terça-feira, 7, dezembro, 2021

Crítica | Cidade Invisível

Marcos Pigossi, Alessandra Negrini, Julia Konrad e Cia, trazem a humanização dos personagens mais amados e conhecidos do folclore brasileiro

No ano de 2001 o folclore ficou registado no audiovisual pela série de televisão Sitio do Picapau Amarelo. Baseado na grande obra de Monteiro Lobato, foi transmitida por anos pela emissora Rede Globo, na qual, deixou algumas atrizes e atores marcados até os dias de hoje.

O folclore brasileiro voltou às telas em Cidade Invisível, a nova série brasileira foi disponibilizada na Netflix no início do mês de fevereiro, e desde então não saiu do top 10 das mais assistidas da plataforma, ocupando inclusive o top 1, além de ser assunto até nas redes sociais. Por enquanto tem uma única temporada, dívida em sete episódios com duração de cerca de 40 minutos cada. Isso torna a série sucinta e aguça ainda mais a curiosidade do telespectador. A obra é produzida pelo diretor, já indicado ao Oscar, Carlos Saldanha e conta com a participação de grandes nomes do cinema e das novelas brasileiras como Alessandra Negrini, Marco Pigossi e Jose Dumont.  

O mistério do primeiro episódio é o que te levará a assistir até o final. Algo chama a atenção da filha de Gabriela (Julia Konrad) e do protagonista da série Eric (Marco Pigossi) que faz com que ela vá até a mata da Vila Toré. A partir daí, um incêndio se espalha e ao tentar salvar a filha, Gabriela acaba morrendo deixando uma pergunta no ar: como ela morreu? Tal indagação permeia até o quinto episódio e quem vai atrás da resposta é seu marido Eric, detetive da polícia ambiental do Rio de Janeiro. 

Crítica | Cidade Invisível 1
Eric e Márcia se deparam com o boto-cor-de-rosa na praia / Reprodução Netflix

Um dos clímax da série acontece ainda no primeiro episódio quando Eric, em busca de respostas da morte de sua esposa, encontra um boto-cor-de-rosa em uma das praias do Rio de Janeiro. Algo incomum, visto que tais animais são mais comuns em água doce. A partir daí surgem na trama Camila (Jessica Córes) e Inês (Alessandra Negrini) que são ninguém menos que Iara e Cuca.  

Os próximos episódios trazem de maneira ainda muito interessante as histórias dos personagens mais conhecidos (e até queridos) do folclore, como Saci (Wesley Guimaraes), Iara, Tutu Marámba (Jimmy London), mais conhecido como o Bicho Papão até chegar no também famoso, Curupira (Fábio Lago). Tais personagens sempre foram muito bem acolhidos e defendidos por Gabriela, ao contrário de Eric que sempre foi muito cético. 

Os mistérios permanecem na série e as lendas estão cada vez mais ligadas ao mundo real. Uma vez que temos Cuca como dona de uma boate, Iara que faz parte da boate como cantora, sem esquecer de Saci o menino levado que não pode ver sequer uma criança chorar. Esse foi o ponto mais evidenciado na trama, trazer as histórias folclóricas ao mundo real atribuindo valor e visibilidade à cultura popular brasileira.  

Saldanha traz essa junção mostrando o dia a dia não só dos personagens folclóricos que, por mais que tenham seus poderes são pessoas de carne e osso ele também ressalta a vida de um policial que lida com a ausência de sua esposa, e com as desavenças com o chefe de trabalho. De tal modo que esse mesmo policial através da sua capacidade profissional de investigação, descobre que por mais que tente fugir e desacreditar das lendas folclóricas elas estão cada vez mais ligadas a ele.  

No decorrer da série, a Vila Toré passa ser perseguida e a ideia de que a vila não é um lugar bom, passa a ser questionada, uma vez que uma grande construtora propõe-se destruir parte da vila, visando seu próprio benefício financeiro. Além de ressaltar essa união de mundos (real e fantasia), observa-se também na trama a ideia de valorização das florestas, uma vez que as lendas preguem a ideia de que tais personagens tem uma certa ligação com esta. Assim como a partir daí é perceptível a crítica que é levantada na série sobre a desvalorização e a promoção do desmatamento das florestas. Vale levantar um questionamento, até onde vai o tão falado patriotismo? Uma vez que viramos as costas para as florestas, passando a não enxergar o quanto o desmatamento é prejudicial para fauna, flora e a todos que estão ao redor. 

Nas redes sociais os telespectadores cogitam a ideia de que terá a segunda temporada da série brasileira que já é um sucesso em diversos países. Ainda não foi divulgada informações sobre esse assunto, enquanto isso, se você ainda não assistiu corre pois Cidade Invisível  tem tudo para te surpreender.  

Nota do Thunder Wave
A série já um sucesso na Netflix, lançada dia 5 de fevereiro e desde então não saiu dos top 10 das séries mais assistidas da plataforma. Nos ensina a não renegar nossa cultura e prega a valorização das florestas e o fim do desmatamento.

Artigos Relacionados

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por Favor insira seu nome aqui

Instagram

Bombando

Mais vistos da semana

Siga Nossas Redes

Tem conteúdo exclusivo por lá
6,914FãsCurtir
2,962SeguidoresSeguir
4,234SeguidoresSeguir

Recentes

Conteúdo fresquinho

Thunder Fic's

Tudo sobre roteiro
pt_BRPT_BR
Thunder Wave-Filmes, Séries, Quadrinhos, Livros e Games Thunder Wave