A autora Taylor Jenkins Reid deve estar dando pulinhos de alegria. Recentemente, tivemos a adaptação de Daisy Jones & The Six pela Amazon Studios e agora, na próxima quinta-feira, 18, chega aos cinemas pela Diamond Films o longa Amor(es) Verdadeiro(s) baseado também em um livro de mesmo nome da autora que foi publicada originalmente em junho de 2016.

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Amor(es) Verdadeiro(s) conta a história de Emma (Phillipa Soo), que volta para Massachusetts em uma tentativa de reconstruir sua vida depois que seu marido Jesse (Luke Bracey) desaparece em um acidente de helicóptero. Anos após o acontecimento, Emma reencontra seu antigo melhor amigo, Sam (Simu Liu), que sempre foi secretamente apaixonado por ela e eles se tornam inseparáveis. Recém-noivos, parece que a segunda chance de felicidade de Emma finalmente chegou. Até que um telefonema inesperado revela que Jesse está vivo. Completamente dividida, Emma se vê em uma situação dramática e inusitada: escolher entre o marido que imaginava estar morto e o homem que a fez sentir viva novamente.

Embora seja uma comédia romântica que aqueça o coração, nos faça chorar e dar risadas, o longa possui alguns problemas em sua construção como a apresentação dos personagens na adolescência para situar o público como se deu o início da relação entre Emma e Jesse. A montagem é bem truncada e por vias óbvias do roteiro, tudo aconteceu rápido demais. Eles se conheceram e ali mesmo minutos depois já estavam juntos, uma solução osmótica. 

Outro detalhe que chama atenção é a falta de indicação de tempos que estão sendo retratados, pois tirando os 10/15 minutos iniciais com o elenco jovem simulando o passado, a produção atua com duas linhas temporais. A primeira linha aborda o relacionamento de Emma e Jesse antes do acidente e a morte dele e o presente com a protagonista tentando se reerguer e seguindo em frente com o seu atual noivo, Sam. E para piorar essa falta de sinalização temporal, de uma cena para outra a passagem é mal feita, pois vemos muitos “fade in” e “fade out”, empobrecendo visualmente o longa. É claro, devemos nos ater a questão orçamentária, é uma produção pequena e que não tem grandes nomes, são pontos importantes ao serem considerados, mas mesmo assim, poderia ter sido apresentado uma montagem melhor ou com uma fotografia condizente com o tempo a ser representado.

Crítica | Amor (es) Verdadeiro (s) 1
Luke Bracey, Phillipa Soo e Simu Liu são os protagonistas do longa Amor(es) Verdadeiro(s) / Reprodução

A questão estética foi afetada pela verba porque em algumas transições, percebemos uma qualidade inferior ao restante do longa. Não é uma crítica ao longa, os realizadores fizeram o melhor com o que tinham, mas essa situação abre debate para algo importantíssimo: por que o investimento é “preconceituoso”? Entenda, as comédias românticas fizeram muito sucesso entre as décadas de 1990 e 2000 e catapultou a carreira de muitos atores e atrizes, além de produtoras, estúdios, diretores, roteiristas, etc. A questão é simples: por que o investimento em gêneros que não sejam blockbusters é tão pequeno se o trabalho de roteirizar, dirigir, montar, etc. é o mesmo (com algumas ressalvas, claro)? Não precisa ser um budget milionário, mas o suficiente para entregar um filme redondo, com uma fotografia de qualidade.

Crítica | Amor (es) Verdadeiro (s) 2
Momento de tensão que causa um choque não só nos personagens, mas no público / Reprodução

Em Amor(es) Verdadeiro(s), a falta de ritmo também incomoda um pouco, na primeira metade o longa parece meio deslocado. Talvez por simbolizar o nó e o choque inicial repentino na vida da protagonista, mas ele engata mesmo quando o personagem de Simu Liu começa a ter mais presença de tela e principalmente em um momento em que ele se abre para seus alunos que junta o drama e a comédia. É uma das sequências mais legais e Liu tem um timing perfeito para comédia, além de ser um fofo e muito gato. 

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No geral, o elenco é incrível. Luke Bracey se sai muito bem nesses papéis – ele tem tido recorrência em dramalhões assim -, é charmoso e entrega um personagem interessante que possui uma relação não tão saudável com Emma, papel de Philippa Soo (que interpreta uma mocinha que demonstra com clareza as suas dúvidas em relação a sua escolha e está impecavelmente romântica), que se vê dependente emocionalmente dele. E essa situação ilustra o que muitas pessoas vivem atualmente. Por essa relação, Emma deixa sua família e suas raízes de lado. Eles estão sempre juntos, indo de um lado para o outro sem nem sequer manter laços afetivos duradouros. Um detalhe importante, após a cena em que Jesse retorna da ilha e ela já se estabelece com outro homem, a vida seguiu, a família dele parece não gostar muito dela. Indícios de uma relação não saudável.

Apesar de ter alguns problemas na sua execução, o longa consegue promover reflexões relevantes e não apenas sobre relacionamento amoroso, mas ao fato de que quando algo acontece na nossa vida e nos impõe uma mudança radical, mostra que não é possível continuar o mesmo para sempre, uns mudam muito, outros nem tanto, mas a mudança existe e sempre para aprendizado e evolução. É uma lição que o filme passa com clareza. É possível, sim, mudar para melhor e é o que acontece com a nossa protagonista, ela se torna outra pessoa, uma Emma melhor, mais próxima de seus familiares, de suas origens, do seu eu, uma questão de autodescoberta.

Resumo
Nota do Thunder Wave
critica-amor-es-verdadeiro-sApesar de ter alguns problemas em sua montagem, o longa possui um elenco competente, carismático e o trio principal está muito bem em tela, principalmente, Simu Liu que tem um timing perfeito para comédia. Se você estiver de peito aberto, é um entretenimento que vale a pena. Você vai se emocionar e se divertir muito.

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