quarta-feira, 20, outubro, 2021

Crítica | Bacurau

Num futuro próximo, Bacurau, um povoado do sertão de Pernambuco, some misteriosamente do mapa. Quando uma série de assassinatos inexplicáveis começam a acontecer, os moradores da cidade tentam reagir. Mas como se defender de um inimigo desconhecido e implacável?

Um filme de distopia? Mais uma tentativa do cinema nacional mergulhar na ficção futurista?

Pelo contrário. Bacurau é um filme com uma história bem brasileira e atual, apenas com outros nomes e se dizendo de outra época.

Para os que se lembram de nossa história, Bacurau é uma “Guerra de Canudos”. Um povo que é violentado diariamente, com líderes corruptos e senhores de terras que os oprime. E quando este mesmo povo resolveu levantar o rosto e dizer “nunca mais”, disseram que foi um ato de terror. Bem, não foi o que disseram, mas se fosse hoje, os poderosos provavelmente diriam isso.

A cidade fictícia de Bacurau é como tantas outras do nosso Brasil. Esquecida pela classe política, até o povo não liga mais para o que acontece ali. E mesmo que achem que Bacurau foi esquecida por Deus, a cidade possui acesso a internet. Pode ter sido um pacto com o tinhoso, quem sabe?

E apenas quando a série de assassinatos começa a acontecer, é que o povo se une. Mas não para realizarem uma assembleia ou algo do estilo que não levaria a nada.

Agora a nova regra é “matar ou morrer”, para descobrirem o que está acontecendo. O roteiro não apresenta dois pontos de vistas, onde um é o conciliador e cheio de morais, enquanto o outro é radical e contrário a tudo o que é debatido sobre certo ou errado.

Desta vez, como aconteceria na vida real, a violência é o lema. Sobreviver, sem se importar com os meios, é o que importa.

A trama é construída de forma gradual. Tudo começa no velório de uma idosa e muito querida moradora da cidade, onde os personagens são apresentados aos poucos. O espectador em muitos momentos tem o ponto de vista dos moradores, como se fizesse parte de Bacurau; que é a real protagonista da obra. E o filme mesmo sendo denso, ainda possui toques de sci-fi e humor. E tudo isso acompanhado de uma caprichada fotografia que destaca as paisagens do sertão.

Os atores são formidáveis, com um excelente vilão interpretado pelo alemão Udo Kier e uma Sônia Braga irreconhecível sob um excelente trabalho de maquiagem e esbanjando talento como a médica da cidade O restante do elenco não fica atrás, com ótimas performances e muito carisma.

Bacurau é um longa que não toca em nossas feridas como brasileiros. Não. Ele abre e expõe muito mais esses machucados: a violência exacerbada, a desigualdade social, problemas ambientais, a corrupção endêmica na política, a liberação e o glamour das armas, a xenofobia, entre tantos outros. De uma maneira que dá até vergonha de não fazermos algo.

Fique ligado!

O longa leva 5 vidas de 5.

Nota: Bacurau (Nyctidromus albicollis) é uma ave noturna e insetívora da família Caprimulgidae (conhecidos popularmente como curiangos).

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