Desde que Greenleaf estreou no catálogo da Netflix Brasil, a série arrebatou a atenção e também, a predileção da audiência. Já de cara, a premissa da trama instiga e prende quem resolve dar uma chance ao programa que desde 2016, revelou novos talentos e já consagrou atores e atrizes veteranos do teatro, cinema e trabalhos independentes.

Originalmente produzida e exibida pelo OWN, nos Estados Unidos, a emissora de Oprah Winfrey tem como principal propósito, divulgar e enaltecer o talento de atores e atrizes negros – aliás, 99% de toda a equipe do canal de Oprah, é composta por negros e negras. E não apenas isso. Oprah é feminista e isso faz com que o empoderamento e o protagonismo femininos, estejam latentes nas produções de seu canal, bem como, em sua dia a dia.

O novo ano de Greenleaf veio recheado de emoções e reviravoltas, mostrando os desdobramentos do ano anterior e fazendo com que a trama seja levada a um outro nível e também, cada vez mais, fechando o cerco em Grace (Merle Dandridge), sendo uma das protagonistas femininas de maior importância dentro da trama – e isso nem é pelo fato dela ser a personagem principal.

O ator Keith David e a atriz LeToya Luckett, como James Greenleaf e Rochelle Cross, respectivamente, em uma importante cena da terceira temporada de ‘Greenleaf’ | Foto/Reprodução: OWN

Como vimos no final da segunda temporada, o casamento de Lady Mae (Lynn Whitfield) e do bispo James Greenleaf (Keith David), tremeu na base quando na vida e na igreja da família episcopal, apareceu Rochelle Cross (LeToya Luckett), uma administradora de empresas e profissional de finanças que resolve acolher o bispo no auge de sua crise conjugal, fazendo com que tudo desmorone.

Além do casamento, os negócios dos Greenleaf, que gira em torno da Calvary Fellowship Church (Igreja Irmandade do Calvário), também começa a ir mal das pernas. Com uma dívida gigantesca, a instituição religiosa caiu na malha fina da receita federal e precisa arcar com as despesas. Fruto da má administração de Robert ‘Mac’ McCready (Gregory Alan Williams), que como herança póstuma, deixou à sua família, um belo de um abacaxi para ser descascado.

Toda a igreja, é sabedora da crise conjugal dos Greenleaf e com a notícia do divórcio, há também, uma preocupação com o futuro espiritual e financeiro que a Calvary pode oferecer a seus membros. Em contrapartida, Lady Mae revisita sua amiga de juventude, a pastora Maxine Patterson, interpretada brilhantemente pela veterana e premiadíssima cantora e atriz, Patti LaBelle. Sua participação na temporada, resume-se em três ou quatro episódios, mas a mesma rouba a cena com seu talento e brilho.

As atrizes Lynn Whitfield e Patti LaBelle | Foto/Reprodução: OWN

É notório que a amizade entre Mae e Maxine, continua tão forte quanto o tempo que as separaram. A química entre as atrizes, é perfeita e uma complementa a outra. A impressão é que LaBelle e Lynn, são amigas há séculos e que a amizade entre as atrizes, ultrapassou e resvalou em suas atuações, no programa.

Outra trama superimportante que é abordada no terceiro ano de Greenleaf, provém do ano anterior: a violência doméstica. Em um determinado momento, Zora (Lovie Simone) resolve seguir seus instintos e o resultado não é tão positivo quando achou que seria. Antes disso, como forma de discipliná-la por seu mau comportamento, seus pais, Jacob (Lamman Rucker) e Kerissa (Kim Hawthorne), optam por dar a ela, um tratamento mais rígido e o resultado disso é bem chocante – não a ação, em si, mas a forma como Zoe lida com a família, seus desejos e tudo o mais.

A fé é novamente assunto na terceira temporada do programa. Sophia (Desiree Ross), é acometida por um problema de saúde e traz a ela, uma determinada consequência e o questionamento sobre a existência de Deus, Seu livramento, cura e afins, retorna como pauta para esse momento em que a personagem vive. Chega a uma similaridade com a vida real de nós, meros mortais.

Da esquerda para a direita: as atrizes Debora Joy Winans, Merle Dandridge e Lynn Whitfield em uma cena de final de temporada | Foto/Reprodução: OWN

Craig Wright, o criador da série, continua em seu cargo de showrunner e retorna a escrever e dirigir alguns episódios da atual temporada, funções essas que acumula/desempenha maravilhosamente bem. Seus episódios, escritos e/ou dirigidos, é de um dinamismo puro e os quarenta e poucos minutos, passam voando. Oprah não retorna com sua incrível atuação na pele de Mavis McCready, sua atuação é por detrás das câmeras, nos bastidores, como produtora executiva do seriado.

Como nem tudo são flores, há também as partes não tão legais da temporada, como por exemplo, o relacionamento de Grace e Darrius Nash (Rick Fox). Parece que os roteiristas focaram nos problemas conjugais e divisão de bens do casal Greenleaf, que fez com que a vida sentimental da protagonista, ficasse em segundo plano. Apesar de Nash ser bastante útil à namorada em determinado momento da trama.

Outro dilema que foi levado “nas coxas”, foram os adventos do divórcio de Charity (Deborah Joy Winans) e Kevin (Tye White). Não houve um aprofundamento nesse núcleo. O que a série mostrou, foi uma Charity desequilibrada; dependente de remédios e calmantes; bêbada, a ponto de desencadear o alcoolismo; uma mulher desesperada por um homem, a fim de refazer sua vida sentimental; uma mãe um tanto quanto desnaturada, que resolve fugir com o filho para que o mesmo não ficasse com o pai, que agora, vive um relacionamento homoafetivo com o advogado Aaron Jeffries (William H. Bryant).

A atriz Lynn Whitfield | Foto/Reprodução: OWN

É claro que tudo isso, foi consequência do peso de um divórcio repentino e de como Charity lidara com todos esses problemas. Mas não houve um início, uma historinha, um foco nesse problema. Os roteiristas trataram disso como se fosse um preenchimento de lacuna, simplesmente porque precisava tratar do assunto e ponto final. Eu gostaria muito de ter visto com mais afinco, o início, o durante e o fim do período de depressão, que como num estalar de dedos, tudo findou.

As atrizes Lynn Whitfield e Merle Dandridge como Lady Mae Greenleaf e Grace Greenleaf, respectivamente, em uma das cenas finais da 3ª temporada | Foto/Reprodução: OWN

Na trama de Kevin e Aaron, também não houve avanço. Esperava-se uma cena de beijo, afeto, de Kevin se readaptando a sua nova vida de casado, como o mesmo estaria lidando com sua homossexualidade, que há tanto fora reprimida, etc. Aliás, o ator mal aparece na temporada e não ganhou cenas de destaque. Uma pena, pois desde o início, o dilema “Kevin versus homossexualidade”, daria um belo pano para a manga.

Um grande segredo é levado para o final da temporada, que possui um desfecho surpreendente, com direito a uma pesada intervenção do FBI. É impossível assistir e não se comover e reagir mediante às cenas, que diga-se de passagem, foram muito bem dirigidas. Aliás, é por causa desse grande segredo, que um novo rumo em Greenleaf, será tomado a partir do próximo ano e que infelizmente, precisaremos esperar até que a Netflix atualize seu catálogo com a quarta temporada.

É melhor encerrar por aqui, ou então, spoilers poderão surgir e comprometer sua experiência de maratonar a série. Aliás, essa terceira temporada, está digna de ser maratonada em pouquíssimo tempo. A série agradou e deixa gosto de quero mais. Eu mal posso esperar o próximo ano de Greenleaf para finalmente, ver Grace colocar todo o seu dom e talento de gerir uma igreja e através de seus sermões calorosos, retomar o que é dos Greenleaf por direito.

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