panorâmicas; e, homens com atitudes infantis. Algo legal de ser mencionado é que a movimentação da câmera permite que uma mesma cena tenha várias visões totalmente distintas, mas que se complementam no arranjo da montagem.

A Mulher Que Fugiu» - Uma leve brisa de ar fresco num dia de Verão - Cinema  Sétima Arte
Kim Min-Hee interpreta a personagem Gam-hee | foto: divulgação

Através das conversas que a protagonista vai tendo ao longo da trama, ficamos sabendo que ela é casada, vive há cinco anos com o marido, de quem nunca se distanciou. No início, não vemos muito a relação entre título e trama, mas com o decorrer da narrativa, percebemos que é uma metáfora, pois a protagonista, sozinha, busca conforto ou até mesmo refúgio nas conversas que tem durante o filme, seja numa visita a uma amiga solitária ou no aconchego do cinema enquanto conversa com uma conhecida antiga.

O filme se mostra delicado na sua estética e no que busca abordar, mas é um pouco denso e em alguns momentos chega a ser cansativo devido às conversas casuais que demoram uma vida e é tudo muito calma, não tem tensão. Embora a protagonista não tenha fugido (ainda), ela se sente confortável no ambiente em que as amigas se encontram e talvez isso faça com que ela queira mudar de rotina, de vida, uma liberdade que há muito tempo não vê e não sente. Um ponto super interessante é o fato de vermos os personagens masculinos sempre de costas e sempre arrogantes ou com atitudes infantis interrompendo os encontros que essa protagonista tenta ter e isso revela um conflito que elas sempre tentam vencer.

Ao final, acreditamos que o objetivo do diretor e também roteirista Hong Sang-Soo era retratar as necessidades de cada ser humano de forma singular, pois cada pessoa tem uma realidade que é diferente dos demais e, por isso, isso nos faz refletir sobre o que realmente queremos para nossas vidas? Se é seguir como estamos? Se é para algo inesperado, mas que traga aquela paz interior tão desejada. Vemos nas visitas das protagonistas que ela não conseguiu fugir de forma concreta, mas encontrou nas paisagens, nos locais que frequentou, nas conversas com suas amigas, algo que a pudesse dar a ela uma sensação de refúgio. O cinema coreano é bem interessante e esse longa enxuto e simples é um delicado deleite para os olhos.

Nota do Thunder Wave
Longa delicado, enxuto e simples. É bom fugir das tramas agitadas e (às vezes) desconexas de Hollywood.

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