terça-feira, 24, novembro, 2020
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Crítica: ‘Caixa de Pássaros’ (filme)

Nesta sexta-feira (21), a Netflix lançou em seu catálogo, o filme Caixa de Pássaros (Bird Box). O longa é baseado no livro homônimo do autor americano Josh Malerman, publicado no Brasil pela editora Intrínseca. Caixa de Pássaros, é o livro de estreia de Malerman, lançado em 2014.

Quando anunciado que o livro havia ganhado uma adaptação para um filme pela Netflix, a euforia dos leitores foi dividida pela apreensão, afinal, todo romance adaptado como série ou longa-metragem, causa um certo receio da obra ser bem adaptada. Sandra Bullock fora escolhida para viver a protagonista do longa e causou mais ansiedade ainda.

Bullock é uma das atrizes mais queridas de Hollywood e também, a mais carismática entre os fãs. Com uma vida discreta e longe dos holofotes, a atriz só vira notícia após participar de programas de TV, dar entrevistas para jornais e/ou revistas ou quando participa de eventos de divulgação de algum trabalho.

Com Caixa de Pássaros, não fora diferente. Mãe de dois filhos (Louis e Laila), Bullock viajou o mundo ao lado do elenco para divulgar o longa, incluindo o Brasil, durante a Comic Con Experience, em dezembro. Um dos painéis mais aguardados da CCXP, o da Netflix, a atriz veio acompanhado de Trevante Rhodes, ator com quem dividiu cenas no filme.

Sobre o filme

Por pouco mais de duas horas, o espectador acompanha a saga de Malorie (Sandra Bullock), onde ao lado de um seleto grupo de pessoas, lutam pela sobrevivência num mundo pós-apocalíptico. O filme fora dividido em duas partes onde estão interligadas: presente e passado através de flashbacks. Entretanto, o passado se torna vigente, no longa, para que o espectador entenda como se deu toda a crise existente no filme, até que na reta final do filme, o tempo atual torna-se o principal meio de contar a história.

Artista plástica e mãe solteira, Malorie vive uma vida tranquila e despretensiosa entre suas tintas, telas e pinturas. Sua irmã, Jessica (Sarah Paulson), a convence ir ao hospital realizar uma ultrassonografia – até esse momento da trama, Malorie está grávida. Pela TV, as irmãs assistem ao noticiário de que uma força estranha deixa as pessoas enlouquecidas, agindo de maneira insana. É exatamente nesse momento em que o filme se inicia.

Confusão e caos são apresentados ao espectador e se faz entender que ao olhar para algo, seus olhos se transformam e quem olhou, comete suicídio de maneiras absurdas: atirando-se do alto de prédios, jogando-se na frente de carros em movimentos, perfurando-se com objetos cortantes, etc.

O grande segredo é não olhar para a tal coisa, por isso, todos os personagens mantém-se com vendas sobre os olhos. É impossível desgrudar os olhos da tela para saber o formato da tal coisa que causa toda essa loucura. Até que Gary (Tom Hollander), um homem misterioso e até então sobrevivente, junta-se aos demais com a justificativa de estar em busca de um abrigo.

É nesse momento em que há a mudança da trama, se dá a partir do nascimento das crianças. Cinco anos depois – e você vai entender perfeitamente essa passagem de tempo e mescla entre flashbacks (passado) e tempo atual, as crianças crescem e recebem os nomes de Garoto (Julian Edwards) e Garota (Vivien Lyra Blair).

Malorie se torna uma mãe um tanto severa, mas entendível. Seu instinto protetor e vontade de viver, fazem com que ela passe a treinar as crianças no estilo “sobrevivência na selva”. Os outros instintos como audição e olfato, são apurados – haja vista o tempo em que precisam permanecer de olhos vendados.

O final do filme é emocionante, tocante e ao mesmo tempo, eletrizante. A atuação de Bullock é convincente e faz com que quem assiste o filme, sinta o mesmo que sua personagem. Tom (Trevante Rhodes) é incrível, sua presença no longa é extremamente necessária, na dose certa, bem como a atuação do ator. Você vai sentir muito quando, bem, assista.

Outro destaque é John Malkovich. Seu personagem, Douglas, é um homem amargo, frustrado sentimentalmente e frio. A perda de sua esposa, logo no início do filme, não o faz chorar ou sentir sua partida. “Ela era a minha esposa!“, dirá para Malorie, de maneira banal. O talento de Malkovich fará você sentir uma certa raiva de seu personagem, mas acalme-se: assim como Trevante, seu papel é fundamental.

Apesar de pequena, a participação de Sarah Paulson é extremamente linda. E tocante. Não é novidade para ninguém que sua personagem enxerga a tal coisa e acaba tendo o mesmo destino dos outros que a viram. Aquele olhar para Malorie, partirá seu coração em pedacinhos. Seria bom ver mais cenas de flashbacks com a atriz – a química entre Bullock e Paulson é notoriamente incrível. As duas repetem a parceria de atuação desde Oito Mulheres e um Segredo (Ocean’s Eight).

Elementos visuais

Desde cenário até figurino, tudo foi muito realista. Os efeitos especiais na medida certa para convencer o espectador de que a tal coisa, existe. Sua presença é notável através de folhas, como alguém invisível ou um redemoinhos. Acredito que no livro, há a descrição da tal força oculta que causa o caos, mas para aqueles que não leram o romance de Malerman e apenas assistiu a adaptação, a equipe de arte desenhou inúmeras formas do tal monstro em folhas de papéis: uma excelente ideia, assim, quem assiste, saiba as diversas formas que a tal força maligna possui, dando a ideia de quem a vê, enxerga de maneiras distintas.

A direção de Susanne Bier é impecável. Hollywood precisa realmente de mais mulheres talentosas no comando de grandes produções. A mulher possui um olhar diferente para cada coisa em questão, isso até mesmo, na vida. O talento de Bier exala desde as cenas mais densas, passando pelas tensas e confortando o espectador nas outras mais tranquilas. Detalhes esses que se o longa fosse dirigido por um homem, provavelmente, não teria o mesmo impacto. O talento do elenco é indiscutível, mas sob o comando de uma cineasta/diretora, aflora.

Bullock, além de atuar, assina a produção executiva e seu talento é indiscutível. Em cenas das quais não precisa dialogar, seus olhares e expressões faciais, são verdadeiras palavras. Quando lançado e exibido pela primeira vez, durante a Comic Con Experience 2018, as primeiras reações após a exibição do filme, eram as mesmas: “Sandra Bullock está incrível!“. Sem sombra de dúvidas, merecedora de todas as honrarias por sua atuação.

Considerações finais

É claro que um filme adaptado de livro, sempre vai agradar a uns e a outros não, mas Caixa de Pássaros, cumpre o seu papel. A essência de Malerman está inteirinha expressada no roteiro do filme. É como se as páginas tivessem sido transportadas para a tela, de maneira sutil e verdadeira. O filme é tocante, emocionante, eletrizante e você não vai querer deixar de ler o livro, que com certeza, os personagens virão à sua mente, na fisionomia dos atores.

Não abra os olhos, a não ser que seja para assistir o filme.
Com certeza você vai querer saber o porque de “caixa de pássaros”.

Nota do Thunder Wave
Um filme eletrizante, tocante, emocionante. Sandra Bullock liderando um talentoso elenco, sob a direção de Susanne Bier, faz de Caixa de Passaros, um dos melhores lançamentos do streaming de 2018.

1 COMENTÁRIO

  1. Adorei o filme, e vou assistir novamente….amo a Sandra Bullock e o filme é surpreendente, vale até um chorinho no final….

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