Falar dessa série é cair no clichê e rasgar seda real para a produção, pois desde que foi lançada e inserida no catálogo da Netflix, a premissa chamou muito a minha atenção e pude ver que o objetivo da série não era em momento algum, levantar bandeiras de acusações nem enfatizar que a religião cristã protestante é a melhor para ser praticada.

Polêmica e muito bem escrita e produzida, Greenleaf chegou em sua segunda temporada repleta de jogos psicológicos e dando de fato, o início da guerra entre Grace (Merle Dandridge) e seu tio Mac (Gregory Alan Williams). Quem acompanhou a primeira temporada, viu que o copo transbordou a partir do memorial à Faith Greenleaf (Terri Abney), a filha caçula da família episcopal que fora abusada e violentada sexualmente pelo tio Mac e não aguentando a pressão psicológica, cometeu suicídio.

A partir daí, Grace começa uma investigação por conta própria fazendo com que sua relação com sua família chegasse ao extremo e em como se isso não fosse o suficiente, decidiu ficar em Memphis, sua cidade natal e lidar com questões do passado e com o recém-assumido cargo de pastora na igreja de seu pai.

Antes de ir embora para Nova Iorque, Grace era conhecida por seus sermões dominicais fervorosos e isso fazia com que fiéis de toda a cidade, escolhessem a Calvary Fellowship para comungarem suas respectivas fé. Ao retornar, encontrou sua família imersa em interesses econômicos, visando a exploração da fé alheia e enriquecendo “às custas das ofertas”.

Leia – Crítica: Greenleaf – 1ª Temporada

Pois bem, o plot twist proposital no último capitulo da primeira temporada, fez com que diversas pessoas ficassem bem curiosas para saber o que iria acontecer dali em diante. Após inúmeras informações de datas incorretas para a estreia da segunda temporada, finalmente a partir do último dia 1º de novembro, podemos dar continuidade a essa história incrível.

Além do fechamento da trama Grace versus Mac – inclusive, algo terrível acontece no nono episódio da série -, a grande questão que ficou em pauta na temporada atual, foi como as igrejas protestantes enxergam a homossexualidade e como lidar com os homossexuais dentro dessas mesmas igrejas.

Recentemente, vivemos no Brasil um retrocesso no que se refere a homossexualidade. Uma liminar judicial intitulada “cura gay”, gerou comoção e uma grande revolta nas redes sociais por toda a comunidade LGBT, bem como os simpatizantes e militantes da causa. Como se soubessem o que iriam acontecer, o tema cura gay foi retratado de uma maneira bem simples, nua e crua na série, como em todos os temas que a série aborda.

A atriz Lynn Whitfield interpreta Lady Mae Greenleaf na série Greenleaf | Foto/Reprodução: OWN/Oprah

A disputa pelo poder do evangelho, também foi outro tema que foi abordado. Duas grandes, fortes e imponentes igrejas, disputaram as atenções da comunidade local – tudo por conta de um acerto de contas entre o pastor Basie Skanks (Jason Dirden), da Triumph Church e o bispo James Greenleaf (Keith David). Um verdadeiro jogo de interesses.

Vício de jogo, relacionamento abusivo e violência contra a mulher adolescente, também foram abordados de maneira simples e objetiva, sem dar muitas voltas, como quem dissesse: “é isso, acontece dessa forma e cabe entender“. Divórcio, retorno da mulher ao mercado de trabalho e uma linda reconciliação entre mãe e filha, acontecem.

A série dá uma reviravolta a partir do tal acontecimento no nono episódio, que vale a pena entender bem e prestar atenção nos pequenos detalhes. O castelo dos Greenleaf começa a desmoronar aos poucos e é bem interessante acompanhar as perdas da família episcopal. E é melhor parar por aqui, ou então, alguma informação importante pode escapar.

Merle Dandridge como Grace Greenleaf em um de seus sermões fervorosos na Calvary | Foto/Reprodução: OWN/Oprah

Entrementes, a série agradou. Não foi como a primeira temporada – a segunda veio repleta de ações consequentes da primeira temporada e para que ela dê essa virada na trama, é de suma importância que o “marasmo” se faça presente.

Quem acompanhar a temporada 2, vai estranhar um pouco a não presença dos plot twists, que na temporada 1 se fez presente em todos os episódios, mas atualmente, vemos uma série mais densa, mais bem estruturada, com diálogos mais profundos, exatamente como deveria ser – repito: até chegar ao nono capítulo e a trama dar uma reviravolta merecida.

Ah, tem elenco novo na série, viu? São de extrema importância para o desenvolvimento da temporada. Um dos nomes é a atriz e cantora LeToya Luckett, ex-integrante do grupo Destiny’s Child e que atuou no filme A Filha do Pastor – e aqui vai uma curiosidade: O ator Gregory Alan Williams fez o pai de LeToya no filme citado acima, mas na série, eles não contracenam juntos. Uma pena, porque seria bem interessante rever esse reencontro.

Como já foi falado, o objetivo da série não e denegrir a religião cristã protestante nem fazer com que bandeiras sejam levantadas. Craig Wright, o criador da série, já deixou bem claro em diversas entrevistas que a série é um retrato da mais pura realidade e não é pelo fato dos protagonistas serem de uma religião X, que coisas desse tipo não devem acontecer.

O ator Keith Davis e a atriz LeToya Luckett em uma das cenas da segunda temporada de Greenleaf | Foto/Reprodução: OWN/Oprah

A série existe e está disponível para ser assistida a qualquer momento, mas não é qualquer pessoa que está apta a acompanhá-la. É preciso uma maturidade mental, uma certa frieza e compreensão e de fato entender, que se trata de uma obra de ficção e que que qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real, terá sido mera coincidência.

Oprah Winfrey assina a produção da série juntamente com Craig, o criador. Aliás, desde a estreia no OWN, nos Estados Unidos, a audiência é avassaladora e tem rendido bons frutos para a emissora de Oprah, que tem por finalidade, o enaltecimento de atores e atrizes negros com um “Q” de empoderamento feminino. A trilha sonora dispensa comentários, tão linda quanto a fotografia, figurino e a cenografia.

A série já foi renovada para a terceira temporada nos EUA e deve chegar aqui no Brasil, para o ano que vem – ainda sem data definida. O presidente da emissora, Erik Logan, se mostrou bem animado com o rumo em que a série vem tomando ao longo de duas temporadas. “Nós mal podemos esperar para ver o que a próxima temporada de Greenleaf trará“, disse Logan. “Esta série foi fundamental na evolução da programação de scripts da emissora e continua a atrair espectadores a cada semana com sua narrativa e personagens únicos“, comemorou.

A segunda temporada de Greenleaf já está disponível no catálogo da Netflix, bem como a primeira e nada mal fazer aquela maratona de duas temporadas inteirinhas. Você não vai nem perceber as horas passarem, afinal, “Deus é bom em todo o tempo, em todo o tempo Deus é bom” – entendedores entenderão.

Veredito
Nota do Thunder Wave
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14 COMENTÁRIOS

  1. É um absurdo a maneira como essa temporadahumilha o povo Cristão assistí a primeira temporada mas não ví nada de acrescimo a vida espiritual pelo contrario se eu não tivesse uma base sólidana fé não rtetornaria a igreja. Graças a Deus percebí a forma descabida como o inimigo nos odeia.Estou feliz porque não abalou minha fé pelo contrario só aumentou.

    • Olá, Maria, tudo bem?
      Greenleaf é uma obra de ficção e toda e qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real, terá sido mera coincidência. O objetivo do seriado, não é denegrir a imagem de nenhuma instituição religiosa, tampouco a fé dessas pessoas. Apenas mostra o que pode acontecer com qualquer pessoa em qualquer lugar, independente de sua fé, religião, cor, gênero, etc.

      Obrigado por seu comentário, viu?
      Grande abraço! 🙂

    • Oi Fabiana, como vai?
      O ritmo da segunda temporada é bem proposital, porque justifica o que ocorreu na primeira, aprofunda melhor os acontecimentos e meio que prepara o público para a terceira temporada. As coisas começam a melhorar quase chegando no final da temporada,meio que o ritmo da primeira, retoma. Espero que tenha prestado atenção nos mínimos detalhes e nos diálogos, expressões e em outros temas abordados. É de suma importância para o desenvolvimento do seriado.

      Obrigado por seu comentário, viu?
      Feliz 2018. 🙂

    • Olá Shirley, tudo bem?
      Então, foi impressão sua. Charity sempre esteve grávida de apenas um filho. O que aconteceu, de fato, é que ela sempre tentou e nunca conseguiu engravidar. Só após um tratamento que ela e o marido fizeram, foi que ela conseguiu engravidar. Logo, a primeira gestação foi o primeiro filho.

      Obrigado por seu comentário! 😉

      • Na 1º temporada episódio 5 la pra 17:45 quando vão anunciar a gravidez eles falam que irão ter gêmeos, e em outros ep depois tbm, então isso fica confuso, e quando o kevin abre a porta do quarto vê 2 berços, o pessoal parabeniza pelos gêmeos, tbm fiquei nessa duvida o que aconteceu com o outro bebe?

  2. Sendo do meio evangélico e tendo nascido e sido criado numa igreja protestante tradicional, confirmo tudo o que a série mostra. Emocionou-me muito e me fortaleceu ainda mais a fé em Jesus Cristo. Ela mostra gente de carne e osso que passa por tudo o que a vida promove, independente de seu caminho espiritual. E, no meu entender, a série exalta, sim, a distinção na vida daqueles que escolhem o caminho cristão. Mesmo em apuros e apupos, os personagens oram, perseveram e alcançam as graças através da paz que excede todo o entendimento humano. E os autores, produtores, atores e profissionais idealizadores da série, certamente, possuem fortes referências cristãs protestantes para um desempenho tão pleno. Quem vivenciou, como membro, uma igreja evangélica e viu esta perspectiva se agigantar no Brasil, terá uma acuidade mais profunda para uma avaliação que, naturalmente, será mais elevada. E não generalizemos: existem, sim, muitas igrejas bem parecidas com aquelas retratadas na série. Bem como, há igrejas com uma distinção muito pontual em suas histórias e práticas. Contudo, sem exceção, TODAS passam por desafios muito semelhantes aos apresentados em Greenleaf. Igrejas sempre serão ambientes frequentados por pessoas com demandas elevadas por perdão envolvendo suas vidas egressas. Foi para isto que Jesus Cristo esteve aqui. Ele veio para quem mais precisa. Não sejamos hipócritas, irmãos evangélicos: a série é muito realista! E nos orienta para uma passagem da Escritura Sagrada, a Bíblia, que nos conclama a vigiarmos e orarmos para não cairmos em tentação. Os sermões, os cânticos, as orações, os cultos, os personagens, as práticas religiosas, enfim, tudo muito bem retratado. O grande trunfo da série está em tratar da diferença entre a religiosidade dos cânones e a espiritualidade espontânea presente na maioria dos fiéis que frequentam as igrejas cristãs. Bonita e humilde, a série mostra a humanidade das pessoas de fé. Atributo este (humanidade), que Deus construiu à Sua imagem e semelhança. Portanto, quanto mais humanos e disponíveis ao Santo Espírito, mais cristãos, em essência, nós nos tornamos.

  3. Estou termInando de assisti a duas. Temporadas ,e nem acredito que alguem conseguiu retratar com tanto prisma detalhes de palavras gestos attitudes com tanto potencial e fervor admiro a esritora e elenco que representacao as cenas pareceiam reais e em momentos que pareceiam me transportarbpara aquele universo boa ficcao muito boa sou evangelica e sei desta realidade entao na dificuldade de comprenssao para muito seja ver isso sends abordado com Tamanha discricao ,e creio se o autor queria ou intentionou algo pode Serb ele atingiu muito Mais ,para escrever com tanto. Dominio conteudo devemos elegiac e apreciar repensamos nosso principio e valores de contribuicao para humanidade .

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