sexta-feira, 12, agosto, 2022

Crítica | Emily In Paris 2ª Temporada

Na mesma semana do lançamento, Emily em Paris alcançou a lista dos dez programas de streaming mais assistidos em vários países do mundo

O ano de 2021 está com os dias contados e nos 45″ do segundo tempo, Emily In Paris volta à Netflix após polêmicas da primeira temporada. Temos boas e más considerações sobre a segunda temporada. Mas no geral, se você procura um entretenimento que não te faça pensar arduamente acerca de temas relevantes… a série é uma boa opção para encerrar o ano com chave de ouro.

Na primeira temporada, acompanhamos Emily (Lily Collins), uma americana de 20 e poucos anos, natural de Chicago, que se muda para Paris devido uma oportunidade de trabalho inesperada. Sua demanda é apresentar um ponto de vista americano a uma respeitável empresa de marketing francesa, Savoir. No entanto, as culturas entram em conflito enquanto ela tenta se adequar aos desafios da nova vida em Paris, equilibrando carreira, novas amizades e a complicada vida amorosa. É bem no final da temporada de 2020 que acompanhamos o triângulo amoroso entre Emily, Gabriel (Lucas Bravo) e Camille (Camille Razat) que é retomado na nova temporada, mas que não toma toda a história, apesar de persistir entre os 10 episódios.

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Emily in Paris' Season 2 Fashion: Designer Breakdown
Alguns personagens ficam em mais evidencia que outros, até Emily sai um pouco de cena / Reprodução Netflix

Parece que não, mas em parte, a produção em conjunto com os roteiristas ouviu um pouco das reclamações em relação a série. A sequência que estreou na plataforma da Netflix no dia 22 de dezembro, traz uma protagonista um tanto menos deslumbrada, um tanto mais focada, porém ainda muito superficial e imatura em alguns momentos.

Ponto interessantes

A sequência de Emily In Paris, não foca mais nesse momento inicial da chegada da moça a capital francesa. A essa altura, ela já está mais adaptada e já pegou um pouco o feeling de como as coisas funcionam. Deixando a vida “instagramável” um pouco de lado – aqui é dado mais relevância aos outros personagens que circulam dentro da trama -, vemos que ela ainda tem dificuldades com o idioma e é algo que ela tenta sanar voltando às aulas de nível A1. Neste momento, a série introduz dois personagens, uma moça de Kiev, na Ucrânia, e um bancário londrino em transição após o Brexit. Ambos são diferentes e suas vivências dão um ar mais real, fazendo com que o glamour fique um pouco de lado.  

Os personagens franceses falam mais francês entre si, o que dá mais enfoque a personagem Camille, fazendo com que Emily se sinta desconfortável – a vemos assim a todo momento -. Os lugares que ganham mais visibilidade são o cemitério de Père Lachaise (onde estão enterrados Edith Piaf, Chopin, Balzac, etc), La Place de Vosges (onde morou Victor Hugo), a Fontaine de Saint Michel, o Palácio de Versalhes, além de uma pequena ida à região de Côte-d’Azur, no sul da França.

Outro ponto alto da trama é o aproveitamento da cultura europeia que pode ser vista ao longo dos 10 episódios. Foi inteligente apostar na mescla de culturas, além de mostrar não só os traços contemporâneos, mas o lado clássico sem dar muito foco aos lugares mais comuns. O destaque dessa mistura é como os países europeus trabalham juntos e devido a essa dinâmica, a circulação de vários idiomas se faz presente como a presença de um fotógrafo holandês, um outro alemão e até alguns diálogos em italiano são pronunciados por Sylvie (Philippine Leroy-Beaulieu) que também ganha mais espaço e acompanhamos um pouco mais da sua vida pessoal.

Was Emily in Paris season 2 really filmed in Paris?
A personagem Mindy ganha mais espaço / Reprodução Netflix

A personagem Mindy Chen (Ashley Park) ganha mais camadas o que é super incrível, pois desde a primeira temporada percebe-se que ela tem potencial, mas que foi condicionada a ficar em stand by. Buscando se reposicionar na área da música, ela começa a cantar em bares, porém como não tem permissão de trabalho, se torna algo difícil até que ela se junta a uma dupla que toca nas ruas. Se apresentando em diversos lugares ao lado de Benôit (Kevin Dias) — um ótimo ator e uma inclusão incrível ao elenco —o destaque vai para uma das performances mais lindas onde cantam Falling Slowly, de Glen Hansard e Markéta Irglová, do filme Once – Apenas uma Vez (2008).

Pontos negativos

Infelizmente, os colegas de trabalho Luc (Bruno Gouery) e Julien (Samuel Arnold), no entanto, persistem na sombra, tal como o passado de Gabriel. A produção teve um grande avanço em âmbito cultural, mas a vida de Emily não avançou da mesma maneira. Aqui a protagonista não é aproveitada da forma como deveria e apesar dos looks espalhafatosos, ela não se mostra uma boa profissional – estranho ser exaltada como uma excepcional colaboradora, sendo que para cada mal-entendido o roteiro dá um jeitinho de facilitar -, e às situações embaraçosas envolvendo suas lideranças são mais bizarras ainda.

A questão aqui é bem simples: Emily In Paris (1 e 2) não é uma narrativa, é um produto marketing. A trama desempenha o “trabalho” diário de Emily, ou seja, tentar vender um produto, um sonho, um estilo de vida e neste pacote está incluso o romance com personagens que parecem modelos de capa de revista ou algum ator global, mas que trabalham como chef de cozinha ou num banco ou ainda uma escala de trabalho no qual vemos que a personagem entra e sai o horário que quer, onde pouco é mostrado da rotina dela sentada em frente ao notebook, desempenhando alguma demanda ou qualquer outra coisa relacionada ao trabalho de escritório.

Sendo uma empresa de marketing – lidando com campanhas e tudo o mais, cadê a gritaria, o stress, o tempo apertado para entregar os Jobs? Não vemos realismo nisso. Aqui, o luxo reina em forma de roupas de marca chiques, que combinam perfeitamente com belas e cristalinas taças de champagne à luz do dia. A série está preocupada em vender uma fantasia impossível de ser alcançada por grande parte dos espectadores, ao invés de mostrar de fato a história de uma jovem garota americana cheia de ambições pessoais vivendo em um país que não costuma receber estrangeiros (turistas ricos à parte) com tanta gentileza como é visto.

Emily In Paris | 2ª temporada ganha primeiras imagens oficiais e detalhes  da trama; Confira!
A Paris que Alfie enxerga não é o produto de marketing que Emily consome / Reprodução Netflix

Aqui essa visão marqueteira é analisada e passa a ter um viés mais realista com a chegada de Alfie (Lucien Laviscount), um britânico crítico à imagem parisiense. O personagem desconstrói o mito de que embora Paris seja vista como um lugar perfeito e romântico, não passa de um produto de marketing e falso quando consumido. Em uma passagem, ele relata que a sua cidade natal Londres é autêntica, ela não vende amor e encantamento, mas continua sendo um dos locais mais turísticos do mundo.

Pontos amenizados

A personagem de Lily Collins já está mais entrosada com a cultura na cidade luz, os clichês absurdos da primeira temporada que retratam os franceses como atrasados, preguiçosos, sujinhos e sexistas ficam mais atenuados. O alvo da segunda temporada são os americanos e fica mais evidente com a chegada de um cliente dos Estados Unidos ao escritório da Savoir. Aqui o ritmo de trabalho frenético full time não é bem visto. Outro ponto que acentua essas diferenças é a visita da chefe americana Madeline (Kate Walsh), a Paris, que também deixa explícita a falta de respeito e tato com a forma de trabalhar dos europeus. É nesse momento que a chavinha muda na cabeça de Emily, pois a jovem volta a sua essência de “bom soldado”, ou seja, apenas uma funcionária obediente.

Foi de propósito? Foi um pedido de desculpas para os franceses que odiaram a primeira temporada? Não sabemos, mas era previsto que em um momento ou outro devesse acontecer, pois a Emily da primeira temporada que era uma americana se adaptando em Paris já mudou sua visão, e isso a acompanha na evolução da série. O showrunner Darren Star tem como objetivo mostrar uma Emily sob um ponto de vista mais reflexivo e, talvez, um pouco mais real com a vida amorosa de cabeça para baixo e uma difícil decisão profissional a ser tomada, essa última ficando sob suspense ao fim do décimo episódio abrindo as portas para mais uma sequência.

Vale a pena seguir por mais uma temporada ao lado de Emily na capital francesa? Lily Collins é charmosa e carismática o suficiente para fisgar o público, porém a série não a permite fazer isso. Nem de longe a personagem se assemelha com a belíssima e icônica Carrie Bradshaw (Sex and the City). Além disso, no quesito enredo fica muito abaixo do esperado, pois moda, luxo, gente linda e famosa e muito romance já são tratados em obras como O Diabo Veste Prada (2006) que contam uma história e de uma forma real e com valor emocional o suficiente para levantar debates importantes na sociedade.

Nota do Thunder Wave
Repetindo um pouco dos desastres da primeira temporada, Emily In Paris avança um pouco na questão cultural e ao dar mais espaço e visibilidade para alguns personagens. Infelizmente, a série ainda é um “marketing produto” e não uma narrativa. Vender um sonho inalcançável e superficialidade baseada em luxo e champagne a luz do dia ainda num momento no qual muitas pessoas vivem em extrema pobreza é um desperdício de tempo, talento e dinheiro.

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