segunda-feira, 6, dezembro, 2021

Crítica | DRUK – Mais Uma Rodada

É possível ficar inspirado sem álcool? O novo longa de Vinterberg nos responde isso

O longa Druk – Mais Uma Rodada abre com uma baguncinha adolescente. Vemos um grupo de jovens participando de uma gincana alcoólica. A atividade consiste em correr ao redor de um lago carregando um engradado de cerveja. Durante o percurso, eles precisam beber e seguir as regras da brincadeira. Podemos ver que as cenas iniciais mostram o fio condutor da trama e nela a saída para o tédio. De tempos em tempos, eles devem entornar uma garrafa e seguir em frente até ganharem.

Crítica | DRUK - Mais Uma Rodada 1
“Druk”, longa dinamarquês, é um dos cotados a vencedor a categoria melhor filme estrangeiro / Reprodução

Após os minutos iniciais, vemos quatro homens na meia-idade, professores de uma mesma escola na Dinamarca, vivendo suas vidas sem muita empolgação – é a gente na pandemia, nada muito animador rs…- e depois podemos vê-los se esbaldando em doses e mais doses de absinto, vodca, uísque, vinho e tudo que tiver álcool. Mas essa bebedeira abre espaço para discutir como lidamos com o tédio e como vemos no álcool uma válvula de escape.

O longo é dirigido por Thomas Vinterberg, e percebemos que a construção da trama gira em torno desses quatro amigos que de certa forma estão em crise em suas vidas pessoais, estão desmotivados no trabalho e que se mantém na mesma vidinha pacata e sem movimento e depois que tomam conhecimento de uma pesquisa um tanto curiosa sobre o déficit de álcool que todos temos no sangue desde o nascimento e para suprir essa necessidade e testar essa teoria, eles decidem consumir bebidas diariamente e aumentam a dose para obter resultados concretos.

O filme caminha numa linha quase que invisível entre o drama e a comédia, o alerta do alto consumo alcoólico e suas consequências como a dependência, o uso leviano e a bebedeira por diversão, quase como uma reverencia ao álcool que se mostra como um meio que nos liberta, nos motiva, nos deixa mais a vontade. Com isso, podemos compreender que a obra reconhece que o álcool tem um potencial destrutivo no sentido de que pode matar e ferir, mas que também pode ser um condutor de felicidade. Logo, o álcool é uma ferramenta de finalidade ambígua.

Além de um roteiro bem amarrado que nos apresenta uma trama envolvente, o longa possui uma linda fotografia, uma trilha sonora maravilhosa e um elenco que passa verdade em suas atuações e todos esses atributos fazem com que o filme seja tão bom. Além disso, o sucesso de ‘Druk’ é notório, o longa integrou a seleção oficial do não realizado Festival de Cannes de 2020 e em outros prêmios bacanas como Globo de Ouro, concorrendo na categoria de melhor filme em língua estrangeira, também recebeu quatro indicações ao Bafta e sua indicação no Oscar.

Algo interessante é que a inspiração do filme é real. A ideia que o longa passa foi desenvolvida pelo psiquiatra norueguês Finn Skarderud, famoso em seu país de origem e após ter conhecimento dessa “pesquisa”, Vinterberg começou a desenhar o filme que mesmo de forma sútil e leve, nos faz pensar no nosso “eu” e como lidamos com as frustrações e o modo como decidimos nos livrar delas e para muita gente é o álcool que possibilita essa tomada de atitude.

Nota do Thunder Wave
É um longa muito bem feito, bem dirigido, com excelentes atuações, com uma trilha sonora muito bem escolhida e é um alivio para quem assiste, além de ser contemplativa. É um ótimo entretenimento para curtir numa noite de sexta-feira.

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