sábado, 28, maio, 2022

Crítica | Belle

“Você não pode recomeçar na vida real, mas pode recomeçar em U. Você pode viver como uma outra versão de si mesmo. Você pode começar uma nova vida. Você pode mudar o mundo.” (Belle, 2021)

U é um aplicativo que permite com que você conviva em um mundo de realidade virtual. O seu avatar é um reflexo de suas informações biométricas e nessa comunidade, você pode ser quem você quiser. É assim que Suzu se encontra sendo um fenômeno virtual como Belle, uma cantora virtual. Na vida real, Suzu é uma estudante com poucos amigos e com problemas em se relacionar com outras pessoas, que guarda em seu interior muito mais do que consegue transmitir para os outros e que transborda quando está sendo Belle.

Crítica | Belle 1
Belle | Paris Filmes

O choque de ver sua mãe sacrificando a própria vida para salvar uma criança da enchente do rio durante uma tempestade faz com que a criança que era alegre e expansiva se fechar em seu mundo, sem entender como e por que ela escolheu um destino trágico a ter mais tempo com a própria filha. A paixão pela música se torna pânico e Suzu se vê incapaz de cantar e expressar a profusão de sentimentos que estão se acumulando cada vez mais em seu interior e que após anos encontra um lugar no mundo virtual de U.

Suzu apenas quer deixar o seu passado para trás, tentar seguir em frente e ter o seu recomeço. Porém, percebe que não vai ser tão fácil ignorar a carga emocional que sente após de encontrar com o Dragão, avatar de uma pessoa que dizem ser violenta sem razão e que está presente somente para causar confusão. Essa é a premissa para que a história siga claramente a inspiração no clássico A Bela e a Fera, com direito a castelo isolado, rosas, uma valsa incentivada pelas inteligências artificiais que guardam o castelo e a perseguição pelas pessoas de bem e que se acham no direito de ditar o que é o correto e errado.

Crítica | Belle 2
Belle | Paris Filmes

Diferente do que ocorre na história tradicional, Belle não é sequestrada, mas deseja entender quem é a pessoa por trás da máscara do avatar, quais são as suas angústias reais e não tem medo de enfrentar aquele que possui a autoridade de revelar a verdadeira identidade por trás do virtual. Belle toca fundo no ego do líder justiceiro ao pontuar que o que ele deseja não é justiça, mas o desejo de controlar as pessoas, de ter um poder que lhe dá esse “direito”. O certo e errado depende apenas do viés da pessoa que está julgando uma ação. Ao perceber que a sua suporta superioridade não afeta a decisão de Belle, ele parte para a intimidação e agressão, de alguma maneira, existe aqui a necessidade de se cumprir com as expectativas que chancelam essa superioridade de justiça.

Belle consegue ver além da aparência a atitudes da Fera, compreende que sua agressividade oculta seu medo e dor, enxerga nele um espelho dos próprios sentimentos que guarda nas profundezas de seu ser e é por se reconhecer na dor do outro que consegue ter a capacidade de mudar o mundo daquela pessoa.

Crítica | Belle 3
Belle | Paris Filmes

A animação Belle (竜とそばかすの姫 – Ryū to Sobakasu no Hime, O Dragão e a Princesa de sardas em tradução livre) estreou mundialmente no Festival de Cannes de 2021, escrita por Mamoru Hosoda, conhecido por fazer parte de grandes títulos japoneses como Digimon e o filme Crianças Lobo. A explosão de cores e sons encanta desde os primeiros minutos de filme, trazendo uma experiência sensorial que se mantém até o fim. A trilha sonora é pensada com cuidado, as letras e melodias conseguem expressar tudo aquilo que parece tão incompreensível e impossível de dizer.

Belle mostra que ter a coragem para se despir na frente dos outros e permitir que vejam além das máscaras sociais, das roupas e aparência externa é permitir que conheçam além, que se identifiquem com o que cada um deseja esquecer e que deixa oculto para não ser visto. É mostrar as suas fragilidades para que o outro consiga se despir de suas armaduras e consiga também se permitir ser frágil. Apenas quando se revela quem se é na mais pura essência do ser é que o outro sente que é permitido que faça o mesmo. Que somente assim você pode mudar o mundo.  

Nota do Thunder Wave
Em um mundo virtual que você pode ter um novo começo, Suzu encontra a sua voz. Em uma explosão de cores e com uma trilha sonora cativante, essa animação toca em temas profundos de maneira leve e bela.

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