Com uma pegada mais pop e moderna, longa que se assemelha muito com “A Culpa é das Estrelas” de John Green, é bonito, mas triste. Apesar dos pontos positivos, o longa não consegue ficar além da média. Com direção de Diego Freitas, Depois do Universo traz uma história de amor à primeira vista embalada pelo universo da música em que um casal se forma em um momento delicado da vida. O longa discute temas interessantes como a aplicação da medicina humanizada, como lidamos com o luto, é um longa sobre perda, mas sobre esperança e perseverança de um futuro melhor. Com protagonistas adoráveis e carismáticos, a trama não poupa os lencinhos.

Depois do Universo apresenta Nina (Giulia Be), uma talentosa pianista que desde cedo sonha seguir carreira como solista, mas se viu impossibilitada de seguir seu sonho quando descobriu sofrer de Lúpus. O longa introduz de forma breve a protagonista como outras tramas do gênero fazem, a conhecemos fragilizada e no hospital. Neste momento, ela conta como conheceu o seu grande amor, o residente Gabriel (Henry Zaga).

Clichê ou não, Nina estava tocando piano em uma estação de metrô (Luz, em São Paulo) quando Gabriel, de bicicleta e fugindo de um segurança, acabou caindo sobre o instrumento (bizarro ter um piano bem no metrô). E a partir daí, o romance ganha desenvolvimento. Ironia do destino da ficção, descobrimos que Gabriel é residente no hospital no qual, a jovem pianista tem que ir semanalmente fazer hemodiálise – seus rins estão comprometidos pela Lúpus – enquanto espera na fila para o transplante.

O longa da Netflix não é perfeito, porém, tem pontos positivos. O casal de protagonistas performados por Giulia Be, em seu primeiro trabalho como atriz que se saiu bem, mesmo deixando sua inexperiência transparecer, e Henry Zaga, em seu primeiro papel numa trama brasileira. Ambos se saem bem nos momentos em que trocam afeto entre si e nas relações que cativam em seus núcleos. As participações do avô de Nina, Joaquim (Othon Bastos), Yuri (Leo Bahia), médico com quem Gabriel divide apartamento, a enfermeira Raimunda (Rita Assemany) ou Amanda (Viviane Araújo), mais uma paciente de hemodiálise, trazem mais diversão para a trama, porém, em alguns momentos os conflitos que esses personagens carregam não agregam na trama.

Crítica | Depois do Universo 1
Uma das cenas mais bonitas do longa / Reprodução Netflix

O “vilão” da trama é a própria doença, mas temos um personagem que performa como se fosse o cara mau da história que é o pai de Gabriel, Alberto (João Miguel). Coincidência ou não, ele é diretor do hospital onde Gabriel também trabalha e é um médico à antiga que critica a maneira como o filho lida com os pacientes. Contudo, as facilidades do roteiro e dos clichês, o conflito que ronda a medicina humanizada é abordado de forma capenga, mas levanta um debate interessante: por que o sistema ainda pratica a medicina de forma automática? Infelizmente, o longa não comporta temas como este, pois tudo acontece de forma tão rápida que tudo que é abordado precisa fechar com muita rapidez. As soluções para os problemas são tão rápidas que nem dá tempo do problema ser um problema.

Depois do Universo de Diego Freitas tem uma vibe própria. É moderno, em alguns momentos é quase um comercial de dia dos namorados. Mas a construção é fraca. Os conflitos são pequenos diante da gravidade da protagonista e por se tratar de um longa que lida com a perda, o luto e a brevidade da vida… poderia ter um término diferente para o casal. Além disso, o longa tem muito conflito para lidar e que se não existissem, o longa seria melhor. 

É visível que o diretor e os roteiristas sabem do potencial do longa, mas pecam por seguir a fórmula de filmes como “A Culpa é das Estrelas”, por exemplo. Veja bem, é possível ter o clichê em uma cena ou outra, mas fazer dela regra é um tiro pela culatra. A relação deles segue o passo a passo de comédias românticas do gênero: se conhecem por acaso, uma das partes sente resistência, logo vem o encantamento, algo acontece e algo precisa ser sacrificado em nome do amor. A necessidade sedenta de encaixar cada cena num clichê faz com que o longa soe superficial. É claro, o emocional é bem carregado com cenas tristes, mas apostar na emoção não é fórmula de sucesso. Afinal, não é um filme publicitário.

Crítica | Depois do Universo 2
Com soluções fáceis e conflitos desnecessários, o longa fica empobrecido / Reprodução Netflix

Mas nem tudo é espinho nesse jardim. O personagem Yuri é o contrapeso, pois mesmo se encaixando no estereótipo de amigo gay legal, ele consegue trazer a graça e a leveza que falta em alguns momentos na produção. O beijo na chuva ou simplesmente ver o casal andando de bike são cenas que funcionam bem. Até porque o que está em voga é a transformação através da relação, Gabriel possui seus privilégios e o seu modo dele ver a vida consegue soprar um pouco de ar limpo em Nina que sempre vê o copo vazio, já que tem uma sentença de morte anunciada e desiste de lutar pelos sonhos. 

Um ponto de atenção para a obra é que ela brinca com nossos corações. Em um determinado momento achamos que algo de muito ruim vai acontecer e não acontece e infelizmente, o que achamos que vai acontecer se concretiza de uma forma totalmente inesperada e isso frustra o público que se emocionou com a formação do casal e acompanhou os momentos mais íntimos e complicados de Gabriel e Nina. Infelizmente, Depois do Universo busca de forma fácil capturar a emoção do espectador sem dar nada em troca e o pior… se torna genérico, pois A Cinco Passos de Você ou até mesmo Um Amor para Recordar aposta em outros elementos para se solidificar no gênero.

Para finalizar, a trilha sonora é bonita, principalmente, a canção composta e performada por Giulia Be. O trabalho de fotografia é bonito e combina muito com o estilo do longa. O trabalho de Kaue Zilli (“Cidade Invisível”) é competente. A atuação de Giulia Be tem algumas falhas e tudo bem, pois é o seu primeiro trabalho. Mas devo confessar que ela se mostra adorável, talentosa e tem potencial e faz um belo par com o bonitão Henry Zaga que encarna um verdadeiro príncipe da vida real. O elenco de apoio é carismático e são atores de peso para o filme. É compreensível o motivo do longa ter ficado bem ranqueado no catálogo da Netflix.

Resumo
Nota do Thunder Wave
critica-depois-do-universoCom conflitos desnecessários, soluções fáceis e o uso exagerado dos clichês, a trama ficou empobrecida. Porém, as atuações, a fotografia e a bela trilha sonora fazem com que o filme não seja totalmente descartável. Talvez seja pelos pontos positivos que os detalhes negativos pesam tanto. No mais, o longa da Netflix é bom, mas poderia ser melhor.

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