Crítica | M3GAN: Uma Concorrente à Altura Para Chucky e Annabelle?

Talvez o hype criado M3GAN antes mesmo de sua estreia tenha sido um tanto exagerado, mas ele está longe de ser uma decepção, divertindo e passando sua mensagem na medida certa.

“O mediador entre a cabeça e as mãos deve ser o coração”. Iniciamos essa resenha com a icônica frase de Maria, de Metropolis, clássico do expressionismo alemão dirigido pelo austríaco Fritz Lang e um dos primeiros filmes a receber o rótulo de Ficção Científica. O longa de 1927 abordou temas que ressoam até hoje no gênero, como o uso perigoso da tecnologia, aqui representado pela Maschinenmensch (“Maquina-Humana”) que substitui a já citada Maria.

Mas é claro que M3GAN (2023, dirigido por Gerard Johnstone e produzido por James Wan) tem pouco a ver com o longa da primeira metade do século passado, certo? Não exatamente. Como qualquer obra do gênero, ele ecoa (e por vezes subverte) algumas das ideias trazidas originalmente por Lang na sua obra-prima. Mas antes de tudo, do que estamos falando, afinal?

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Em M3GAN, Alisson Williams é Gemma, uma roboticista que trabalha em uma poderosa empresa de brinquedos. Quando sua irmã e o marido são vitimados por um acidente automobilístico, ela se vê obrigada a cuidar de sua sobrinha, Cady (Violet McGraw). Gemma, contudo, é uma pessoa que teve sempre sua carreira como prioridade, e acaba por ter pouca experiência com crianças. Ao se deparar com as dificuldades de lidar com a sobrinha, ela cria M3GAN, uma boneca-robô equipada com uma inteligência artificial em constante evolução. Programada para ser a melhor amiga possível para qualquer criança, o constante aprendizado da IA se torna um problema quando ela começa a ter mais autonomia de suas decisões (sempre tomadas com a intenção de proteger Cady de qualquer trauma, seja físico ou emocional).

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Pode-se dizer que M3GAN tira sua inspiração de dois gêneros básicos de ficção. O primeiro, a ficção científica sobre a ameaça que a tecnologia e as IAs podem representar para a humanidade, como o já citado Metropolis, mas também por Westworld, O Exterminador do Futuro, Matrix, Ex-Machina e vários outros. O segundo, o terror sobre “brinquedos amaldiçoados”, que tem como seus maiores ícones Chucky (de O Brinquedo Assassino) e a mais recente Annabelle (não por acaso, com filmes também produzidos por James Wan). Os dois gêneros já se encontraram anteriormente, como na mais recente versão cinematográfica de O Brinquedo Assassino (de 2019), que não conseguiu a mesma atenção que os filmes anteriores.

Pode-se dizer que M3GAN acerta onde o novo Chucky falhou. A trama pode não trazer um primor de originalidade, mas funciona bem no que se propõe. O longa traz um certo humor ácido, com tiradas inteligentes e um teor crítico óbvio sobre a importância que a tecnologia anda adquirindo sobre nossas vidas, inclusive substituindo o papel humano na criação dos nossos filhos.

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E tudo isso é guiado pelo processo gradual de ganho de autonomia da boneca, que vai demonstrando um comportamento cada vez mais bizarro. Contudo, apesar dessa progressão realmente trazer alguma tensão, o filme não chega a ser assustador, ou mesmo apelar para os famigerados jump-scares. Há violência e gore, mas o humor inusitado acaba por ser a tônica da trama.

É importante que M3GAN seja apreciado pelo que é, não pelos vários outros referenciais que ela possa trazer. Se a boneca-robô não lembra o T-800 de Arnold Schwarzenegger, nem as máquinas assassinas de Matrix, e se a trama não traz a profundidade crítica de Metropolis, ou os questionamentos de Ex-Machina, ela ainda funciona justamente por não tentar ser o que não é. M3GAN é uma boneca criada para cuidar de uma criança e mantê-la segura, não uma máquina de guerra.

Contudo, como toda máquina, seu uso pode ser deturpado, e isso se torna cada vez mais evidente quando é permitido a ela mais e mais autonomia, principalmente com a intenção de cumprir funções sociais que apenas a humanidade pode suprir. E aqui retornamos à frase de Metropolis do início do texto: “O mediador entre a cabeça e as mãos deve ser o coração”. M3GAN é criada, sim, com uma função bem-intencionada (como a grande maioria das inovações tecnológicas), mas é necessária a existência de limites entre até onde a tecnologia pode nos substituir nas funções humanas.

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O filme funciona bem também em todos os quesitos técnicos, como atuação, direção, efeitos especiais, roteiro. Não há nada espetacular, que vá mudar a direção do cinema, mas o longa entrega o necessário sem decepcionar. Se há um destaque a ser apontado, é a direção de Gerard Johnstone, que consegue alternar bem entre os momentos de crescimento de tensão e de bizarrice cômica, sem que eles anulem uns aos outros.

Talvez o hype criado pelo filme antes mesmo de sua estreia tenha sido um tanto exagerado, mas ele está longe de ser uma decepção, divertindo e passando sua mensagem na medida certa.

Nota do Thunder Wave
Talvez o hype criado M3GAN antes mesmo de sua estreia tenha sido um tanto exagerado, mas ele está longe de ser uma decepção, divertindo e passando sua mensagem na medida certa.
Escrito PorWallace William

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