quarta-feira, 27, outubro, 2021

Crítica | Lupin Part II

Sequência continua tão empolgante quanto a primeira

A tão esperada parte II de um dos maiores sucessos de 2021, Lupin, a versão mais contemporânea da Netflix de Arsène Lupin, o ladrão de casaca, chegou mais empolgante do que sua antecessora. Agora, Assane, interpretado pelo talentosíssimo Omar Sy, sofrerá as consequências do plano que criou para se vingar do homem que acusou seu pai de roubo, Hubert Pellegrini (Hervé Pierre).

A primeira parte ou primeira temporada nos apresentou um personagem que é capaz de qualquer coisa para que seu plano funcione. No entanto, por ironia do destino ou não, seu filho acaba entrando no fogo cruzado e é aqui que ele vai precisar toda a sua habilidade e esperteza para salvar a vida de seu filho, Raoul (Etan Simon) que foi sequestrado no último episodio da primeira parte. Agora é o vale tudo para Assane acertar as contas com Hubert Pellegrini.

Seguindo a dinâmica da parte 1, a segunda parte vem dividida em cinco episódios que duram em torno de 40 e 60 minutos. Essa sequencia enfatiza que o ladrão da casaca está sempre um passo a frente dos seus oponentes. Mesmo que a situação seja inesperadamente e impossivelmente inacreditável como o filho sequestrado, a mulher ou ex mulher desesperada agindo pelas costas dele, ele sempre dá um jeito de se livrar da policia e dos comparsas de Pellegrini. Como pano de fundo, a trama conta com os contos A Mulher Loura A Lâmpada Judaica, que é quando Lupin precisa encarar o seu maior adversário, o famoso detetive Herlock Sholmes (uma referencia ao personagem criado por Arthur Conan Doyle).

Lupin, o final da 2ª temporada explicado e spoilers
Hubert Pellegrini é o alvo da vingança de Assane / Reprodução

Nessa sequencia, a áurea irônica e de zombaria permanece a mesma nos mais variados momentos de roubo e aventuras em que Lupin se envolve. E junto a essa áurea, a trilha sonora é IMPECAVEL e faz o seu trabalho muito bem. É como se Assane fosse um maestro e os acontecimentos, os personagens, as subtramas fossem os musicistas e tudo muito bem encaixado no roteiro faz com que a obra tenha sentido e tom. O mais importante de se notar aqui é que a adaptação sofre influência do material original de Maurice LeBlanc, mas mesmo com as diversas mudanças que a trama faz, nos apresentando uma versão mais fresca e repaginada, moderna e ousada, isso faz com que a obra tenha originalidade e “personalidade” própria. Apesar disso, percebe-se que os roteiristas George Kay e François Uzan sentem uma necessidade de introduzir ondas dramaticas e isso, por vezes, desviam o tom da produção e nessas pequenas oscilações, talvez, seja onde ela se perca.

Assim como aconteceu na primeira parte, a Parte 2 utiliza de muitas vantagens provenientes do roteiro e percebemos que sempre Assane está entre a cruz e a espada, mas algo acontece e ele consegue se dar bem, pelo menos sair com vida rs. Se é conveniência do roteiro ou se ele é um ladrão inteligente que estuda os cenários e as possíveis situações que podem decorrer das suas ações, não sabemos. Fato é que, vemos Assane quase como um Deus dos ladrões. E é notável a forma como Omar Sy está a vontade no papel de Assane, mesclando o seu carisma e charme. Aqui vemos que Assane enfrentou muitas coisas para se tornar quem é hoje e estar onde está. Embora, tenha escolhido o caminho mais torto. Infelizmente, ele percebe que sua vingança está saindo dos trilhos e colocando as pessoas que ele ama em perigo, a sua família, a jornalista que aceitou ajuda-lo e o seu melhor amigo Ben (Antoine Gouy).

Lupin, o final da 2ª temporada explicado e spoilers
Assane se desespera ao ver o carro em que seu filho estava pegar fogo / Reprodução

Lupin sutilmente trabalha a questão social da linda Paris, que assim como muitos outros lugares esconde o racismo estrutural. Assane é negro e isso por si só é uma determinante para que ele seja visto como o cara mal. E não é diferente nos dias atuais, certo? – Vide o caso Jovem negro acusado de roubo é investigado por comprar bicicleta furtada. O rosto de Assane é visto por toda a sociedade como um assassino, um marginal. Enquanto o verdadeiro assassino se aproveita da sua condição social para passar impune, Hubert Pellegrini é de uma classe mais privilegiada, branco, cis… e soube aproveitar muito bem disso para esconder seus crimes.

No decorrer da trama vemos que a obra tenta incluir elementos dramáticos, talvez, para fazer com que Assane compreenda que seus atos podem ter consequências desastrosas e, por isso, a sequencia não seja tão descompromissada… ela carrega aquela vibe não de arrependimento, mas de pesar da consciência e dá a entender que por mais que ele seja astuto como uma raposa, não é bom ser assim. Mas essa é a graça, o charme da série. É interessante construir um personagem com carga emocional e que dê vasão para construções mais profundas como aquela passagem de coisas de pai para filho que os flashbacks mostram como Assane recebendo a câmera fotografica do pai ou o livro e agora ele repete com Raoul. Além disso, os showrunners começaram a pôr senso de responsabilidade em Assane, tirando dele a característica de criminoso irreparável fazendo com que a vibe hollywoodiana, mirabolante, fantasiosa saia de cena.

Lupin: fãs acham erro gritante em cena da 2ª parte
Assane e Ben forma uma excelente dupla / Reprodução

Mas nem tudo foi cagado! A dupla formada por Assane e Benjamin foi de uma preciosidade aventuresca sem igual. As cenas da dupla em ação são incríveis como o momento em que eles estão tentando recrutar fãs de Lupin ou quando estão preparando seus planos e o equilíbrio que cada um encontra no outro, um mais calmo e o outro mais nervoso, um mais contido e o outro descarado. Deu super certo! Uma das melhores sequencias é a que Ben está sendo seguido e Assane está com ele pelo telefone e quando achamos que é o fim da linha… boom!!! Eles escapam ilesos! Outro momento de pura diversão irreal é a forma como é arquitetado o roubo no concerto e é aqui que vemos a arte da ladroagem ser de fato uma arte.

O personagem surpreso é outro diamante bem aproveitado e eu quase fui enganada por ele. Uau!!!! Foi um xeque mate por ele ali, como cumplice e deu tão certo. Outra coisa interessante é que o roteiro mostra como as façanhas foram pensadas e feitas, há quem não goste e ache que é falta de “inteligência” do roteiro, mas é como acontece com outras tramas como o famoso Velozes e Furiosos 5 ou Truque de Mestre, filmes que vemos a mágica acontecer. Mesmo com os errinhos e as escorregadas, a trama nos entrega bons atores, boas atuações, uma bela fotografia, trilha sonora EXCEPCIONAL e roteiro e direção de qualidade. A série carrega o seu charme, porém, perdeu um pouquinho sua essência.

A Parte 2 de Lupin encerra o plano de vingança de Assane. E já temos uma terceira parte confirmada pela Netflix, abrindo o caminho para novas peripécias do moderno ladrão de casaca. Se não ficar preso em uma fórmula repetitiva e preguiçosa, Lupin pode nos emocionar mais ainda.

Nota do Thunder Wave
Lupin entrega uma continuação empolgante, porém com algumas escorregadas. Apesar disso, ela mantém o seu charme e com ótimos personagens, bela fotografia e uma trilha sonora maravilhosa, a série é mais que um entretenimento! Vale muito a pena!!!

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