Crítica | Guardiões da Galáxia Vol. 3

O tema "família" foi importante para a consagração e sucesso do longa que chega aos cinemas brasileiros no dia 04 de maio

Foi lá em 2014, que Guardiões da Galáxia chegou aos cinemas como o rejeitado da Marvel Studios. Pelos trailers e toda a promoção feita, era uma produção estranha e a crítica especializada não se mostrou tão empolgada. Mas aquilo que causou tanto burburinho, se tornou um dos grandes sucessos do estúdio e chega, agora, ao terceiro filme com um encerramento gigante para a franquia.

Foram seis anos entre o segundo e o terceiro filme da trilogia. Infelizmente, a franquia enfrentou alguns obstáculos que foram além da pandemia de Covid-19 que paralisou muitas produções, como a demissão do diretor e também roteirista, James Gunn, depois de tuítes de sua autoria terem sido resgatados.

O seu desligamento aconteceu em 2018 e enquanto estava fora da Disney e Marvel Studios, Gunn foi trabalhar para a DC Comics e lançou O Esquadrão Suicida em 2021 e a série Pacificador, da HBO Max, que foi muito bem recebida pela imprensa e pelo público. 
Mas Guardiões precisava de um líder, do seu líder de volta. Inspirados pela coragem e união de seus personagens, Chris Pratt (Peter Quill/Senhor das Estrelas), Zoë Saldaña (Gamora), Dave Bautista (Drax) e Bradley Cooper (Rocket Raccoon), pediram incessamente o retorno do cineasta e não demorou muito para que Gunn voltasse.

Como se pode ver nos pôsteres promocionais, o longa é um filme de James Gunn, responsável pelo encerramento da trilogia – teoricamente, é o que dizem – nos cinemas. No entanto, o foco aqui não é o personagem Peter Quill, o líder do grupo vivido por Chris Pratt, mas Rocket, o guaxinim falante de Bradley Cooper. A trama gira em torno dele e logo no início somos pegos de surpresa com Adam Warlock (Will Poulter), poderoso personagem da Marvel, que vai atrás do animal falante. Rocket acaba gravemente ferido e o grupo precisa voltar ao passado do guaxinim para salvá-lo – e, com isso, o público vai saber um pouco mais da origem do personagem.

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Considerando que se trata de um filme de despedida, o longa é carregado de momentos emocionantes. Em alguns é triste, em outros um tanto cruel, mas traz aquela comédia ácida que estamos acostumados a ver. A partir do estado gravíssimo de Rocket, o grupo precisou se unir e trabalhar junto para conseguir salvar o amigo. Vemos que os elementos trabalhados no longa continuam os mesmos, como a importância da amizade, da família, da coragem e da bondade com o outro.

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Uma das cenas que mostram o passado de Rocket, é bem triste. Mas mostra o quanto ele valoriza a amizade verdadeira /Reprodução Marvel Studios

Tenho que confessar, caro leitor, que essa não era uma franquia que me deixava empolgada. Eu gostava do Groot porque o achava fofo e da trilha sonora que é maravilhosa, diga-se de passagem. Porém, o terceiro filme me deixou impressionada e não é porque é uma produção perfeita, na verdade tem muitos erros. Mas o fato de trazer questões importantes como os temas citados no parágrafo anterior, mas de nas entrelinhas abordar os testes com animais em laboratório, que é um assunto super importante, principalmente, na indústria de cosméticos e produtos que usamos diariamente devido aos métodos – muitas vezes – cruéis que são impostos aos animais. Além disso, lembra um pouco aos experimentos nazistas com humanos. É triste ver o quanto o ser humano é perverso.

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É nítido que o terceiro filme está cumprindo algumas demandas de seu check list e isso fez com que a essência do longa fosse “esquecida” para atingir objetivos maiores. Vemos que o lado criativo deu lugar a receita comum. A trilha sonora, por exemplo, está mais contida e não tem algo de destaque como nos longas anteriores. A atuação do elenco está ok, mas longe de estar muito boa. Vemos que o cansaço de Saldana e Pratt, estão mais aparente, por exemplo. O elenco humano está um pouco mais apagado nesse final chapter. 

Quando Guardiões da Galáxia foi lançado, o patinho feio que víamos não existia, pois vimos o potencial logo com sua estreia. Mas um grande problema que assola a maioria dos blockbusters é o medo de acabar. É como nós na vida. Não queremos morrer, mas sabemos que nascemos com essa sentença. No entanto, o medo não é com a franquia em si, mas com os ciclos de cada personagem e quando o “corte” é feito, nem sempre é de uma maneira certa como aconteceu com Groot no primeiro longa, por exemplo. Acredita-se que com o sucesso dos streamings, as produtoras não estão focadas apenas em produções para as telonas, mas estão se aventurando nesse nicho que veio para ficar.

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A franquia gosta de abordar a importancia da amizade e da familia que escolhemos como nossa / Reprodução Marvel Studios

Outro ponto de extrema relevância é a duração do filme. São 02h30min. É muito tempo, pois tem muita coisa para ser fechada como resolver a “nova” Gamora, o passado do Rocket, um pouco mais sobre a vida de Drax, a inclusão surpreendente de Adam Warlock, o Alto Evolucionário como o grande vilão e a perguntar que não quer calar… qual o intuito da participação de Sylvester Stallone? Ok. Respira. Concorda que é muita coisa para fechar? Por isso, a duração é tão longa. Assistindo ao filme, não achei que foi tudo isso e também, porque a montagem elétrica da produção não te deixa ter tempo para pensar “será que está acabando?”. Mas mesmo assim, é muita subtrama que precisa de uma conclusão e com esse tempo longo e apertado, algumas coisas ficaram a desejar.

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Mas mesmo com os erros apontados anteriormente, Guardiões da Galáxia Vol. 3 consegue criar conexão entre os seus acontecimentos. Aqui a importância e o legado são outros, pois não são personagens com o mesmo prestígio do Capitão América ou da Viúva Negra, são personagens que sempre estiveram à margem e que conquistaram o público porque eles são autênticos e de alguma forma, suas bizarrices e atitudes impensadas se assemelham com a nossa realidade, como reagem, as piadas, as músicas. Eles são eles, são simples, são falhos e são engraçados.

Como tudo que precisa acabar, a trilogia Guardiões da Galáxia é uma das melhores apostas da Marvel desde que Vingadores: Ultimato chegou aos cinemas. Faltou ousadia, um pouco mais de criatividade e tempo. Com um belo, mas exagerado uso de computação gráfica, o longa nos entregou cenas belíssimas. O trabalho de caracterização e figurino está impecável. A trilha sonora não é tão magnífica como as dos longas antecessores, mas cumpre bem o seu papel. As atuações e o roteiro poderiam ser melhores, mas é o “até logo” que esperávamos e que queríamos. Talvez eles voltem.

Nota do Thunder Wave
Caminhando entre a comédia, a ação e um pouco de drama, Guardiões da Galáxia Vol. 3 consegue prender pelo uso da emoção. É característico da franquia o uso de momentos comoventes e neste último capítulo, isso não poderia ficar de fora. Em algumas cenas fica evidente o apelo por conta do sofrimento, mas vemos muitas cenas de emoção genuína que resultam em lágrimas. Não foi um final à altura, mas chegou perto. Vale o entretenimento.

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