Amor, Casamentos & Outros Desastres é em tese uma comédia romântica que teria tudo para dar certo, mas que erra feio no excesso de subtramas mal colocadas, personagens que não agregam e uma trilha sonora que funciona como um chute em dia de prova – você quando chuta a alternativa, raramente acerta, certo? Aqui funciona da mesma forma. No fim, você torce para que tudo acabe logo.

Dennis Dugan, o roteirista e diretor deste longa, tem um currículo extenso que contemplam muitas de suas funções como diretor de séries de TV e de filmes, além de alguns papéis pequenos na função de ator. Nas telonas, seus trabalhos mais famosos são Esposa de Mentirinha (2011) e Eu os Declaro Marido e… Larry (2007), que estão dentro da proposta, mas essa nova comédia, parece que foi feita no modo automático.

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Maggie Grace é Jessie a atrapalhada cerimonialista em Amor, Casamentos & Outros Desastres / Reprodução

No longa Amor, Casamentos & Outros Desastres, Maggie Grace interpreta Jessie, uma desastrada organizadora de eventos que se esforça para que seu primeiro contrato saia dentro do esperado, ou seja, que dê certo. E é uma baita de uma responsabilidade, pois se trata do casamento de um candidato a prefeito de Boston e também porque o cerimonialista responsável se demitiu, Lawrence Philips (Jeremy Irons), um viúvo que tem um encontro às cegas, porém, é mais insensível que uma porta. O elenco é bem diverso. Temos dois atores bons e vencedores do Oscar, Jeremy Irons e Diane Keaton, e muitos outros desconhecidos. A protagonista é interpretada por Maggie Grace, mais conhecida pelas séries Fear the Walking Dead e Lost.

Aqui a Jessie funciona como um imã. Ela se conecta a todos os outros personagens, embora ela e cada um tenham suas próprias histórias. Vemos a personagem que começa se mostrando uma mulher desastrada, porém, no decorrer da trama vai ganhando a confiança e acredita mais em si mesma e deixa de ser a desastrada inicial e o mais interessante é que ela não sai de mãos abanando e a subtrama mais interessante e que poderia ter sido desenvolvida de uma forma mais assertiva é a história entre Jeremy Irons e Diane Keaton. Na trama, Lawrence Philips começa como um solitário e sisudo especialista com TOC na sua profissão e ele conhece Sara (Diane Keaton), logo ele se encanta por ela, senhora cega com forte personalidade que o faz enxergar o mundo com outros olhos. Com toda certeza é uma das melhores transformações no longa.

A forma como a produção lida com a deficiência visual é muito interessante e delicada, pois em um dado momento vemos que o personagem de Jeremy Irons se esforça para viver um pouco da realidade da sua namorada cega. A subtrama mais bizarra é a que envolve o irmão mais novo do noivo num reality show preso a uma stripper e que tenta fugir da máfia. Nada complicado, né?! Tão pouco engraçado. Na verdade, desnecessário.

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Andrew Bachelor está fofo no longa como um guia turístico apaixonado e desesperado / Reprodução

Uma outra história paralela é a do guia de city-tour Capitão Ritchie. Nesse papel, está Andrew Bachelor, que é um daqueles guias que contam piadas aos visitantes e se mostra muito bom nisso. Mas ele se apaixona por uma garota do tour, com uma tatuagem de sapatinho de cristal da Cinderela no pescoço. E essa paixão avassaladora foi mal colocada na trama. A garota some e aparece uma apresentadora de TV, a fada madrinha do Capitão Ritchie que aproveita a oportunidade para encontrar a “princesa” dele.

Mas o que não fez sentido mesmo é a banda com dois caras e eles acabam se desentendendo por conta da namorada oriental de um deles e isso faz com que eles terminem a banda. A garota é o problema, entende? A proeza da trama está na reunião de TODOS os personagens no casamento que Jessie se esforçou para que desse certo. E isso inclui até os músicos de rua que do nada começam a cantar… canções que poderiam ter sido escolhidas de uma forma mais assertiva.

No fim, Amor, Casamentos & Outros Desastres se mostra uma comédia fraca, com piadas ruins, um elenco que divide opiniões e subtramas mal desenvolvidas que fazem com que não se aproveite muito dos poucos acertos que a trama teve. Não é difícil compreender a premissa, mas faltou mais ousadia, criatividade e bom senso. A trama que envolve o reality show, a stripper e máfia, desequilibra totalmente a construção da trama. O longa estreia no dia 20 de maio.

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