Só se falava sobre essa série no último final de semana, quando a Netflix liberou em seu catálogo, um material pra lá de polêmico. Aliás, tudo o que envolve negro, toma-se uma proporção gigantesca. Isso porque não só os negros, mas como qualquer pessoa inserida dentro da sigla LGBT, mulheres, gordos e outras “minorias”, resolveram agir por si só como se fosse num movimento único em prol de melhores direitos, reconhecimento, respeito e principalmente, uma autoafirmação diária.

A série Cara Gente Branca (Dear White People) não é o que se pode chamar de “novidade”. Ela surgiu a partir de um filme independente, de mesmo nome, que infelizmente não chegou aos cinemas brasileiros. O longa abordou temas relevantes de forma clara, irônica e com uma linguagem “voltada para jovens”. A Netflix viu que o filme rendeu boas críticas – apesar do espanto de muitos ao terem contato com a obra -, e produziu uma série de dez episódios, com trinta minutos cada, numa espécie de aprofundamento dos personagens que surgiram em 2014.

Filme de 2014

Não é necessário assistir o filme primeiro para entender o que se passa nem do que se trata o enredo. Tanto no longa quanto na série, o autor usará de certos artifícios importantes e lúdicos, para tratar do racismo, intolerância racial e até mesmo, sexual. Porque um negro não pode se relacionar com um branco? E porque negros não podem ser homossexuais? Certa vez ouvi dizer que “o negro está em um patamar a qual, muita das vezes, ele não pode estar por ser ‘endeusado’ ou estereotipado como alguém que é padrão de virilidade simplesmente por ser tão igual e humano a qualquer outro homem de qualquer raça“. Será que justifica muitas coisas?

Pois bem, Cara Gente Branca acompanha o dia a dia de um grupo de alunos de uma importante universidade pertencente ao Ivy League – grupo formado por oito universidades mais importantes nos EUA, conhecida mundialmente: Columbia, Brown, Cornell, Dartmouth, Princeton, Universidade da Pensilvânia, Harvard e Yale – essas últimas, talvez sejam as mais conhecidas, inclusive, Rory Gilmore da série Gilmore Girls, desejava estudar em Harvard desde os oito anos, mas optou por Yale por influência de seus avós -, a partir de uma festa de Halloween , onde alunos brancos se fantasiaram de negros adotando a velha prática do blackface, aquelas em que atores brancos pintavam o rosto com carvão de cortiça para representarem negros em produções teatrais, o que para muitos, é abominável.

Cara Gente Branca 1ª Temporada
Cara Gente Branca 1ª Temporada | Imagem: Netflix

Destaque para o narrador que de forma cômica, solta uns spoilers do que vem a seguir. Mas tudo dentro do contexto, nada que tire o brilho da produção nem faça a série ficar chata ou ficar com raiva do narrador. Cada personagem trará seu ponto de vista de determinado acontecimento e o primeiro episódio intitulado “Capítulo I” – e a partir daí, os 9 outros capítulos -, Samantha White (Logan Browning) dá sua visão dos fatos. Em seguida, é a vez dos personagens Lionel (DeRon Horton), Coco Conners (Antoine Robertson), Troy Fairbanks (Brandon P Bell) e por fim, Reggie Green (Marque Richardson) – as atuações são incríveis, e como toda dramaturgia é, passa a quem assiste, uma realidade dos fatos principalmente por se passar em um ambiente acadêmico.

O que vier a ser falado a partir de agora, pode soar como spoiler, justamente porque a série traz uma enxurrada de referências a momentos históricos, bem como seus representantes. Sem falar na visão que cada espectador terá ao se deparar com as histórias e conflitos que a obra trará mediante o olhar de cada personagem. Se deseja um banho de representatividade e empoderamentos negro e feminino, principalmente na atual sociedade a qual estamos inseridos, eu não deixaria de assistir Cara Gente Branca nem por um decreto. É empatia, sabe? É entender como o negro é tratado, é visto pelos olhos daqueles que muitas das vezes, “a vida é mais fácil”.

Cara Gente Branca agradou, de verdade. Principalmente porque ela não traz aquela “lenga-lenga” de flashback aos duzentos anos de escravidão ou então, “ah, como somos vitimas de um sistema!” e blá, blá, blá. Entrementes, “cara gente branca”, ou negra, parda, amarela, rosa, azul… assista logo essa belezurinha de série e como o icônico ex-presidente dos Estados Unidos disse, em um discurso: “Yes, we can“.

Veja a ficha técnica e elenco completo de Cara Gente Branca

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