A Roda do Tempo estreou na Amazon Prime Video em novembro de 2021 e foi um dos lançamentos mais assistidos na época – isso, superando não só as séries, mas todo o catálogo disponível do streaming. Fato é que, o gênero “fantasia” agrada muito, afinal, já fez muito fã suspira no cinema com as adaptações de O Hobbit, franquia Star Wars e muitas outras continuam perpetuando essa fama, agora nas telinhas como as produções da HBO Max, Netflix, Apple TV e a própria Amazon prime Video.

Obras de fantasia conquistam devido ao mundo mágico que consegue fisgar a atenção do espectador com tramas que envolvem poderes místicos, cavaleiros, guerras ou batalhas épicas. E como são, em maior parte, adaptações de universos escritos em páginas de uma série de livros, com A Roda do Tempo não seria diferente. 

A série de livros A Roda do Tempo é vista como a maior e mais elaborada obra de literatura fantástica já criada desde os livros de J.R.R. Tolkien. O autor é Robert Jordan, e os 14 volumes foram publicados entre os anos de 1990 e 2013. Além da primeira temporada, a sequência estreou recentemente e seu último episódio será lançado no dia 05 de outubro.

Crítica | A Roda do Tempo 1ª Temporada 1
As Ae Sedais vermelhas / Reprodução Amazon Primei Video

Sinopse: 

As vidas de cinco jovens mudam para sempre quando uma mulher estranha e poderosa chega dizendo que um deles é a criança de uma antiga profecia, com o poder de alterar o equilíbrio entre Luz e Trevas para sempre. Eles precisam decidir se confiam na desconhecida – e uns nos outros – para mudar o destino do mundo antes que o Tenebroso consiga se libertar de sua prisão e que a Última Batalha comece.

Bora pra crítica

Adaptar um livro para o cinema ou streaming é um desafio que requer muita atenção, pois é difícil. São plataformas diferentes que precisam de habilidades e ferramentas diferentes. Nem sempre, a adaptação vai seguir com todos os elementos da obra original e tudo bem. Manter a essência da história original é o mais importante. No entanto, a adaptação de 2021 deixou um gosto amargo e fiquei curiosa quando vi o lançamento da segunda temporada se aproximar: como uma série, na minha opinião, razoavelmente boa (no máximo um 06) conseguiu se manter renovada enquanto muitas outras, boas por sinal, são canceladas?  Nunca vamos entender a lógica das produtoras, mas acredito que os efeitos visuais que não impactam, mas são bons e o elenco que é competente quando o roteiro ajuda… fizeram com que a produção pudesse sobreviver por mais um ano.

Crítica | A Roda do Tempo 1ª Temporada 2
Álvaro Morte é Logain, o falso dragão em A Roda do Tempo / Reprodução Amazon Primei Video

Infelizmente, a série não agradou o público. De todos os episódios, o quarto é o melhor e a melhor cena de ação é a do sétimo capítulo, protagonizado por uma guerreira grávida que luta contra vários soldados inimigos. A série tem um saldo que acumula pontos baixos do que pontos altos. Ao invés de focar no grande mistério, nos perigos dessa jornada, a trama foca em romances aguados e por vezes, desnecessários. ‘A Roda do Tempo’ dá a impressão de ser grandiosa, claro, a ambientação é linda, ainda mais quando vemos paisagens naturais, geralmente com planos mais abertos que dão um destaque, mas as conversas são fracas, arcos mal desenvolvidos, situações clichês que pouco traduzem a grandeza da obra original. 

A série é protagonizada por Moiraine Sedai (Rosamund Pike), que faz parte das Aes Sedai. Neste universo, as mulheres possuem o poder, e essa é uma questão muito importante. Ao que a série indicou, esse grupo de mulheres têm suas funções designadas de acordo com o grupo o qual pertence, diferenciado por cores. Moiraine é uma Ae Sedai azul, mas a série não explicou muito bem o motivo dessa organização, como funciona, se é uma hierarquia de cores, quem faz o que, e etc e tal. Além disso, ela suga toda a atenção para si, é como se ela fosse o Sol e os demais personagens são os planetas orbitando em torno dela. Não que seja ruim, mas se o Dragão Renascido é um dos cinco jovens… acredito que eles devessem ter mais espaço de tela e um protagonismo maior do que lhes foi dado.

Crítica | A Roda do Tempo 1ª Temporada 3
Rosamund Pike é Moraine Sedai em A Roda do Tempo / Reprodução Amazon Primei Video

Apesar de não explicar a dinâmica da política das Ae Sedai, se mostra uma linha interessante. Além disso, vemos várias formas de amor… o amor entre duas mulheres, um trisal, amor entre homens e por aí vai. Legal a trama incluir a diversidade em seu nucleo, não há só personagens brancos, mas há negros, amarelos, bem legal essa inclusão.

Um ponto que me incomodou é a falta de batalhas grandiosas. No início, com a onda de trollocs perseguindo o grupo de possíveis dragões renascidos, pensei que a série apresentaria mais esse embate, mas ele só acontece no primeiro e no último episódio. Não que eles devessem aparecer a todo momento, mas são batalhas que tem uma multidão querendo acabar com o outro lado, vemos uma porrada de sangue, mas não é aquela ação, aquela cena que levaria o Oscar, sabe? É uma interação morna, que tá ali, mas precisa de uma faísca acesa senão é só mais uma cena pra preencher o checklist.

A Roda do Tempo, a todo momento, faz questão de lembrar ao espectador que o problema é mundialmente catastrófico, mas na prática, não parece tanto assim. O problema é no roteiro mal amarrado, mal feito que foi combinado com uma direção de imagem capenga e que poderia ser corrigido por meio do planos de enquadramento usados, pelo número de pessoas nas batalhas ou pela representação e efeitos visuais insuficientes dos poderes das Ae Sedai, que são tão poderosas, mas que em tela pecam um pouco.

Crítica | A Roda do Tempo 1ª Temporada 4
Barney Harris é Mat na 1ª temporada / Reprodução Amazon Primei Video

O último episódio é o mais confuso de todos. Vemos a última batalha da temporada com uma multidão de trollacs e algumas Ae Sedais se juntam para ajudar. Elas podem unir suas forças para potencializar o ataque aos inimigos, mas por que não foi feito antes? Vai ser feito novamente? Por que elas morrem já que estão compartilhando da mesma força? Na mesma cena, vemos que a Nynaeve (Zoë Robins) morre e, de repente, Egwene (Madeleine Madden) a ressuscita. É legal ver como elas usam seus poderes para se ajudarem, mas foi um atalho safado para resolver um problema complexo. Além disso, tira toda a emoção da cena que teria. Por exemplo, se ela morresse, os outros quatro deveriam lidar com essa perda e veríamos que embora eles sejam poderosos, não são invencíveis.

Sobre o elenco… é bom, são atores talentosos, mas quem se sobressai é a personagem Moraine Sedai, interpretada por Rosamund Pike, que nos entrega uma mulher com várias camadas, misteriosa e o seu silêncio é estarrecedor. De certo modo, a impressão que temos é que ela é muito poderosa, e que tem um plano para todas situações, bem como Rand afirmava. Porém, no momento em que Rand encontrou o Senhor das Trevas, uma cena que falhou miseravelmente em ser aterrorizante, Moraine não fez nada. Ela estava extremamente imponente na situação e, ao que parece, seu único plano era matar Rand caso ele escolhesse o lado errado. O que seria bizarro, já que ela o manteve vivo até a sequência desastrosa.

Poderia listar vários erros de toda a temporada, mas ficaria maçante. Ao chegar aqui, você já sabe que a série é capenga em vários aspectos, mas houveram alguns pontos altos, e a ideia no geral, é boa. Então, mesmo com essas falhas, espero por uma melhora na próxima temporada.

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