sexta-feira, 27, maio, 2022

Crítica | Bridgerton 2ª temporada

Uma das sequências mais esperadas já chegou e trouxe muito glamour, músicas atuais em versões clássicas e muita tensão, além de romance, é claro. A segunda temporada de Bridgerton foi assistida por 193 milhões de horas pelos assinantes da Netflix durante o último fim de semana.

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A informação é do próprio serviço de streaming, reproduzido pela Variety. O que não é pouca coisa… o dado reflete que em seus primeiros três dias no catálogo, a sequência da série de época já alcançou quase 1/3 da audiência que a sua antecessora registrou em 28 dias. Outro dado importante é que os episódios iniciais de Bridgerton acumularam 625,5 milhões de horas assistidas no mês de sua estreia, entre o final de 2020 e o começo de 2021. Mas mesmo tendo uma audiência aquecida, a trama ainda insiste em alguns erros que deveriam ser revistos.

Nesta segunda temporada, a narrativa gira em torno do segundo livro de Julia Quinn, O Visconde que Me Amava, e conta o drama pessoal de Anthony, o irmão mais velho e também o que precisa se casar e manter a família na linha. O impasse aqui é que o mocinho não acredita nessa coisa de amor verdadeiro e para piorar a situação, ele se fechou para o mundo ao seu redor. Sempre agindo de modo rígido, não se permitindo demonstrar seus sentimentos e perdendo a chance de sentir os pequenos prazeres da vida. Até que alguém lhe desperta interesses que jamais tivera. 

Podemos perceber que se trata de uma temporada mais madura, mais tensa, mais agitada e mais lenta que sua antecessora, sendo assim, a sequência abre mão de algumas facilidades que foram vistas na primeira temporada. Aqui, embora o tom romântico e sexual estejam presentes, não são a preocupação da trama. A relevância da obra foca no dever e honra que levam Bridgerton para além da fama que adquiriu em seu primeiro ano. Não que a primeira visita aos Bridgerton não seja esplêndida, a história de Daphne Bridgerton, vivida pela talentosa Phoebe Dynevor e o duque Simon Basset, papel e Regé-Jean Page,  foi a porta para que essa série se tornasse um sucesso da Netflix. Porém, o drama interno do irmão mais velho e visconde, Anthony Bridgerton, interpretado por Jonathan Bailey, consegue ser mais interessante por focar em dramas mais profundos e não focar apenas em cenas quentes.

No segundo ano de Bridgerton, Anthony está pronto para se casar e Edwina Sharma (Charithra Chandran) parece ser a candidata perfeita, se não fosse por Kate (Simone Ashley), irmã mais velha da moça, que tem aversão a Anthony. Contudo, do desprezo nasce um amor improvável entre Anthony e Kate, relembrando o próprio Orgulho e Preconceito, e o casal caminha os oito episódios a discussões ácidas e doces demonstrações de afeto. Apesar disso, o romance aconteceu muito devagar, o que prejudicou um pouco o desenvolvimento da obra fazendo com que o final novamente fosse atropelado pelos acontecimentos mal costurados.

Bridgerton | 5 motivos para assistir e 2 para passar longe da 2ª temporada  na Netflix
As irmãs Sharma terão seus corações fisgados pelo visconde Anthony / Reprodução Netflix

Aqui, as cenas de sexo da primeira temporada dão lugar a uma tensão sexual que combina muito bem com nossos protagonistas. Ao longo dos episódios, as trocas de olhares e os ligeiros toques nos intermináveis bailes da alta sociedade de Londres que Kate e Anthony demonstram ter uma dinâmica perfeita, uma química ardente que jamais poderia ser imaginada sem a boa atuação dos atores. 

A atuação parece muito mais profunda. Jonathan Bailey traz um Anthony muito mais centrado nessa temporada, longe do “pegador” que conhecemos anteriormente. O visconde não está somente à frente dos negócios da família, mas assume obrigações com seus irmãos e com sua mãe, colocando seu dever e honra até mesmo acima da própria felicidade e vontades. Já Kate, vivida por Simone Ashley, com seu jeito desafiador e aventureiro conseguiu fisgar o espectador direitinho que já esperava uma protagonista forte e batendo de frente com Anthony sempre que necessário, mas assim como o visconde prezando pela família acima de tudo.

Embora o casal de protagonistas sejam tão diferentes, compartilham de semelhanças bem visíveis e toda essa situação é um gancho perfeito para o clima que foi desenvolvido na obra. O drama de cada um, o dever de cada um para com suas famílias é o que faz a trama ter um peso mais profundo, sagaz e penetrante. 

Outro detalhe revigorante é a influência que a fofoca exerce no universo de época desenvolvido na série Bridgerton. Logo, Lady Whistledown está de volta mais afiada que nunca, mas desta vez suas histórias acabam prejudicando alguns personagens e a autora dos mexericos é revelada – algo ruim, pois poderia demorar para acontecer essa revelação, já que a escritora dava uma apimentada a mais na trama.

Como não se trata de segredos, a grande fofoqueira de Londres é Penelope Featherington, interpretada por Nicola Coughlan, ainda apaixonada por Colin Bridgerton, papel de Luke Newton e melhor amiga de Eloise, personagem de Claudia Jessie. Nesse segundo ano de série entendemos melhor as motivações de Penélope e como ela se movimenta para ser Lady Whistledown. Do mesmo modo, Julie Andrews está de volta em sua narração reverente tornando os acontecimentos em Bridgerton verdadeiros eventos a serem testemunhados e compartilhados.

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Nicola Coughlan e Claudia Jessie são Penelope e Eloise em Bridgerton / Reprodução Netflix

Como aconteceu na primeira temporada, a série não foca em todos os componentes da família Bridgerton. Aqui, Eloise ganha destaque em sua primeira vez na temporada de casamentos, mas o desejo da moça não é um casamento. Ela se dedica com força em desvendar e descobrir a verdadeira identidade de Lady Bridgerton. Outro irmão que ganha notoriedade é Benedict Bridgerton (Luke Thompson), o segundo mais velho, que mira em seu sonho de ser um grande pintor, mas que também tem seus dias de luta.

Algo que poderia ter sido subtraído, porém ganhou mais foco do que deveria foi o triângulo amoroso forjado que poderia ter sido cortado, pois não faria falta já que no livro não é bem assim. O caminho que o personagem Colin tomou também não agradou. A adaptação sofreu mudanças muito radicais e que não conversam com a obra original. Infelizmente, a nova leva de episódios tirou um pouco do brilho de alguns personagens como a Francesca Bridgerton interpretada por Ruby Stokes, que tem uma das histórias mais complicadas da família. A protagonista Kate também teve seus traumas surrupiados da adaptação. Consequentemente, muita coisa que poderia estar na adaptação ficou de fora fazendo com que o resultado não fosse 100% agradável.

Outro fato curioso e que gera muita estranheza é a ausência do Duque. Daphne aparece em curtos momentos, porém o mocinho da temporada anterior é só mencionado e ninguém se preocupou em explicar o sumiço do moço. Apesar disso, os protagonistas anteriores fazem pouca falta, já que a trama consegue se sustentar muito bem a partir do resto do elenco. Lady Danbury (Adjoa Andoh), Violet Bridgerton (Ruth Gemmell) e Rainha Charlotte (Golda Rosheuvel), por exemplo, são um trio competente que dão sustentação à base da trama.

Um ponto não muito fora da curva é uma das personagens que mais se destacou, principalmente no último episódio, a Lady Portia Featherington (Polly Walker). Mesmo sendo uma personagem chata e bizarra, foi perfeita. É mais uma mulher que brilha na série.

No quesito fotografia, figurino, cenário e trilha sonora, a segunda temporada mantém a qualidade de sua antecessora. É impagável a sensação de reconhecer Miley Cyrus, Harry Styles e Madonna em arranjos clássicos. Simplesmente apaixonante o trabalho impecável pelas versões clássicas. O primor pela fotografia e pelo cenário foram evidenciados a cada episódio e os figurinos, maquiagem e cabelo são de tirar o fôlego. Para esses quesitos… NOTA 10.

De fato, a segunda temporada de Bridgerton tem alguns erros que vem desde a sua antecessora. Alguns cortes bruscos de virada cronológica, situações justificadas por motivos sem nexo, situações forjadas de maneira nada convincente podem desagradar um pouco, mas seria enfadonho resumir a série por seus tropeços.  A segunda temporada de Bridgerton se atenta em ser um verdadeiro romance de época, daqueles que até Lady Whistledown ficaria comovida.

Nota do Thunder Wave
Com um novo caminho sendo traçado, a segunda temporada de Bridgerton se adequa a seus personagens para contar uma história sobre dever e amor. A produção continua muito boa, com um excelente trabalho de figurino e cabelo, e a trilha sonora ainda aposta nos grandes hits da música pop em arranjos clássicos, o que dá a Bridgerton uma estética contemporânea e histórica ao mesmo tempo. No entanto, alguns tropeços que deveriam ter sido evitados, foram repetidos e isso compromete o resultado final que conferimos em tela.

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