sábado, 16, outubro, 2021

Crítica | Convidado de Honra

Produção distribuída pela California Filmes chegará no dia 15 deste mês

O mais novo longa produzido por Atom EgoyanGuest of Honour’ que será lançado exclusivamente nas plataformas digitais, no dia 15 de outubro, foi exibido no Festival de Veneza em 2019, foi escrito e dirigido por Egoyan e estará disponível no Claro Now, Amazon Prime Vídeo, iTunes /Apple Tv, Google Play e Vivo Play. Um longa que apresenta uma sinopse de trama simples, mas que se revela um filme profundo e marcado por grandes segredos e reviravoltas interessantes com algumas leves discrepâncias.

A forma como o filme é construído, sua montagem, é interessante e consegue fisgar o espectador. A produção se inicia pelo fim, e é narrado de uma forma bastante peculiar. Até a metade do longa, desconhecemos boa parte da história porque ele só te entrega fragmentos da verdade de forma aleatória e nesse quebra-cabeça, o espectador tenta montar as peças de uma forma que faça sentido e deduzindo possíveis situações que se encaixem na trama. A obra possui vários plot-twists bem criados, dentro de uma construção narrativa coesa e com um roteiro muito bem escrito.

Guest Of Honour': Venice Review | Reviews | Screen
David Thewlis é Jim em Guest Of Honour / Reprodução

O diretor e roteirista Atom Egoyan, parece ter um gosto especial por longas que abordam erros do passado com uma pegada de injustiças e explora a moralidade de seus personagens e de certo modo, acertou tanto da condução da direção quanto do roteiro que foge do clichê, mas em alguns momentos temos a sensação de que sai dos trilhos com algumas oportunidades inoportunas e infrutíferas. Mas ainda assim, é uma história que apresenta o suficiente para que seja entendida.

O personagem principal Jim, interpretado por David Thewlis (Harry Potter) conseguiu transmitir em sua atuação primorosa afeto, preocupação, desespero e tranquilidade. Ele se preocupa muito acerca da reputação de um homem, de uma pessoa. Leva tempo para construir, para adquirir uma boa reputação e em questão de segundos tudo desmorona e no decorrer do longa, vemos que ele tenta reconstruir a de sua filha que foi presa devido a uma acusação de assédio. Conseguimos captar cada emoção sentida pelo personagem Jim até o seu final. Um detalhe interessante é que ele era dono de um restaurante antes de se tornar um inspetor da vigilância sanitária – ele tem o poder de destruir negócios alheios, às vezes o faz e às vezes não.

Guest of Honour (2019) directed by Atom Egoyan • Reviews, film + cast •  Letterboxd
Laysla de Oliveira é Veronica em Guest Of Honour / Reprodução

Poucas são as atuações no longa, porém todas são boas. A filha do protagonista, Veronica (Laysla de Oliveira), também entrega uma personagem profunda e que oscila entre emoções e chegamos a pensar que ela não se importa, mas quando conhecemos um pouco mais dela, entendemos algumas questões embaraçosas. Ela é uma professora de música que está na cadeia por um crime que não cometeu e se deixou condenar deliberadamente para se castigar por algo que aconteceu no seu passado, além de punir o pai por algo que ele tenha feito à mãe, doente na época.

Os outros personagens são secundários, mas com encenações marcantes e podemos destacar os atores Rossif Sutherland e Alexandre Bourgeois, que possuem participações intrigantes na história e conseguem entregar perfeitamente bem suas cenas – aqui fica uma ressalva, o que acontece com o personagem de Sutherland? Ele evaporou. Senti falta de um desfecho pra ele. Outro personagem interessante é o Padre Greg, interpretado por Luke Wilson que mostra uma boa atuação. Algo interessante e curioso é que o que acontece se dá pela visão de um único personagem, ou seja, sabemos de algo sempre a maneira dele, não temos uma outra fonte para refutar o que está sendo passado, pois o o personagem “narrador” acredita que é daquele jeito e ponto.

Guest of Honour
Luke Wilson é Padre Greg em Guest of Honour / Reprodução

É um filme que brinca com diversos “cenários”. Temos os restaurantes e os recitais/ apresentações que são lindas. A trilha sonora do longa se mistura com a trilha no filme e isso torna o longa uma verdadeira explosão de bom gosto no quesito musical. Tudo bem harmonioso, alegre, emocionante e de uma delicadeza intocável. Não é nada escancarado ou invasivo demais, mas harmonioso e equilibrado nos guiando pelas emoções que devemos sentir. Outro ponto positivo é o enquadramento dos personagens que, normalmente estão fechados, mas que gradativamente vão abrindo e expondo mais os lados escondidos de cada personagem.

A fotografia é belíssima e em alguns momentos nos cega de tantas beleza e delicadeza e em outras situações, anda de mãos dadas com a trilha sonora tornando algumas cenas bem emocionantes e marcantes. O longa aborda temas interessantes, mas de forma sutil. O telespectador precisa prestar atenção nos detalhes, pois são nas entrelinhas que o longa se desenvolve.

Nota do Thunder Wave
Com boas atuações, trilho sonora, fotografia, roteiro e direção, o longa escorrega em alguns quesitos, mas nada tão absurdo assim. É um filme que conversa com a nossa atualidade e nos propõe uma reflexão acerca daquilo que achamos que é e não é, sobre reputação, verdade, mentiras... é um bom entretenimento.

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