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Crítica | Lightyear: Toy Story Sem Ser Toy Story, Mas Tão Bom Quanto

Em 1995 um menino chamado Andy ganhou um boneco Buzz Lightyear. O brinquedo era baseado no seu filme favorito. Este é o filme.

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Assim se inicia Lightyear, o aguardado spin-off de uma das mais aclamadas franquias da história da animação, Toy Story. Após 4 filmes de indiscutível sucesso comercial, a Disney/Pixar decidiu inovar investindo em um dos personagens mais queridos do público, mas não em mais uma aventura dos brinquedos que ganham vida. Não, a aposta desta feita foi explicar a origem do popular boneco Buzz Lightyear, que teria sido baseado em um famoso filme de ficção científica dentro do universo de Toy Story. Mas, a despeito de toda a popularidade da franquia e do próprio personagem, será que essa ideia seria o bastante para gerar um filme que fizesse juz ao sucesso dos filmes anteriores?

No filme conhecemos o patrulheiro espacial Buzz Lightyear (no original dublado por Chris Evans, e por Marcos Mion aqui no Brasil). Em uma missão de exploração de um planeta hostil, ele acaba cometendo um erro que faz com que toda a sua tripulação fique presa nele, sem a possibilidade de usar seus propulsores de hipervelocidade para viagens interplanetárias. Lightyear, então, embarca em uma jornada para cumprir sua missão e levar a todos de volta para casa. Para isso, ele conta com a ajuda da sua parceira, a patrulheira Hawthorne, e o gato robótico Sox, mas a cada tentativa de atingir a hipervelocidade, a discrepância entre o tempo que se passa para ele e para as pessoas dentro do planeta, que começam a criar uma comunidade própria, aumenta. Será que a busca de Buzz ainda fará sentido quando ele finalmente atingir o que busca?

Esta é a trama de Lightyear, resumida da melhor forma possível, uma vez que o filme traz muitos outros elementos e reviravoltas, mas que seria uma pena estragar as surpresas. Mas caso alguém tenha pensado que o filme é uma espécie de “Interestelar para crianças”, não estará nem perto, nem longe da verdade. Pois a verdade é que há, sim, um diálogo com as ideias apresentadas no filme de Christopher Nolan, e elas são, sim, apresentadas em uma linguagem clara e apropriada ao público infantil, mas da mesma forma que há semelhanças, há muitas outras referências presentes em Lightyear que, se não são exatamente originais, ainda assim são trabalhadas de uma forma tão bem feita que é muito improvável alguém não gostar do filme (sabendo que estamos falando de uma obra infanto-juvenil, obviamente).

Então, sem mais delongas, vamos deixar tudo às claras: Lightyear é ótimo! Ele encanta, surpreende, emociona e diverte em enormes proporções. Seus personagens são incrivelmente bem desenvolvidos, não apenas Buzz, mas praticamente todos. Hawthorne e sua família, principalmente, são mostradas de uma forma tão humana e tocante que até esquecemos que estamos assistindo uma animação para crianças (mas por outro lado, é exatamente como famílias não-heteronormativas deveriam ser retratadas). A busca insistente de Buzz, que parece fadada ao fracasso, é apoiada por ela, que se torna a única amiga em quem ele confia, e isso tem importância imensa para um dos momentos reflexivos nos momentos finais do longa. E sim, o filme é infantil, mas traz diversas questõoes interessantes para reflexão, principalmente para o seu público-alvo, mas que não fariam nenhum mal se fossem consideradas pelos adultos também.

E tudo isso regado a muita ação e diversão, esta última guiada não apenas pelo gato-robô Sox, mas também pela Patrulha Júnior, um grupo disfuncional de patrulheiros iniciantes que adquire importância a partir da metade do filme, e que são personagens que estão muito além do mero alívio cômico (principalmente a neta de Hawthorne). A animação está com uma qualidade absurda, obviamente mantendo o estilo típico da Pixar (ou seja, distante de algo ultrarrealista), mas com uma riqueza de detalhes, expressões e movimentos que é praticamente impossível trazer algum defeito.

Lightyear é uma grata surpresa. O filme cumpre com louvor todos os objetivos que busca. Sua trama é simples e não carrega grande originalidade, mas funciona muito bem assim e é carregada de elementos que trazem riqueza ao longa. Seus personagens são carismáticos e divertidos, suas reviravoltas mantém o interesse do público, e a delicadeza e sensibilidade com as quais diversos assuntos foram abordados merece aplausos. E acho que nenhum fã de Toy Story poderia pedir mais deste filme. Só um único e último comentário obrigatório a ser feito sobre ele: Ao infinito e além!

Por: Wallace William

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