domingo, 5, dezembro, 2021

Crítica | Entre Beijos e Tiros

Nem a narração enfadonha do encantador Billy Crudup conseguiu dar um pouco de vida a bagunça desnecessária que é "Die in a Gunfight"

Estamos acostumados a ver muitas adaptações de histórias famosas como Cinderela ou O Rei Leão, além de outros clássicos como Romeu e Julieta. O novo lançamento da Califórnia Films aposta no clássico Romeu e Julieta com uma pegada mais atual e debochada. É um longa que mescla romance com ação e um pouco de comédia. O resultado visto em tela poderia ter sido melhor do que o que foi entregue. A proposta é ser atual, mas não funcionou aqui.

A história base para o longa é a de Romeu e Julieta, uma tragédia escrita entre 1591 e 1595, nos primórdios da carreira literária de William Shakespeare, sobre dois adolescentes cuja morte acaba unindo suas famílias, outrora em pé de guerra. Porém, a produção encaixou a história clássica de forma mal feita. Somos apresentados ao personagem Ben Gibbon, interpretado por Diego Boneta (Meninas Malvadas 2), que é um rapaz problemático que se envolve em brigas desnecessárias para provar que é um anarquista, um fora da lei – às vezes, parece que é só para afrontar as pessoas ao seu redor. E a situação fica pior quando Mary, interpretada por Alexandra Daddario (Percy Jackson), é forçada a ir para um colégio interno na França. Assim como o boy problema, ela também está fora dos padrões e também é uma desajustada. Ambos de famílias ricas, porém incompreendidos e proibidos de se amarem devido a rixa que existe entre seus pais.

aqui-tem-diversao-entre-beijos-e-tiros | AQUI TEM DIVERSÃO
Emmanuelle Chriqui e Travis Fimmel interpretam um casal que parecem mais uma coleção de peculiaridades destinadas a nos chocar do que pessoas reais / Reprodução California Films

A estética do longa não é ruim e podemos ver que o longa em sua maior parte concentra cenas noturnas com direito a luzes coloridas e entrega um efeito legal. Além disso, a trama mescla sequências animadas com live action e não é um recurso ruim, mas a montagem não soube como amarrar a produção, pois o longa tem boas cenas e boas sequências, mas o seu início é chato. Outro detalhe que pesou um pouco foi a narração em off que poderia ter sido aproveitado de uma outra forma e usado com mais parcimônia é enfadonha e conta mais detalhes do que deveria. Billy Crudup fez um trabalho ruim como narrador.

Em Entre Beijos e Tiros, as atuações são básicas e nenhuma chega a ser tão impressionante. A dupla de protagonistas não entregam seus melhores papéis e deixam a desejar no quesito química. Por ser um amor proibido, falta paixão, faísca, falta o querer e a vontade impetuosa de amar, mas eles parecem entediados um com o outro. Inclusive, foi adicionado um triangulo amorosos envolvendo o casal de protagonistas e o vilão que é caricato e chega a ser ridículo. É muita tensão e gritaria o tempo todo e sem uma justificativa plausível que convença o espectador. A cena mais bizarra é quando ele está num clube e apanha de um cara que o chama de coelhinho. Francamente, né??? O melhor amigo de Ben, Makul, tem uma vibe legal, mas mal desenvolvido e fora que fala pouco. Os pais de Mary e Ben são um time de patetas, as mulheres não se impõem e os homens são toscos em todos os sentidos. A trilha sonora também é fraca e não emociona. 

Die in a Gunfight movie review (2021) | Roger Ebert
O casamento entre Ben e Mary tem um final trágico / Reprodução California Films

Esperava-se mais da produção que poderia ter desconstruído valores arcaicos acerca do que foi apresentado na história original de Shakespeare. O roteiro não consegue vender a história que poderia ter tido um desenvolvimento mais harmonioso e satisfatório. É interessante reviver histórias clássicas com uma pegada mais atual, porém o conjunto arquitetônico da obra é um fiasco. A propósito, a direção parece ter fetiche por tela dividida  e letras em caixa alta, pois abusou muito desses artifícios que não enriqueceram a trama.

Mas se o objetivo é assistir algo que não te faça pensar muito, apenas pelo critério de se divertir, é uma boa pedida já que não busca discutir muito os assuntos. Algo interessante que poderia ter sido desenvolvido é a questão da confidencialidade de dados pessoais, mas o longa inseriu a subtrama e depois esqueceu dela. 

Com direção de Collin Schiffli, Entre Beijos e Tiros, traz no elenco Alexandra Daddario, Diego Boneta e Travis Fimmel, disponível nas plataformas Claro Now, iTunes/Apple Tv, Google Play, Amazon Prime, Vivo Play e Sky Play a partir do dia 12 de novembro.

Nota do Thunder Wave
Com narração enfadonha, protagonistas chatos, roteiro mal amarrado, direção desequilibrada.... quase nada pode ser dito de positivo. Mas se você busca algo para desbaratinar o dia, é uma boa pedida que não requer muita reflexão.

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