Já faz algum tempo desde o lançamento da primeira temporada de Carnival Row no catálogo da Amazon Prime Video. A trama apresentou aos espectadores um mundo de fantasia fictícia, um romance proibido e muitas dores e questões sociais.

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A primeira temporada demonstrou uma boa premissa, mas tem problemas de ritmos, uma concentração de diversas subtramas ligada a trama central que deixa tudo confuso, além do desenvolvimento do mundo e do relacionamento entre Philostrate, de Orlando Bloom , e Vignette, de Cara Delevingne… pode-se dizer que a produção fez um malabarismo e tanto. Porém, nos resta saber se esse esforço todo conseguiu entregar uma segunda e última temporada que possa concluir a história sem deixar pontas soltas ou um gosto amargo para quem viu.

Antes de falarmos sobre a nova leva de episódios que encerra a narrativa, dei uma olhada no que os críticos disseram sobre a temporada anterior. Devo ser honesta com você, pois o que vi… não foi muito legal. Muito crítico torceu o nariz e eu entendo, é uma trama meio “complicada”, se é que me entende. Contudo, pelo o que pude ver tanto da primeira quanto da segunda, pude observar uma boa ideia que foi executada aos trancos e barrancos. Veja bem, a produção bebe de uma vertente um pouco deixada de lado, o steampunk*. A obra tem uma certa qualidade por manter a mitologia viva. Faunos, fadas e outras criaturas vivendo no mesmo mundo que humanos e isso dá uma baita abertura para abordar temas como preconceito – racial, questões de classe e etc. Mas faltou um “tompero”.

Nota: O steampunk é um subgênero de ficção científica, que ambienta alguns romances literários e obras audiovisuais. “Steam” é uma palavra em inglês que, traduzida para a nossa língua, significa “vapor”. Já punk; referente ao movimento social de contra-cultura da segunda metade do século XX; pode ser associado a outro subgênero: o cyberpunk. Pela lógica, o steampunk é, nada menos do que, uma realidade na qual a tecnologia a vapor impera vigorosamente. Na verdade, somam-se a isso épocas passadas e um progresso científico surreal.
Crítica | Carnival Row - 2ª Temporada 1
Cara Delevingne no set de filmagem / Reprodução Amazon Prime Video

Diferente de sua antecessora, a atual temporada traz mais dois episódios e entrega um final digno para a história do país fictício conhecido como Burgue e a guerra entre os humanos e os seres sobrenaturais que dividem o mesmo cenário. A série começa da onde parou no episódio final da temporada antecessora. O estresse aumenta quando as fadas são sequestradas,  com os Black Ravens planejando se vingar do novo Chanceler (Arty Froushan) e sua irmã, Sophie (Caroline Ford).

A situação fica pior quando pessoas e seres fantásticos começam a aparecer assassinados de forma horripilante. Esses acontecimentos fazem com que o personagem de Bloom, Philostrate, volte ao mundo humano para tentar descobrir quem é o assassino antes que a guerra civil comece. Durante a sua busca por respostas, ele precisará fazer escolhas que implicaram na sua identidade e na sua relação com Vignette.

Longe de toda a carnificina declarada em Burgue, o casal Imogen (Tamzin Merchant) e Agreus (David Gyasi) tentam viver seu romance proibido em alto mar há semanas até que são capturados por um grupo inimigo. Infelizmente, eles vivem numa sociedade radical que prega o igualitarismo de uma forma controversa. Se não quiserem morrer, precisarão encontrar um jeito de equilibrar a balança injusta da vida, pois não só o amor que nutrem um pelo outro, mas a vida deles depende disso.

Crítica | Carnival Row - 2ª Temporada 2
Andrew Gower, Tamzin Merchant e David Gyasi / Reprodução Amazon Prime Video

Em comparação a temporada de 2019, a segunda se move num ritmo mais acelerado, a maioria dos episódios contemplam boas cenas de ação e várias tramas acontecendo. O elenco, por sua vez, não é ruim. São competentes e fazem o que podem com o texto que lhes foi dado. Seria natural que a maioria dos episódios fossem focados nos protagonistas de Bloom e Delevingne, mas aconteceu o contrário. Isso azedou a trama, pois ambos passam a maior parte do tempo separados. 

Parte da culpa é da direção e atuação de Cara Delevingne. A personagem em si é como se fosse um apêndice durante toda a segunda temporada. Apesar de tomar as decisões significativas que faz, seu desenvolvimento é vazio. Sente-se falta de mais níveis na performance da atriz, de uma progressão natural de seus relacionamentos com os demais personagens e aí sim, seria uma forte atuação em tela.

No entanto, o arco expandido da personagem Turmalina na 2ª temporada de Carnival Row preenche uma lacuna muito importante. A atriz Karla Crome é engraçada de forma genuína e consegue transmitir através de sua atuação muita verdade e sentimento. Como visto na temporada anterior, a performance de Crome nos mostra que podemos investir no seu destino e torcer para que ela encontre alguém que mereça seu coração. O mesmo se aplica para Darius, de Ariyon Bakare, que tenta servir como a voz da razão quando Philostrate se deixa levar pela emoção.

Crítica | Carnival Row - 2ª Temporada 3
Orlando Bloom na segunda e última temporada de Cranival Row / Reprodução Amazon Prime Video

Assim como na primeira temporada, o enredo mais forte continua sendo o de Imogen e Agreus. Tanto Tamzin Merchant quanto David Gyasi apresentam atuações impecáveis e é visível que ambos não têm nenhum receio de ir além daquilo que lhes foi solicitado. E sem dúvidas, o destaque de toda a franquia é de Imogen. Foi muito bom ver o quanto a personagem se desenvolveu e até onde a atriz Merchant chegou.

Um ponto extremamente desconfortável é o uso do CGI que estava visivelmente ruim. O resultado final é quase cômico, faltou capricho. Não diria tempo, pois logo que a primeira temporada saiu em 2019, foi anunciado a renovação para uma possível continuação. Claro, tivemos a pandemia que ficou mais branda no final de 2021 para 2022, mas ainda sim, teve o ano de 2022 para trabalhar… faltou cuidado, capricho. Isso é algo da qual não abro mão.

A essência da narrativa é apostar na dualidade. Assistimos os personagens se destacando em um ambiente que, de outra forma, os expulsaria ou os esmagaria. Não é a primeira história de fantasia que se propõe a explorar os amores proibidos – entre criaturas diferentes, raças, classes, violência, lutas e injustiças. O mundo que o escritor Travis Beacham criou originalmente para nós, soa familiar e emocionante. 

Onde a série termina não carece de continuação. O final deixa para o espectador imaginar as possibilidades de onde nossos personagens podem ir. Com boas cenas de ação, com alguns personagens se saindo melhores entre outros e um CGI capenga, a produção encerrou bem.

Carnival Row estreia sua segunda e última temporada no dia 17 de fevereiro no Prime Video.

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