quarta-feira, 28, julho, 2021
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Crítica | Kursk: A Última Missão

Um torpedo explodiu a bordo do K-141 Kursk durante um exercício da marinha russa em 2000, fazendo com que o submarino nuclear afundasse rapidamente no fundo do mar de Barents, a norte da Noruega. Aconteceu uma segunda explosão que acabou matando a maioria dos 118 marinheiros russos. Os 23 sobreviventes refugiaram-se nos compartimentos mais afastados e a dolorosa espera por salvamento, que por negligência russa, não chegou.

Dirigido por Thomas Vinterberg (A Caça), o longa é baseado numa história real e é narrado e produzido de forma muito comovente e humana. Esse submarino, Kursk, era um dos mais bem equipados e preparados feito durante a Guerra Fria, que pertencia à categoria Oscar II e fazia parte da frota do norte, a que sofreu com os cortes orçamentários ao longo dos anos 90, resultando na aposentadoria precoce de vários submarinos e embarcações de superfície. Devido à crise que se arrastava na Rússia nos anos seguintes até o fim da URSS, o Kursk fez apenas uma missão nos cinco anos que esteve a serviço da marinha, sendo enviado para o mediterrâneo por seis meses para acompanhar o trabalho da sexta frota dos EUA.

Nos primeiros 20, 30 minutos a trama nos apresenta os marinheiros se preparando para essa missão e os quão amigos eles são. É muito animador e bonito ver o entrosamento dos personagens que a todo momento expressam uma ligação de amizade muito real, muito fraterna e como aquela comunidade em si é muito amiga. Esses primeiros minutos exercem a função de nos conectar com eles, de saber quem são os personagens, como eles vivem e agem, de se importar com eles, de ver suas mulheres, filhos e famílias, nos dá a noção de quanto eles arriscam toda vez que eles embarcam numa missão. Com uma fotografia impecável, nos dá a sensação momentos aterrorizante pela cores frias e escuras. Um roteiro bem amarrado e uma trilha sonora que te arrepia a espinha de tanta tensão e desespero.

Crítica | Kursk: A Última Missão 1

Esse filme faz uma critica velada ao governo russo, curiosamente, Vladmir Putin, estava há quatro meses na presidência e durante o acidente, o presidente estava de férias e o longa não fez nenhuma menção ao Putin, deixando a entender que por mais critico que seja o filme e que em certas situações a gente saiba de qual lado esta, mostra também que não mencionar Putin, está em cima do muro. Mas podemos entender isso, na verdade o Kursk continha segredos militares que não podiam ser revelados e talvez seja por isso que demorou tanto para aceitar ajuda.

Esses suspense dramático é seco e direto. É um misto de emoções, você sente raiva e se desespera junto com os sobreviventes, definhando e tentando postergar incansavelmente o momento da morte e não apenas isso, assistimos ao desespero de suas famílias que brigam e lutam por noticias positivas ou não, acerca da tragédia que acabou matando 118 pessoas. O problema já começa quando um dos marinheiros responsáveis pela área dos torpedos, avisa que um dos projéteis explosivo auto-propulsionado está com a temperatura interna alterada, e a cada momento ela se altera e o rapaz pede autorização para despachar o torpedo que é negada, segundo o Comandante ainda tinham sete minutos até o momento de liberar o projétil, porém não dá tempo, segundo depois, acontece a primeira explosão.

Crítica | Kursk: A Última Missão 2

Essa cena é muito importante para os acontecimentos seguintes da narrativa. De forma crua e inesperada, a explosão acontece. Depois, uma segunda explosão acontece maior ainda, atingindo os compartimentos restantes. Os locais menos afetados pelas explosões são os acoplamentos 7, 8 e 9. Mas mesmo assim, não estão totalmente a salvo. Devido a grande quantidade de água que entra nos compartimentos, inundando tudo, a falta de energia e oxigênio. E a trilha sonora é algo que guia nossos sentimentos, é quase impossível não se deixar levar pelos momentos de tristeza, tensão e desespero. O acidente acontece nas primeiras meia hora de filme, e nas outras uma hora e meia, temos o desenrolar do resgate, que aparentemente podia ter acontecido com sucesso, caso o governo não enrolasse tanto. O governo Norueguês e Britânico ofereceram ajuda, porém de acordo com os russos, seus equipamentos eram suficientemente bons, capazes de executar um resgate com sucesso.

No entanto, no filme é visto que não, os russos não tem as mínimas condições técnicas para salvar a vida desses 23 sobreviventes e por mais que tentem salvar os companheiros a bordo do submarino, eles não conseguem. Seus equipamentos estão defasados e velhos. A única coisa que eles conseguem é ter ciência da gravidade do acidente. Vale ressaltar que, o comandante inglês quer ajudar, mas não pode fazer isso por iniciativa própria – ele não quer começar uma terceira guerra mundial -, ficamos com raiva, porque todo o governo russo em si, trata a situação de forma muito calma. As reuniões, as negociações e os diálogos demoram e não se resolve nada. O Capitão Tenente escreveu duas notas que confirmavam a quantidade de sobreviventes no submarino e apesar de ser dirigida à família, é a única prova existente de que houve 23 sobreviventes às duas explosões que destruíram grande parte do submergível.

Crítica | Kursk: A Última Missão 3

“Está escuro aqui para escrever, mas vou tentar pelo tato. Parece que não há possibilidades, 10-20%. Vamos torcer para que pelo menos alguém leia isto. Cumprimentos a todos. Não há necessidade de ficarem desesperados.”

— Capitão-Tenente Dmitri Kolesnikov

Mas por que devo assistir?

Pois a história é comovente e tocante ao passo que a bela atuação de Léa Seydoux, Matthias Schoenaerts, Colin Firth e grande elenco passam a emoção por trás desse trágico acontecimento. É uma prova de coragem, amor, arrependimento… Mulheres que disseram aos seus esposos que o amavam pela última vez, filhos que brincaram com seus pais pela última vez, familiares que não tiveram a chance de dizer adeus. Uma oferta que poderia ter evitado a morte e o descaso que mostra que tudo é uma questão de poder. Não é um filme para os russos e sim sobre eles. Esse acidente foi notícia no mundo todo e tem o seu roteiro idealizado por Robert Rodat (O Resgate do Soldado Ryan), que tomou como base o livro investigativo A Time To Die de Robert Moore.

Com data de estreia prevista para o dia 09 de janeiro de 2020, Kursk: A Útima Missão leva 4 vidas de 5.

Nota do Thunder Wave
Uma missão impossível num cenário trágico perante o descaso.

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