Crítica | Adão Negro: A Grande Aposta do DCEU Para Este Ano

Adão Negro pode não ser um grande clássico dos filmes de super-heróis (pelo contrário, passa bem longe disso), mas está longe de ser um erro da DC. O filme diverte e empolga em muitos momentos, e apresenta personagens carismáticos que podem ser muito relevantes no futuro.

15 anos se passaram desde que o astro Dwayne Johnson, mais conhecido pela alcunha The Rock, anunciou que estaria estrelando (e co-produzindo) uma adaptação cinematográfica de Adão Negro (originalmente um vilão do Capitão Marvel / Shazam, mas que atualmente assume mais frequentemente um papel de anti-herói nos quadrinhos).

Muita coisa aconteceu nesse meio tempo, inclusive a aparente incapacidade da Warner Bros em estabelecer um universo compartilhado para os personagens da DC Comics em plena era dos filmes de super-heróis, algo ocasionado por fatores como decisões de caráter duvidoso por parte da administração, uma indiscutível irregularidade quanto à qualidade de suas produções, e uma falta de alinhamento entre as visões de seus executivos com as de uma grande parcela do público, além das instabilidades que afligiram a própria empresa.

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E não estamos falando de quaisquer personagens. Estamos falando de uma das duas editoras líderes incontestes do mercado mundial de quadrinhos de super-heróis, detentora da publicação de nada menos do que Batman e Superman, indiscutivelmente os personagens mais famosos do gênero.

Contudo, mesmo com material de tamanho calibre, era um tanto curioso que o então chamado DCEU (sigla para DC Extended Universe, ou Universo Estendido DC) não conseguisse competir nos cinemas com a sua maior concorrente, a Marvel, que manteve uma crescente quase constante por mais de uma década. Contudo, ninguém pode negar o enorme potencial cinematográfico do universo DC, principalmente enquanto os filmes de super-heróis ainda estiverem em alta.

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Assim, a Warner (atual Warner Discovery) passou os últimos anos tentando arrumar a casa e acertar o tom das suas propriedades “super-heróicas”. E Adão Negro é uma das suas grandes apostas nesse sentido.

Mas será que o filme atinge as expectativas criadas?

Teth-Adam é um antigo campeão mítico da nação fictícia de Kahndaq, que teria lutado para livrar seu povo da escravidão do rei Akhenaton. A origem de seus poderes seria o mesmo Conselho de Magos que teria concedido capacidades similares a Shazam (mas aqui tendo por base divindades egípcias, ao invés de gregas).

Agora, Teth-Adam é despertado no século XXI, em um mundo muito diferente do que ele conhecia. Ele é convencido pelo garoto Amon (Bodhi Sabongui), filho da professora universitária e arqueóloga Adrianna Tomaz (Sarah Shahi), a enfrentar a Intergangue, que explora o povo de Kahndaq e que busca a Coroa de Sabbac, que daria ao possuidor os mesmos poderes de seu inimigo Akhenaton.

Enquanto isso, Amanda Waller (Viola Davis) convoca a Sociedade da Justiça (formada pelo Gavião Negro, Senhor Destino, Ciclone e Esmaga-Átomo) para parar a enorme ameaça que Teth-Adam representa.

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A ideia do filme é simples, e talvez seja este o seu principal mérito. Não é algo para revolucionar a indústria do cinema, mas apenas pano de fundo para uma enorme sequência de cenas de ação e efeitos especiais em profusão. É perceptível o esforço que o longa faz para se equilibrar entre aquilo que ficou conhecido como a “identidade” da DC nos cinemas (ou seja, uma abordagem que alguns considerariam mais “sombria” do que a dos filmes da Marvel) e a fórmula popularizada pela concorrente.

Assim, encontramos no longa um “herói” que não é um herói (e faz questão de dizer isso mais de uma vez ao longo do filme), violento e com um semblante constantemente sério e “sombrio”, mas também com muitas piadas, referências à cultura pop e à música contemporânea. As principais referências da direção aqui são claramente Zack Snyder e James Gunn, em uma tentativa de “casar” ambos os estilos em um só.

Obviamente, é difícil se equilibrar nessa linha com maestria o tempo todo, e Adão Negro não está isento dos seus deslizes. O roteiro traz à mesa diversos temas para uma suposta reflexão (como a intervenção estrangeira em países em desenvolvimento, ou o verdadeiro papel de um herói), mas não se aprofunda realmente em nenhum deles, servindo apenas como gatilhos para mais cenas de ação.

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Além disso, o roteiro adota diversas “soluções fáceis”, nitidamente escolhidas para fazer a trama andar, mas que ocorrem sem qualquer reflexão sobre se realmente fariam sentido. Mas essa simplicidade funciona para quem não espera nada além disso. O roteiro pode ser óbvio em muitos momentos, bastante vago em outros, e exigir alguma suspensão de descrença (mesmo para um filme de super-heróis) em ainda outros, mas ao menos é coeso, até mesmo com espaço para um pequeno plot-twist no final.

Crítica | Adão Negro: A Grande Aposta do DCEU Para Este Ano 1

Por outro lado, o filme é bem-sucedido em outros aspectos, e o elenco é um deles. Curiosamente, o destaque aqui não vai para The Rock (que, como esperado, interpreta a si mesmo, apenas em uma versão mais sisuda e com poderes), mas para os membros da Sociedade da Justiça. O Gavião Negro (de Aldis Hodge) e o Senhor Destino (de Pierce Brosnan) roubam a cena em muitos momentos, sendo quase tão protagonistas quanto o personagem principal, enquanto a Ciclone (de Quintessa Swindell) é muito carismática, além de responsável por alguns dos momentos mais impressionantes visualmente do filme.

Já o Esmaga-Átomo (de Noah Centíneo) serve principalmente como alívio cômico, mas não decepciona nesta função. O elenco é, de longe, um dos maiores acertos do filme.
O diretor de Jaume Collet-Serra (parceiro de longa data de The Rock) também traz vários acertos. Não há nada especialmente inovador, mas o diretor soube como explorar as suas referências escolhidas para enriquecer o trabalho.

Crítica | Adão Negro: A Grande Aposta do DCEU Para Este Ano 2
Imagem: Warner Bros

Assim, se nas cenas que mostram o passado de Kahndaq é possível ver referências claras ao 300 de Zack Snyder, nas batalhas entre Teth-Adam e a Sociedade da Justiça é possível ver claramente influências de O Homem de Aço e Os Vingadores. Os efeitos visuais não decepcionam na maior parte do tempo, trazendo alguns momentos bastante impressionantes (particularmente quando falamos dos poderes de Senhor Destino e Ciclone), mas deixam a desejar em alguns outros.

A direção faz o que é esperado para o filme, não surpreendendo, mas também não sendo uma decepção. Talvez algumas frases repetitivas e soluções fáceis pudessem ser evitadas, mas nada que comprometa tanto o resultado final. E claro, obrigatório dizer, todos os fãs do DCEU devem ficar para a cena pós-créditos (que não é supresa para ninguém há mais de uma semana, mas está lá, para delírio dos fãs).

Adão Negro pode não ser um grande clássico dos filmes de super-heróis (pelo contrário, passa bem longe disso), mas está longe de ser um erro da DC. O filme diverte e empolga em muitos momentos, e apresenta personagens carismáticos que podem ser muito relevantes no futuro.

Além disso, pavimenta o caminho para a continuidade do universo DC nos cinemas, algo que é crucial, uma vez que nem o MCU (o Universo Cinematográfico da Marvel) começou com a magnitude que tem hoje. Se as coisas continuarem evoluindo, é possível que os dois universos estejam em paridade de relevância no futuro.

Nota do Thunder Wave
Adão Negro pode não ser um grande clássico dos filmes de super-heróis (pelo contrário, passa bem longe disso), mas está longe de ser um erro da DC. O filme diverte e empolga em muitos momentos, e apresenta personagens carismáticos que podem ser muito relevantes no futuro.
Escrito PorWallace William

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