segunda-feira, 4, julho, 2022

Crítica | A Última Noite

Longa sombrio chega no dia 23 de dezembro

O longa Silent Night – A Última Noite -, vem numa pegada meio apocalíptica, meio catastrófica que é dirigido e roteirizado por Camille Griffin. Aqui, nossos conflitos com o meio ambiente ganham destaque e resultam na morte em massa de toda a sociedade que chegará bem no dia em que celebramos o nascimento de Cristo. Infelizmente, o terror cômico natalino estrelado por Keira Knightley, não impressiona e deixa a desejar. A chance verdadeira de falar sobre injustiças sociais e temas importantes como degradação do meio ambiente se mostra uma experiência confusa, perdida e sem tom. Nem o elenco de peso consegue salvar a obra.

A Última Noite tem uma premissa interessante que consiste na tensão pré morte entre os personagens que se reuniram para um último jantar antes de tomarem uma pílula que garantirá uma morte sem dor – o pano de fundo do longa é um ar tóxico que causa asfixia mortal por onde passa -, e é nesse momento que muitas questões do passado, existenciais e alguns problemas mal resolvidos surgem para serem sanados e todos morrerem em paz. Mas essa ideia foi mal orquestrada por Griffin que se perdeu na sua própria criação.

Os personagens são bizarros. As conversas são vazias e fúteis.  O que deveria ter tido profundidade não teve como as diferenças sociais em que as pessoas de classe mais abastadas tiveram direito à pílula da morte, porém ficou no raso. As crianças tinham um senso de argumentação muito plausível – mesmo a menina irritante e abobalhada-, e todas foram mal aproveitadas. Destaque vai para Roman Griffin Davis que soube transmitir verdade na sua atuação. 

Silent Night' Review: A Perky Christmas Movie Turns Apocalyptic - Variety
Neil, personagem de Keira Knightley / Reprodução

Os adultos são cruéis. Segundo Neil, personagem de Knightley, a noite era para comemorar e celebrar o amor. Mas ela é pouco amável. A personagem é estúpida e bobinha, assim como a personagem de Annabelle Wallis, que se mostra fútil e superficial – e ela nem demonstrou respeito ao marido dando em cima de outro no mesmo local -. As personagens de Lily Rose-Depp e Kirby Howell-Baptiste figuraram as excluídas, pois todos as ignoravam ou interrompiam com muita grosseria e desprezo. A personagem de Lucy Punch é lésbica e a voz rouca/grossa que ela tenta fazer é ridícula. Desnecessária. Os homens… melhor nem comentar.

Apesar de muitos tropeços, A Última Noite tem alguns elementos bons. Consegue ser angustiante até certo ponto, mas sua superficialidade é tanta que o telespectador fica na dúvida se se importa ou não. É impossível se conectar com os personagens, pois são rasos e pouco cativantes e passam o tempo todo brigando. Um ponto positivo foi que não tem uma duração extensa. Se demorasse mais, seria uma crueldade sem fim com o espectador.

O longa poderia ter se aprofundado em temas existenciais e até mesmo nos traumas do passado. Afinal, o fim da humanidade está próximo, porém o roteiro parece nos aquecer em banho-maria e deixa o assunto para depois e nunca chega o momento de discutir sobre isso de forma transparente. Não vemos uma relação de caos com a nossa real catástrofe sanitária. Aqui a histeria se faz presente, mas se mostra eficiente no jovem Roman Griffin. Nos demais, são tentativas sem êxito. O filme tem um objetivo ambicioso, mas falha.

Distribuído pela Paris Filmes, longa chega no dia 23 de dezembro.

Nota do Thunder Wave
A premissa é interessante, mas a construção do longa é confusa e mal feita. Infelizmente, é esquecível.

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