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Crítica | A Tabacaria

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Baseado no livro homônimo de Robert SeethalerA Tabacaria é um filme interessante em sua narração. Com algumas falhas em certas partes de seu roteiro, ainda é um longa a ser assistido e aplaudido.

O longa nos coloca na visão de Franz (Simon Morzé), um jovem inocente que vive com sua mãe em uma pequena vila na frente de um belo lago. Por um acaso do destino, ele é obrigado a ir viver em uma outra cidade, Viena. É a partir de agora que o filme tem seu início. A jornada de Franz é simples como todos os jovens que vão em busca de realizar um sonho, mas ainda não tem a mínima ideia da qual seja. Ele chega com sua inocência na cidade, logo após uma viagem de trem, desembarcando em uma cidade suja e barulhenta.

Daqui já percebemos que Franz será uma analogia de todos que buscam a concretização de um futuro. E eis um dos dois pontos negativos que o drama apresenta.

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A Tabacaria | Imagem: A2 Filmes

Em seu primeiro é a chegada na Tabacaria, local que dá nome à produção. Ali Franz tem como chefe, futuro amigo e mentor, Otto Trsnjek (Johannes Krisch). Otto é o dono da Tabacaria e ensina tudo o que Franz precisa para lidar com os clientes. O lugar é o ponto para diversos estilos de clientes, desde os que procuram por papelaria para a escola, até os mais intelectuais, políticos, inclusive Sigmund Freud (Bruno Ganz). O ponto negativo é que a Tabacaria deveria ser o personagem mais importante do filme, por ser o point de encontro destas pessoas e a narrativa dos problemas sociais e políticos da época. No final, ela se torna apenas o título da obra, deixando para Franz esta narração.

Isso leva ao segundo ponto negativo, a má exploração do personagem de Freud. Por ser o pai da psicanálise, deveria ter um aprofundamento mais contextual com os acontecimentos da época e principalmente com o jovem. Franz ainda em sua ingenuidade, não sabe lidar com a atenção dada por uma mulher nem diferenciar o amor da atração física. Mesmo com a sinopse propondo que Freud diz não entender o amor das mulheres, o psicanalista acaba servindo de conselheiro, sem servir de um suporte analítico para as relações humanas e entender os sonhos do personagem. Sua aparição no longa fica sem fundamentos, deixando a impressão de estar ali apenas para manter a proposta original do livro, mas sem agregar muito à trama. Com exceção dos sonhos de Franz – que não chegam a serem analisados de fato-, nada mais sustenta a aparição do personagem.

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A Tabacaria | Imagem: A2 Filmes

Retirando estes dois pontos, A Tabacaria é um ótimo filme que não deve ser julgado por isso. Ele decorre de maneira coerente através de Franz, onde vamos conhecendo todos os problemas sociais do pré guerra. Principalmente como a Áustria aceitou tão facilmente a entrada nazista no país e como não estavam tão preparados para o que estava por vir.

Assim como nos dias de hoje, quando a população prefere jogar todos os problemas sociais e econômicos para uma parcela imigrante e de outras religiões, A Tabacaria serve como um paralelo de um início de século turbulento que levou a chacina milhões de pessoas e o que vivemos hoje. Não é por acaso que filmes como este merecem um prestigio maior do que o esperado.

Mas o filme não é apenas sobre política e guerra. Ele também é sobre relações. São três histórias que se juntam a Franz. A de Otto como seu mentor, de Freud como um amigo e até conselheiro e de Anezka por quem é perdidamente apaixonado/atraído.

Crítica | A Tabacaria 3
A Tabacaria | Imagem: A2 Filmes

A visão entregue deste jovem que ainda desconhece estas relações, principalmente como lidar com mulheres, é real e serve como lição para que saiba conversar com os jovens e não apenas achar que eles sabem de tudo, transformando-os em futuros homens amargurados que soltarão todas suas frustrações nas mulheres.

Existe também o contraste entre sua mãe e a própria Anezka. Duas mulheres de gerações diferentes, mas tendo que lidar com os mesmos problemas, que são de ordem financeira, social e repreensões por serem mulheres naquela época. Através delas vemos como os homens são mesquinhos e não se importam de praticamente tentar um estupro porque querem o sexo naquele instante, apenas por serem homens e poderosos.

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A Tabacaria | Imagem: A2 Filmes

A Tabacaria poderia até ser um filme clichê com sua história, mas a vida é assim. Com histórias de várias pessoas que passam pelos mesmos problemas. Por isso é uma obra atemporal, pois a vida, não importando qual época, apresenta os mesmos problemas de relacionamentos que são universais.

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