quinta-feira, 22, outubro, 2020
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Crítica | Enola Holmes e o caso do marquês desaparecido

A jovem Enola Holmes mostra que Sherlock não é o único detetive da família

Baseado no primeiro livro da série de seis obras de Os Mistérios de Enola Holmes, da autora americana Nancy Springer, inspirada, claro, na imortal criação de Arthur Conan Doyle. A produção intitulada Enola Holmes, dirigido por Harry Bradbeer, mais recentemente responsável por diversos episódios da série Fleabag, é, talvez, o castelinho de areia do audiovisual para Millie Bobby Brown esbanjar seu charme adolescente e sua total capacidade dramática muito bem sucedida em Stranger Things e agora em seu longa. É notavel a dedicação e esforço que Millie entrega em seus personagens e essa obra promete ser uma franquia de sucesso.

Enola Holmes” abre com 86% de aprovação no Rotten Tomatoes – Categoria Nerd
Millie Bobby Brown é Enola Holmes, a nova “possível” franquia da Netflix/ Reprodução

O roteiro de Jack Thorne (ExtraordinárioO Jardim Secreto) constrói uma história de auto-descoberta e amadurecimento que parte do desaparecimento de Eudoria Holmes (Helena Bonham Carter), mãe de Enola (e de Mycroft e Sherlock), que por algumas circunstâncias leva a jovem a fugir dos irmãos para investigar seu paradeiro. Nesse processo, ela salva a vida do jovem lorde Tewkesbury (Louis Partridge) que, coincidentemente, também está fugindo de sua família e ele se torna o primeiro caso investigativo de Enola, juntamente com o de sua mãe, em duas linhas narrativas que são temática, mas paralelas.

A personagem de Enola é bem construida e tem profundidade, mas seus irmão… As presenças de Henry Cavill como Sherlock e de Sam Caflin como Mycroft são necessárias para estabelecer o elo familiar, mas, logo em seguida, se tornam impedimentos para a continuidade história e, infelizmente, o roteiro insiste na presença dos irmãos – um investigando naquele estilo frio de sempre e o outro constantemente irritado com as ações inesperadas da irmã – ao longo de toda a história, o que só contribui para a duração (um pouco exagerada) do longa e por vezes até desperdiçando o tempo que poderia ser dedicado a mais para Enola, especialmente seu passado e sua relação muito próxima com a mãe.

⁠Sou uma detetive, sou uma decifradora, alguém que encontra almas perdidas. Minha vida é só minha. E o futuro depende de nós.

Um ponto negativo: excesso de didatismo. Por se tratar de um filme que tem como público jovem em sua maioria, o longa depende propositalmente e quase de forma abusiva de textos explicativos sobre a emancipação feminina, sobre a igualdade de gêneros e sobre a importância de ser independente, de procurar e trilhar o próprio destino. Qualquer pessoa minimamente bem informada (jornais, portais de informação, aulas de história, filosofia, etc), saberá compreender a mensagem e nisso, falta decoro ao roteiro que não sabe passar suas nobres e necessárias mensagens de maneira clara e natural no decorrer da narrativa. Nos deparamos com mais uma produção que subestima a juventude que a própria mensagem da história “diz” ser independente.

Bradbeer, por seu turno, faz uso de todos os artifícios que um cineasta pode e quer usar para agradar universalmente e carrega o longa de elementos como quebra da quarta parede (refere-se a uma personagem dirigindo a sua atenção para a plateia), flashbacks iluminadores e montagens para reconstruir a percepção de Enola. Sem dúvida são clichês narrativos simpáticos e eles funcionam no inicio, mas depois se torna uma “muleta”. É como se o diretor não confiasse na capacidade de Brown que encanta e interpreta muito bem.

Contudo, quando o cineasta decide deixar nas mão de Brown, mantendo a câmera nela por mais do que 10 segundos, ela mostra que consegue muito facilmente carregar o filme nas costas, mostrando-se realmente independente e encantadora como sua personagem. Além disso, há uma boa química entre ela e Partridge que, mesmo com presença limitada em tela, faz bonito. E contando com a presença adulta no longa, faz com que o filme ande. A presença que contextualiza, de Bonham Carter, de certa forma, ajuda a dar mais entendimento e mistério ao longa.

⁠Eu não podia suportar que este mundo fosse o seu futuro. Então tive que lutar. Você precisa fazer barulho se quiser ser ouvida.

A personagem de Helena Bonham Carter, que tem poucas aparições, porém muito IMPORTANTES. Eudoria Holmes acaba servindo como uma alter ego de Enola em diversas cenas da obra, tanto nas cenas de ação mostrando ao espectador como a protagonista adquiriu suas habilidades de combate e em cenas mais sentimentais, que uma rápida aparição da personagem já se torna suficiente. Mas é só no final que Bonham Carter aparece e interage diretamente com Enola, tendo um breve diálogo e justificando seu desaparecimento com fins políticos e sociais. É o #girlpower do mundo investigativo de Holmes.

Existe uma preocupação e um grande investimento na direção de arte, com figurinos e cenários de época variados e da mais alta qualidade que ajudam muito na imersão, mesmo que por vezes os establishing shots em computação gráfica faça o espectador acordar da “realidade fake”. Mas a Londres do filme é viva e bonita e Enola, apesar de ser essencialmente uma “jeca”, adapta-se com velocidade à vida urbana, aprende rápido, algo que temos que aceitar como uma conveniência, mas que o roteiro poderia ter se aproveitado melhor do tempo perdido com os outros Holmes, em especial, ao perdido Sherlock (Robert teria sido uma escolha mais assertiva).

Enola Holmes mostra de fato o potencial de Millie Bobby Brown que é capaz de divertir sem compromisso. Claro que esperávamos muito mais e faltou mais ousadia do roteiro que se mirasse mais alto, não quisesse pegar na mão do espectador o tempo todo para explicar cada um de seus pontos e se a direção realmente deixasse a protagonista caminhar sozinha por mais tempo, teria sido uma super produção. Esperamos que no próximo capítulo das aventuras da irmã mais nova de Sherlock e Mycroft, ela seja, de fato, a estrela guia do longa.

Nota Thunder Wave
Enola Holmes não inova, mas diverte e acumula pontos positivos em diversos aspectos da trama, tornando a experiência gostosa e interessante. O charme de Bobby Brown conquista e assim ela não é só a garota de "Stranger Things", ela é muito mais.

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