domingo, 19, setembro, 2021
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Crítica | Em Busca do Portal Mágico

Em Busca do Portal Mágico é um filme de fantasia interessante para se assistir com a família e quando terminar discutir um pouco sobre a falta de comunicação que existe entre adultos e crianças.

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Quando a quieta Monika se muda para a casa vizinha em sua fantasia de hula, David imediatamente faz amizade com ela. Ambos têm saudades de uma pessoa amada que os deixou e ambos têm um desejo secreto. O relógio mágico e o funil de tempo podem ajudá-los?

Em Busca do Portal Mágico é um filme Polonês de fantasia lançado originalmente em 2018 e que já está disponível nas plataformas de streaming. Sua história é bem simples onde seguimos Monika que chega a sua nova casa e conhece David.

Durante a história temos duas crianças cheias de imaginação e que devem lidar com suas perdas. Aqui é interessante observar como isso acontece, já que tanto David quanto Monika tiveram perdas importantes e impactantes em suas vidas.

E de formas iguais, mas distintas, os adultos resolveram tratar estas perdas de forma a simplesmente não lidarem com elas. Monika acaba por viver em fuga e temer perder a memória de sua avó para a bruxa, assim como David teme perder suas memórias de uma importante pessoa para ele (não será dado spoiler). Desta forma, os pais de David preferem apenas não falar sobre o assunto e deixá-lo no escuro e com sua imaginação que o acaba levando ao título em português, o Portal Mágico, que é um relógio onde vive um ser chamado “Pula Tempo” e outros seres que comem os dias que se foram, pois o futuro pode ser visto, mas o passado não pode ser modificado, porque ele já foi – literalmente – comido.

Já Monika também vive em um universo de imaginação, mas mais intimista e em eterna fuga em busca de como ir até sua avó no Hawaii. De início o longa, que é totalmente idêntico a animação A Viagem de Chihiro (2001) de Hayao Miyazaki, parece mostrar que Monika é a personagem principal, mas com o passar da trama vamos percebendo que a história é um pouco mais profunda do que realmente ela parece.

Infelizmente a comparação com A Viagem de Chihiro fica apenas nas partes bem iniciais e acaba por aí. Em Busca do Portal Mágico, que no original se chama Dzien czekolady (O Dia do Chocolate), acaba por ser uma aventura meio longa e até um pouco imprecisa, com o relógio sendo um personagem da trama, mas que acaba por perder seu sentido.

A linguagem de fantasia infantil meio que se perde com o excesso de fugas de Monika, que acaba por se tornar uma criança “chata” e com pais que não sabem lidar nem mesmo consigo mesmos. É visível no início do filme que existe um problema a ser discutido, com a mãe de Monika não querendo falar sobre a morte da avó, preferindo dizer que ela foi embora para o Hawaii e o pai querendo que sua filha saiba sobre a morte da avó e assim possa lidar logo com esta realidade e a esqueça de alguma forma e possa seguir em frente.

Só que esta discussão ficou apenas para algumas palavras e o real significado da avó fica apenas por Monika dançar Hula. E nesta parte é perdida uma sequência de apresentação com uma cultura familiar – hawaiana -, e dança que tinha muito a ser mostrada e traria uma empatia maior da personagem e sua convivência com sua avó.

Já David é um personagem mais simples com seu modo de aceitar o mundo e sem pressa de crescer, convivendo com sua gatinha que é mais do que parte integrante do filme. Aqui é uma contraposição interessante entre David e Monika, já que ela quer crescer e tem pressa de tudo, diferente de David que quer continuar sendo criança.

Para aqueles que conhecem a cultura hawaiana irão perceber o quanto Monika está perdendo os valores, que devem ter sido ensinados pela avó, pois os hawaianos não possuem pressa em seu modo de vida, sempre enfatizando que devemos viver o estilo do Hawaii, que é simplesmente “viver”.

Em Busca do Portal Mágico é um filme de fantasia interessante para se assistir com a família e quando terminar discutir um pouco sobre a falta de comunicação que existe entre adultos e crianças, principalmente por achar que elas não estão preparadas para alguns fatos da vida, que acaba por afastá-las ainda mais de seus pais e apenas achar que fugir e se tornar adulto, é a resposta para tudo.

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