domingo, 5, dezembro, 2021

Crítica | Kate

Longa entrega ação eficiente e vem sendo comparado com a franquia John Wick

Um filme de ação se caracteriza por uma trama que retrata os protagonistas (mocinhos/heróis) contra os antagonistas (vilões) e a disputa entre o bem e o mal se resolve na base da porrada, tiro e bomba, além da força física, claro. O gênero é popular e ganhou mais destaque após franquias como A Identidade Bourne, John Wick e até Resgate. Mas o que essas produções têm em comum? Todos são protagonizados por homens. Muita gente torceu o nariz para um recente lançamento da Netflix, “Kate“, onde uma assassina envenenada tem 24 horas para se vingar do responsável, antes de morrer. Pode não ser a melhor produção de ação protagonizada por uma mulher – na opinião de alguns -, mas com toda certeza é viciante, massacrante e com uma forte protagonista fodona e que merece um lugar especial no seu coração.

Lá nos anos 2000, atrizes como Uma Thurman, Milla Jovovich e Angelina Jolie aceitavam papéis bem diferentes do que a indústria do cinema estava acostumada a ver, não eram mais mocinhas indefesas e na incansável busca pelo príncipe encantado. Elas aceitaram o desafio de encarar anti heroínas e estrelaram franquias de sucesso como Kill Bill, Resident Evil e Lara Croft abrindo um longo caminhos para que outras talentosas atrizes como Scarlett Johansson, Margot Robbie, Charlize Theron e entre muitas outras brilhassem no gênero. Graças a essas atrizes que investiram na ação, temos “Kate“, que traz a atriz Mary Elizabeth Winstead que já é conhecida por trabalhos bem interessantes como Scott Pilgrim e Aves de Rapina e vem numa vibe badass para comandar o ritmo de uma narrativa violenta e muito eletrizante.

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Mary Elizabeth Winstead on 'Kate' Trailer for Rolling Stone's Twitch -  Rolling Stone
Mary Elizabeth Winstead é uma ferramenta usada na intromissão ocidental em Kate / Reprodução Netflix

A trama acompanha a assassina Kate, que após ficar órfã e ser acolhida por Varrick, interpretado por Woody Harrelson, que a treinou para ser uma máquina de matar, a moça se torna isenta de qualquer sentimento e emoções até que um serviço não sai conforme planejado e o desfecho a traumatiza e agora, ela decide que quer se aposentar e ter uma família, uma vida normal. Então, Varrick lhe dá o que era para ser o seu último trabalho e após uma noite com um cara chamado Stephen, papel de Michael Huisman, a super assassina erra o tiro e descobre que foi envenenada com Polônio-204.

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Com apenas 24 horas de vida, a assassina sai em busca de vingança, mostrando vários gângsters até que durante o processo ela acaba conhecendo a adolescente Ani, a atriz Miku Patricia Martineau, sobrinha de Kijima que pode levá-la até ele e então Kate decide sequestrá-la, mas como era de se esperar, a garota não é tão relevante para sua família que a quer morta, porém, Kate a salva e as duas partem na esperança de encontrar Kijima. Aliás, Ani é filha de uma de suas vítimas do passado e com quem cria um inesperado laço de amizade. 

Netflix Queue | Kate
Em Kate, a atriz Miku Patricia Martineau rouba a cena com seu carisma / Reprodução Netflix

O longa é produzido por um nome conhecido, David Leitch, coordenador de dublê antes de dirigir sucessos de bilheteria como “Deadpool 2” e “Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw“, a produção bebe de muitas referências o que significa que além de ter herdado os pontos positivos e negativos. Além da performance da atriz que não está nada simpática, mas esbanja austeridade e força, a trama se destaca por ser um entretenimento bem desenvolvido, dirigido de forma eletrizante por Cedric Nicolas-Troyan e conta com cenas de ação bem coreografada, muito sangue e luzes neon que fazem de Tóquio, o cenário perfeito para a matança desenfreada de Kate. 

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O longa fracassa ao seguir o que outras produções fizeram dentro do gênero. O roteiro aqui não é original e aqui a personagem, um exército de uma mulher só, tem apenas um dia para resolver os seus problemas e com suas incríveis habilidades é capaz de destruir no sentido mais literal da palavra um exército de homens bem armados até o seu último respiro. Outra coisa aqui que não funciona muito bem é a figura do mentor, que passou grande parte da vida treinando-a para matar, cuja preparação vai além das prática de tortura. Além disso, surgem questões emocionais para desbaratinar a protagonista e fato da quase imortalidade dela – ela leva tanto tiro, que ainda consegue chutar, andar e atirar loucamente como se nada tivesse acontecido… bizarro -, é algo pouco criativo e de certa forma, poderia ter tido um outro desfecho. Claro que tudo isso, apontado anteriormente, se mostram promissores se feito da forma correta, mas deriva mais uma produção sem personalidade própria que fisga o espectador, mas dificilmente deixa brecha para ser lembrado, o que é uma pena, pois o longa tem potencial.

Kate (2021)
Woody Harrelson não está ruim, mas não surpreende / Reprodução Netflix

O papel de Woody Harrelson fica meio invisível aqui, pois ele não aparece muito e vai no piloto automático com uma interpretação limitada e o seu personagem é só mais um que cai na mesma vala que outros personagens de tramas parecidas já caíram. No entanto, a atriz Miku é carismática e consegue divertir em cena, fazendo o espectador rir mais do que deveria. Aqui, numa relação forçada com a assassina de sua família, Kate, consegue provocar algum sentimento existente na protagonista. Aqui o drama não tem vez, exceto pelos momentos que recorrem ao passado para justificar a atual situação dos personagens e a rasa introdução de um assunto que comumente está em destaque na imprensa, claro, disfarçado de outros nomes como a intromissão de agentes ocidentais na cultura de outros países, no caso do longa, a cultura japonesa e já no fim da narrativa percebemos que o que o filme quer mesmo é mostrar que a ganância que consome um dos membros da família de Kijima e Varrick é uma doença particularmente ocidental, um imperialismo cultural que é perigoso para todos e deve ser interrompido.

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Em termos técnicos, a produção surpreende como na cena de perseguição automotiva pelas ruas de Tóquio, criada com um CGI estranho que lembra um videogame (Need For Speed, por exemplo). A trilha sonora recheada de hits energéticos do j-pop e do j-rock é bem legal e dá um tom mais divertido para a trama sangrenta. O trabalho bem feito de maquiagem e figurino que retratam a condição que se deteriora de forma rápida e gradual anti heroína Kate durante o filme, expandido pela interpretação autoconsciente e equilibrada de Winstead. Outras pequenas brincadeirinhas que vemos na montagem, assinada por Sandra Montiel e Elísabet Ronaldsdóttir, dão balanço e graça a cenas de ação literalmente brutais. Aqui a diversão e a carnificina está liberada.

Nota do Thunder Wave
Por mais diferentona que possa ser, Kate se destaca por trazer para o front, uma mulher boa de porrada, tiro e bomba. O longa erra ao querer beber de longas como Resgate e The Old Guard, ambos da Netflix, mas ainda sim, tem potencial para ser lapidado e render bons derivados no futuro e com mais protagonistas sangue no olho e fodonas. O elenco, a direção, a pós produção surpreendem muito. É um longa que te fisga e te deixa com a sensação de quero mais. Vale o entretenimento.

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