Margaret Atwood é um nome em alta esse ano. A escritora canadense chegou ao auge do sucesso devido à série adaptada de seu romance The Handmaid’s Tale, que esse ano teve um grande destaque nas premiações. Agora, chega à Netflix uma nova obra baseada em um livro de Atwood, a minissérie Alias Grace.

Acompanhando a história real do assassinato de Nancy Montgomery (Anna Paquin) e Thomas Kinnear (Paul Gross), a trama se desenvolve através da investigação do Dr. Jordan (Edward Holcroft), que tenta descobrir se Grace Marks (Sarah Gadon) é realmente culpada.

Alias Grace - Dr. Jordan
Alias Grace – Dr. Jordan | Imagem Netflix

A questão é que Grace e James McDermott (Kerr Logan) foram presos pelo crime e sentenciados à morte, porém apenas James foi executado. Alegando perda de memória, Grace continua presa, porém é preciso entender seu envolvimento com o assassinato para que sua sentença de morte seja cumprida. Ao longo dos 6 episódios da série, é narrado o passado da personagem através de seus relatos à Jordan.

O mistério é o principal argumento para chamar a atenção do espectador, mas a riqueza de detalhes é o que dá qualidade à obra. São os pequenos detalhes que de fato conseguem prender o público, criando um fio que interliga perfeitamente os fatos. Enquanto Grace narra o passado, acontecimentos aparentemente isolados ou objetos que à primeira vista são insignificantes são apresentados, porém se mostram extremamente importantes na resolução final. Sem dúvidas o mais inteligente desses fatos é a brincadeira onde Grace e sua amiga Mary (Rebecca Liddiard) fazem com a casca de maça, que além de selar o destino de Mary, é onde descobrem que Grace deve se casar com um homem cujo nome começa com J. A primeira suspeita é o charmoso vendedor Jeremiah (Zachary Levi), entretanto, a partir desse ponto, todos os homens marcantes que aparecem na vida da personagem parecem ter o nome começando com J.

Alias Grace - Jeremiah e Grace
Alias Grace – Jeremiah e Grace | Imagem: Netflix

O caso de Grace até hoje é visto como controverso, por isso a série necessita passar a mesma ambiguidade para a personagem, o que é perfeitamente feito já na cena de abertura, onde Grace mostra suas várias faces. Esse momento dita o tom da produção, que irá levar o espectador a analisar o comportamento dos personagens, mas sempre mantendo uma pequena desconfiança sobre tudo que Grace narra.

Alias Grace não é uma produção movimentada, é feita quase exclusivamente por diálogos e aposta muito pouco em cenas chocantes. Por isso, abusa das atuações, que mesmo não sendo excepcionais, se mostram satisfatórias. Sarah Gadon, mesmo tendo poucas mudanças na personalidade, entrega um ótimo trabalho ao demonstrar um lado obscuro de Grace nos momentos necessários. Ao seu lado, Edward Holcroft é quem realmente merece destaque, pois seu papel necessita de uma sutil mudança de comportamento, da qual o ator entrega perfeitamente, onde até em seu tom de voz é possível notar o quanto o caso o afetou.

A série reforça o talento de Margaret Atwood. De uma maneira curta e sutil, Alias Grace narra uma complicada história, sem se tornar visivelmente pesada, apesar de seu teor obscuro.

 

Veredito
Nota do Thunder Wave
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