quinta-feira, 28, janeiro, 2021
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Crítica | Bridgerton

A recém lançada Bridgerton, produzida por Shonda Rhimes na Netflix, já foi vista por cerca de 63 milhões de assinantes no mundo todo. Com esses dados, a adaptação entrou para o ranking de séries mais vistas da streaming, estando entre as dez mais vistas.

É sempre um desafio avaliar produções de época, pois são obras que podem ser de um primor excepcional ou um desastre completo. Fato é que quando bem feita, pega o telespectador pelo belo visual. Clássicas produções como ‘Mulherzinhas’, romance de Louisa May Alcott, ‘Orgulho e Preconceito’, de Jane Austen e até a irreverente ‘Maria Antonieta’, de Sofia Coppola, são capazes de nos transportar para um mundo bastante diferente do nosso, cheio de figuras históricas importantes, intrigas amorosas e uma exagerada adoração pelo status social e pelo matrimônio. E boa parte dessas produções além de nos proporcionar belos cenários e figurinos, são um prato cheio para criticas e reflexões sobre a sociedade da época e além disso, abordar questões de gênero e raça.

A mais nova adaptação da Netflix, Bridgerton, encabeçada por Shonda Rhimes de sucessos como Grey’s Anatomy’‘How to Get Away with Murder’, é baseada no romance de Julia Quinn, que é uma das autoras mais consumidas do momento – e que autora, hein?! Em meio a problemática quantidade de episódios, oito no total, que se tornam longos demais e os tropeços rítmicos que aparecem no decorrer da trama – coisas que não deveriam acontecer, a produção nos apresenta um elenco bom, com química e a complexidade de cada personagem é desenvolvida no decorrer da série.

Para quem conhece o jeito de Shonda trabalhar, fica nítido o primor, a sutileza e a naturalidade captado na série. Os protagonistas tem seus pontos fracos e fortes ressaltados, assim, como seus coadjuvantes que são participantes reais da obra, não são esquecidos, jogados ou uma espécie de escada para o protagonista brilhar. Rhimes sabe como dosar a mão e fazer com que cada uma das múltiplas subtramas se conectem como uma estrutura para as realizações e as reviravoltas da trama principal. Embora, a narrativa seja centrada em um núcleo familiar específico, é a partir dele que todos os outros encontram espaço para suas vozes, descontentações, anseios e o principal, figurinos extremamente coloridos e chamativos… além de algumas cenas para maiores de 18, claro.

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Duque Simon e Daphne Bridgerton dançando juntos, mal sabem eles que os opostos se atraem… / Reprodução

Na Londres vitoriana, a produção nos apresenta Daphne Bridgerton interpretada por Phoebe Dynevor e a Simon Basset, personagem de Regé-Jean Page, também conhecido como o Duque de Hastings. A personagem Daphne é a primeira filha dos Bridgertons, que tem irmãos mais velhos e super protetores que de certo modo a impedem de encontrar alguém para se casar. Perto de atingir a maioridade, Daphne encanta a Rainha Charlotte (Golda Rosheuvel) na nova temporada de cortejo da cidade e se torna o “diamante” do momento, ganhando muita atenção de inúmeros pretendentes que juram desposá-la e torná-la uma “digna dama” da sociedade. Porém, Anthony (Jonathan Bailey), assumindo o papel de homem da casa após a morte do pai, transforma algo simples em uma árdua tarefa – quase missão impossível, espantando bons partidos e deixando-a receosa e desacreditada na possibilidade de que exista alguém para casar e formar uma família.

De dança em dança, Daphne se envolve numa polêmica que pode custar o nome de sua família até conhecer o libertino e charmoso Simon. O Duque, recém-chegado de sua mansão no interior, é melhor amigo de seu irmão Anthony e, logo de cara, os dois não se dão bem. Com personalidades opostas, o que surge entre eles é uma fervorosa paixão que se manifesta após os dois tramarem um plano que beneficia ambas as partes. Simon, no leito de morte de seu perverso pai, jura que o título de Hastings vai consigo para o túmulo, finge cortejar a Daphne para se livrar das mães casamenteiras e Daphne, por sua vez, recebendo atenção do Duque, volta a atrair a atenção de outros cavalheiros mais importantes da temporada, chegando a ser cortejada por um Príncipe e a partir daí a obra ganha folego e novos conflitos vão aparecendo dando o tempero que é necessário para a trama fluir.

“- Você sabe melhor do que ninguém que eu não desejava nada disso. Não queria casar nem ter uma família, muito menos me apaixonar. Mas acabei descobrindo, contra minha vontade, que é impossível não amar você.”

A princípio, ‘Bridgerton’ parece apenas mais uma série cheia de purpurina, mas traz um frescor novo. É possível ver membros da alta sociedade formados por negros como a Lady Danbury e o próprio Duque Simon e nos mostra algo que deveria ser natural. Por que uma série que retrata uma época passada pode ser tão atual em seus temas abordados? Algo que parece permanecer até os dias de hoje é a forma como a mulher é tratada. A mulher não tem liberdade de ser quem é e de fazer o que quer. Infelizmente, existe a separação entre as mulheres de boa conduta e as “devassas” que não merecem respeito – um estereotipo absurdo que perpetua até hoje. O caso mais triste é da jovem grávida que no fim das contas, tem um final aceitável, mas passa por muita coisa até o seu desfecho. Algo encorajador é a personalidade de Eloise, ela é um alivio em meio aos figurinos e bailes da trama.

Os homens, também são vestidos de estereótipos como ser o “manda chuva” da casa, além de darem conta de outras atribuições, vivem as escondidas como Anthony que tenta ocultar uma amante cuja sociedade não tolera e que ao mesmo tempo nem ele mesmo tem coragem de assumir. Ou até mesmo um romance gay que pela época é impossível de ser apresentado ao mundo devido as regras da época. Mesmo com traços machistas, a adaptação seriada traz toques da atualidade que se convergem perfeitamente com o panorama engessado da primeira metade do século XIX, e que podemos perceber diálogos com tendências feministas da década de 70 em diante.

Cenários exuberantes, figurinos estonteantes, atuações de primeira categoria, efeitos visuais bem feitos e uma trilha sonora excepcionalmente, surpreendente. Esplêndido e um acerto e tanto, a clássica orquestra que rearranja canções conhecidas em temáticas de baile – como “Wildest Dreams”, de Taylor Swift, e “Bad Guy”, de Billie Eilish, ambas ganhando uma dimensão inesperada, trazendo um sentido mais intimo, sensível, voraz contemplando a mesma áurea irreverente e anacrônica que podemos ver em tantas obras, como em ‘Maria Antonieta’ de Sofia Coppola.

Um detalhe estarrecedor é a quantidade e duração de cada episódio. Primeiro, já que querem encher a trama com infinitos detalhes, contemplem a produção com pelo menos dez episódio. O que aconteceu com o último episódio que inicia-se com um casal quase separado e termina com um bebê que nem sinal de sangue vemos sair do ventre de sua mãe? O salto foi enorme, inesperado e mal contado… praticamente, jogado na cara do telespectador. Segundo, oito episódios com duração média de 60 minutos. Até ai, nada de absurdo. No entanto, é preciso coerência, pois o tempo se passa e o telespectador não é indicado da passagem do tempo e os acontecimentos vão se desenrolando de forma tão rápida que é possível confundir quem assiste.

Bridgerton | O que sabemos sobre a série da Netflix até o momento
Lady Featherington e suas filhas Penelope, Prudence e Francesca / Reprodução

Quem dá o tom da produção é o showrunner Chris Van Dusen, que comanda de forma precisa os arcos de cada personagem deixando em equilíbrio a comédia existente na obra de maneira que ela se funde com as subtramas de jeito sutil e dosado, principalmente, nas situações que ocorrem com os Featherington. Nesse novo eixo, a matriarca Portia (Polly Walker) é uma dama da high society que deseja casar as filhas com bons partidos, mas que se vê numa “sinuca de bico” quando a sobrinha de seu marido chega do interior e cativa toda a atenção da cidade, além disso, ela enfrenta a falência e atura o vício em jogos do azar do esposo que por sinal, tem um desfecho trágico. E aqui podemos perceber uma face escondida pela impiedosa Lady Featherington, que intimamente percebemos que ela só quer o melhor para assegurar o bem daqueles que ela quer bem.

De certo, personagens como a escritora fofoqueira, Eloise Bridgerton (Claudia Jessie) e seus trejeitos a la feministas, a icônica Lady Danbury e a narração de Julie Andrews, faz com que a série saia do clichê que estamos acostumados. Com uma fotografia de primeira, cenários que na verdade são verdadeiros oásis ingleses, uma trilha sonora de arrepiar a espinha, se mostra uma ótima pedida para quem quer sair do “mais do mesmo”. Embora tenha alguns deslizes que podem ficar de fora nas próximas temporadas – considerando que são oito livros, esperamos oito temporadas, certo, dona Netflix? -, é uma obra colírio para os olhos e deleite para a imaginação.

Nota do Thunder Wave
Bridgerton tem erros e acerta em alguns pontos como nos proporcionar romance, sensualidade, tem uma pegada meio Gossip Girl, fala sobre orgulho, representatividade, traição e idealização da vida perfeita.

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