domingo, 5, dezembro, 2021

Crítica | Galeria Futuro

Filme com Marcelo Serrado, Otávio Muller, Ailton Graça e Luciana Paes estreia no dia 18 de novembro

Já parou para refletir que muito do entretenimento que consumimos nem sempre fazemos uma escolha que envolva alguma produção brasileira? Alguns gêneros como a comédia brasileira tem um histórico de amor e ódio. Amor por parte dos espectadores e ódio por parte de alguns especialistas que nem sempre valorizam algo nacional. Mas algumas produções quando bem desenvolvidas e que entregam o que prometem… são capazes de fazer sucesso até com quem não curte pegar um cineminha.

No entanto, o longa Galeria Futuro é uma comédia que entrega uma boa produção e o fato de criar uma rápida conexão com o público é algo marcante e muito interessante. Os diretores da trama, Fernando Sanches e Afonso Poyart souberam como entregar uma obra com personagens que podemos encontrar semelhanças ainda mais no atual contexto do nosso país e o mais legal é que não desdenham do espectador.

O longa Galeria Futuro narra a história de um grupo de amigos formados por Valentim (Marcelo Serrado), Kodak (Otávio Müller) e Eddie (Aílton Graça). Os três amigos cresceram nesse prédio com diversas lojas, situado em Copacabana, no Rio de Janeiro. Porém, com o passar do tempo, a tecnologia foi evoluindo, o que antes era cheio de clientes e lojas, hoje deu lugar a um local vazio e estabelecimentos fechando devido ao acúmulo de dívidas e, por isso, o espaço precisa ser vendido. Na tentativa de impedir a venda, o trio se junta a Paula (Luciana Paes), uma ex-participante de reality show que acaba de abrir um salão na galeria, e eles começam uma empreitada um pouco arriscada: começam a vender uma nova droga que foi encontrada pelo grupo no estúdio de fotografia de Kodak. Agora o problema que antes se restringia apenas a venda do prédio se torna maior, pois o chefe do crime local não gostou do sucesso que a substância vendida por eles começou a fazer e vai atrás deles.

Crítica | Galeria Futuro 1
Elenco de peso que interagiu muito bem / Reprodução H2O Filmes

Algo muito interessante é que mesmo sendo uma comédia brasileira, os diretores do longa, Fernando Sanches e Afonso Poyart, inseriram muitas referências à cultura pop e a grandes obras do cinema como os clássicos “O Poderoso Chefão”, “Matrix”, “Esqueceram de Mim” e “Kill Bill” são homenageados e servem de inspiração para o filme. Além disso, em tela podemos ver recursos como ver mostrar mensagens, reprodução de lives e até imaginar viagens alucinógenas provocadas pelo uso de drogas. O uso desses recursos ficou bem atrativo e interessante mostrando que a direção soube como fazer o “arroz e feijão” bem feito e inovou a fórmula do gênero.

Embora seja uma narrativa muito legal, com atores incríveis, boas atuações e uma direção preocupada em entregar um produto, uma obra de qualidade… vemos um erro que comumente se repete com o roteiro, pois o mesmo não tem um desenvolvimento coeso e quando checamos a ficha técnica da produção, identificamos que o longa foi escrito por mais pessoas além do diretor (outros roteiristas Fernando Sanches, Matheus de Souza, Pablo Padilla, Cristiano Gualda e Bia Crespo também assinam a história). Sentimos que na harmonia de cada ato e fica uma ponta solta, falta uma transição carinhosa e equilibrada. 

Para exemplificar essa falta de coesão é a inclusão do vilão com mais de uma hora de filme apresentado e a partir daí, o longa corre como se estivesse numa maratona. E a proposta é realmente essa, ser um longa ágil e vemos isso pelos recursos usados na edição, mas percebemos que isso “esconde” um roteiro falho, mal desenvolvido e pouco trabalhado.

Crítica | Galeria Futuro 2
Marcelo Serrado e Milhem Cortaz arrasaram em suas interpretações / Reprodução H20 Filmes

Um dos pontos positivos são as atuações. Os atores conseguem trabalhar de modo assertivo com o que lhes fora proposto e cada personagem tem um peculiaridade, todos são engraçados, carismáticos e a química entre eles é real, transmite veracidade e gera empatia por quem assiste. Algo interessante é a amizade genuína que sentimos entre Marcelo Serrado, Otávio Müller e Aílton Graça parece muito genuína e verdadeira. Os personagens deles se recusam a aceitar a modernidade que vem com a tecnologia e parecem presos no passado. Luciana Paes, também faz uma personagem hilária, com bons momentos e traz um frescor que eles precisavam. Está aqui um vilão que faz jus ao papel! Milhem Cortaz soube ser sarcástico, caricato, divertido e malvado na medida certa com seu Mesbla. Algumas das melhores cenas do longa são dele e teria sido mais assertivo se a direção tivesse dado mais tempo de tela para ele.

Por fim, Galeria Futuro é um longa que fala sobre essa vontade de permanecer no passado, porém mudar e evoluir é bom e os personagens não percebem isso até o fim do filme. Porém, o longa não soube como acertar a ideia de aceitar as mudanças que vieram com o tempo. Apesar de alguns pontos fracos, o longa consegue conversar com qualquer faixa etária que se permita conectar com o filme. É entretenimento certo para qualquer amante de cinema e comédia.

Nota do Thunder Wave
Bons personagens, elenco de peso incrível, direção ousada e trilha sonora interessante. uma pena o roteiro ter sido mal trabalho e pouco desenvolvido. É uma comédia brasileira que se conecta facilmente com o espectador e garante boas risadas. Vale a pena.

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