Filmes Críticas

Crítica | Cinderela (2021)

Longa tem o objetivo de ser ousado, mas falha em sua execução e deixa a desejar em quase tudo

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Estamos na onda da repaginação! A história da Cinderela você já conhece de cor e salteado, afinal, são inúmeras adaptações tanto em animações quanto com live-actions foram realizadas da versão mais clássica do conto de a Cinderela e nesse celeiro de adaptações temos versões numa pegada mais erótica, pop, musical, nacional e até uma com Hilary Duff, em A Nova Cinderela, onde o item perdido pela mocinha sofredora não foi o sapato de cristal, e sim, um celular flip. O mais recente lançamento da Amazon, Cinderela, escrito e dirigido por Kay Cannon, chamou atenção por seu elenco de peso e promessa de uma personagem empoderada como protagonista da história que tem como pano de fundo um musical de comédia romântica. Porém, o objetivo de recontar o longa de uma forma bem ousada,  falhou na execução e entrega um filme debochado e cansado. Aqui tudo é limitado e fraco.

Como protagonista do novo longa, a produção da Columbia Pictures conta com a ex-integrante do Fifth Harmony, Camila Cabello no papel de Ella, o que foi um dos motivos que fizeram os olhos do mundo inteiro se voltarem para a produção, além disso a artista está em ascensão em sua carreira solo e, por isso, um pouco de curiosidade também como se sairia atuando num longa de aparente prestígio. O longa conta mais uma vez, com a mesma base, a história da jovem Ella que é tratada como empregada pela madrasta, Vivian, vivida por Idina Menzel, e suas filhas, até que a chance de mudar sua vida surge com uma ida ao baile do príncipe Robert, interpretado por Nicholas Galitzine, com a ajuda da Fada Madrinha — que, aqui, ganha o nome de Fab G e desafia convenções da binariedade de gêneros com a atuação de Billy Porter. Outros elementos também se fazem presentes, como os ratinhos que não são tão relevantes assim. Mas o objetivo de Ella, não é arrumar um marido e se casar, ela quer ganhar o mundo sendo uma estilista de vestidos.

O Fado Madrinho desafia convenções da binariedade de gêneros com a atuação de Billy Porter / Reprodução

O longa é narrado por Billy Porter e entendemos que todos fazem parte de uma vida parada que anseia por mudanças. E já somos surpreendidos por uma entrada interessante do mashup de Rhythm Nation de Janete Jackson e You Gotta Be de Des’ree. E com essa cena, imaginamos que será uma produção para ninguém por defeito… ERRADO! A base dos personagens é típica e não foge do de sempre e ao nos depararmos com a premissa de Cannon que é desconstruir o conto, seu roteiro busca explorar profundidade também na realeza, ao trazer figuras que se opõem às suas rotinas privilegiadas em relação à história original que pouco sabemos. Aqui a intenção da cineasta é por a mulher num local de destaque numa hierarquia ocupada por homens. O casamento, a carreira frustrada, fazem parte de um modelo estabelecido e temos através de Ella, a rainha Beatrice (Minnie Driver) e a princesa Gwen (Tallulah Greive) o questionamento e a busca por uma voz numa sociedade machista e sexista.

Vemos que a protagonista não deseja ter sua vida pautada por um casamento e presa numa vida de serviçal, o príncipe Robert não se contenta em ser apenas o encarregado de continuar a linhagem de seu pai, sendo o próximo a assumir o trono de Rei e ter de se casar às pressas para essa consumação. E percebemos que no desenrolar da adaptação, traços de comédia são incluídos e vemos duas figuras com vidas totalmente diferentes recebendo uma ajuda do destino. Não é preciso dizer que dentre muitas possibilidades, Robert se encanta com Ella e ela com ele… deu MATCH! Mas como nem tudo é um conto de fadas, a garota não está interessada em desistir de seu sonho de ser alguém para se tornar apenas esposa de um príncipe babaca – embora ele queiram mais para si, ele se mostra um babaca, chato e idiota. O ator e o personagem se completam: são enfadonhos. E muito além do vestido bonito, sapato de cristal e mágica momentânea que lhe proporciona um casamento real, pois após esse ‘grande acontecimento’, ela se veria  presa a um mero papel de coadjuvante na própria vida, Ella almeja fazer o seu nome na moda e não ser conhecida como aquela que se casou e fez o príncipe feliz. A adaptação reimaginada por Cannon, quer se ver livre de rótulos e apresenta uma protagonista empoderada e usa um musical para movimentar a trama… que se mostrou uma estratégia mal desenvolvida. 

Camila Cabello até se sai bem, mas só o seu talento não basta / Reprodução

Quando fomos surpreendidos de que a nova adaptação seria em formato musical, houve uma empolgação sem fim e juntando a isso, músicas pop seriam remodeladas para casar com a proposta do longa atualizando para uma carinha mais contemporânea  a produção. Mas de musical não tem nada… é mal executado. As músicas não entram e nem saem de forma coesa, a sensação que temos é que as canções foram introduzidas nas cenas que cabiam e ficou assim… cagado e a edição aqui nem cabe argumentar, pois fizeram um trabalho meia boca. E o resultado dessa equação é um filme cansativo que não consegue transitar de uma cena para outra sem uma quebra evidente dando o ar de deboche, sátira ou fora da caixa. Além disso, um dos momentos mais esperados é a aparição de Billy Porter e seu Fado Madrinho que caminhou na mesma trilha frustrada e gozada. 

Aqui coisas que poderiam ter salvado não funcionam bem, como os figurinos e a magia. Não tem aquele toque magnífico que outras obras de mesmo estilo possuem. A trilha sonora está razoável e vemos o talento de Cabello, mas nada que a valorize de fato. Se o objetivo era trazer um ar moderno para o longa, aprofundando um pouco mais sobre a vida do príncipe e trazendo um ar de empoderamento feminino através das personagens femininas, o longa falhou.  O longa quer caminhar para isso, mas não se aprofunda em nada que colocou no primeiro ato. A ideia é interessante, mas a execução foi mal sucedida. Tirando a história que todos sabem, o mundo criado para Ella mal foi aprofundado e coisas foram jogadas no início e não foram reaproveitadas no final como a cena em que Ella visualiza e encara quem quer ser na faixa Million to One que é super interessante em se ver, mas não foi repetida e nem sequer lembrada.

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