quarta-feira, 20, outubro, 2021

Crítica | A Tabacaria

Um jovem de 17 anos chamado Franz (Simon Morzé) começa a trabalhar como aprendiz em uma tabacaria onde Sigmund Freud (Bruno Ganz) é um cliente frequente. Após um tempo, os dois estabelecem uma forte relação de amizade. Certa vez, o jovem se apaixona por uma moça, Anezka (Emma Drogunova), e começa a pedir conselhos amorosos para Freud que, embora seja um renomado psicanalista, confirma que, até mesmo para ele, os mistérios femininos têm uma grande potência. Em meio a uma grave tensão política na Áustria e a ascensão do nazismo, os três personagens se vêem no dilema entre sair do país ou permanecer nele.

Crítica | A Tabacaria 1
A Tabacaria é um dos melhores filmes para contar sobre os pensamentos de uma Nação que se divide entre “ter razão” apenas com o ódio e deixar a razão de lado.

Este é um filme que estará longe dos holofotes da grande midia “especializada” por ser um filme mais no estilo documental. O que é uma pena, pois longas com uma temática histórica tão forte relembrando o que é um país Pré-Guerra e os pensamentos de uma Nação em achar que a filosofia política e “libertária” Nazista era a correta, demonstra o quanto ainda somos falhos quando trocamos a razão pelos sentimentos.

A Tabacaria é um filme simples, onde somos o jovem Franz, saindo de uma vila pequena e cheia de paz, para uma cidade grande com odores que o deixam tonto e barulhos nauseantes. Ali em Viena, através de seus olhos e pensamentos, crescemos com o personagem que vai aprendendo a duras penas que o ser humano é muito mais do uma vida simples, e que pode mudar de tendências, como muda de roupa.

O drama mostra um país pobre como era a Áustria no pós 1ª Guerra e quase 2ª Guerra, onde todos os problemas do país seriam resolvidos simplesmente jogando a culpa nos Judeus, Comunistas e quem tivesse um pensamento mais crítico que seriam chamados de subversivos. Como nos dias de hoje, ou você era a favor de um lado, ou seria do outro. Não havia espaços para um terceiro ou quarto pensamentos. A imposição partidária, não  importando até que ponto fosse, como pichar com sangue de animais a fachada de um estabelecimento ou simplesmente denunciar pessoas por sua religião ou posição social, era algo normal.

E aqui está o infelizmente de um filme deste estilo não estar nas grandes salas e em destaques na mídia como uma ótima sugestão para o final de semana.

Através de Franz vamos conhecendo toda esta Viena deslumbrante e ao mesmo tempo aterradora. Conhecemos um dos grandes nomes da história, Sigmund Freud, e os primeiros passos a não entendermos nossos pensamentos e corpo ao nos depararmos com a bela Anezka.

Crítica | A Tabacaria 2
Para o jovem Franz, amor, paixão, atração, entre tantos outros nomes, são sentimentos totalmente novos e impossíveis de serem controlados. Assim como o é, para tantos outros.

Aqui, a visão de um menino se transformando em homem é notável. É fácil chamar um jovem de 17 anos de garoto apenas porque ele é ingênuo e faz perguntas. Mas quando deixa de as fazer, é um insensível que jamais pensou no que o sexo oposto realmente quer.

Franz possui todos os questionamentos de sua idade. Não consegue entender as diferenças que existem entre o amor e a líbido por Anezka, assim como existem tantos outros prazeres no mundo. Por este motivo, ele questiona cada vez mais, mas por não encontrar respostas fica cada vez mais louco em não se compreender.

Como A Tabacaria, onde aprende com Oto sobre os pensamentos e gostos de seus clientes, Franz é um pequeno mundo onde as pessoas entram e saem deixando imaginações sobre quem elas são, até se transformarem em pesadelos bem reais.

Infelizmente, A Tabacaria se perde em duas partes importantes, que são em relação a Freud e ao local que é o título do drama.

Freud acaba sendo apenas um personagem amigo do jovem Franz, mas que bem poderia ter sido qualquer um outro. Falta uma narrativa com imagens deste importante psicanalista, onde a direção poderia ter dado um papel de explicar não apenas para Franz, mas também para o espectador, os pensamentos/análise dos pensamentos humanos. Não suas respostas, mas nos ajudar a questionar como seres humanos deste estranho, enigmático e ao mesmo tempo espetacular universo. Freud acaba sendo apenas um personagem qualquer dentro do filme, com alguns pontos em que ele dialoga com Franz, mas jamais o ajuda a crescer como ser humano, e muito menos deixando perguntas.

Crítica | A Tabacaria 3
Infelizmente Freud é apenas um personagem secundário que poderia ter sido qualquer outro, como um “avô” a dar conselhos.

Alguns pontos são até interessantes, como argumentos e uma parte em que ele dá “3 remédios” para o jovem. É uma das raras oportunidades em que realmente podemos nos colocar dentro da história e deitarmos em seu divã.

A outra parte negativa fica para a Tabacaria. Pelo título, o lugar deveria ser um personagem dentro da história. Um local de visão histórica e discussões, onde as pessoas vão para conversarem, comprarem produtos etc. Isso é até mostrado no início, onde jovens vão comprar material escolar, um socialista vai em busca de seu jornal, entre outras coisas, que Oto mostra para Franz e explica como tratar cada cliente e o que é um tabaco.

Crítica | A Tabacaria 4
O local título do filme deixou de ser um personagem que transita por Viena, para ser apenas o título do filme.

O local deixa de ser um dos personagens e fica sendo apenas um lugar qualquer, que poderia ser O Bar, A Cafeteria, entre tantos outros. É uma pena estes dois problemas do longa.

De qualquer forma, isto não atrapalha em nada o crescimento do filme e o que ele retrata ao espectador. Continua sendo um ótimo instrumento de crítica e lembrança dos horrores do pré-guerra e o quanto ainda somos pobres em pensamento.

A Tabacaria leva 3 vidas de 5!

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