terça-feira, 27, julho, 2021
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Crítica | Mais que Especiais

O novo filme dos diretores de Intocáveis, foi aclamado no Festival de Cannes, quando encerrou o Festival em 2019

Autismo. AUTISMO. autismo. aUTISMO. AuTiSmO. aUsTiSmO. O que sabemos sobre autismo? Qual o conceito pré concebido que temos sobre a doença? O Transtorno do Espectro Autista (TEA) nem sempre é fácil de ser compreendido por quem não está exposto a essa condição. Assim como outros fenômenos, muitas pessoas se familiarizaram com o TEA pela forma como o distúrbio é apresentado nas produções audiovisuais.

O drama Mais que Especiais (Hors Normes/The Specials, FRA, 2019) é uma produção que toca na alma do telespectador. Faz com que o coração fiquem mais quentinho e esperançoso. Embora o longa tenha uma edição acelerada com muita informação, Hors Normes é uma trama que fornece verdade naquilo que aborda e o carisma de seus personagens bem desenvolvidos são condutores que mexem com nossos sentimentos, por isso, é importante ver filmes que abordam o autismo.

Crítica | Mais que Especiais 1
Vincent Cassel e Reda Kateb são Bruno e Malik em Mais que Especiais / Reprodução Califórnia Films

Logo no começo do longa, tanto Bruno (Vincent Cassel) quanto Malik (Reda Kateb) estão correndo, cada um em lugares diferentes, atrás de uma criança autista que fugiu dos cuidadores até finalmente os resgatam e os colocam em segurança. E essa ação se repete em algumas outras cenas no decorrer do drama. Mais que Especiais aborda uma instituição encabeçada por dois homens que mesmo com altos e baixos tentam de todas as formas oferecer suporte para pessoas – criança em sua maioria com distúrbios psicológicos de grau alto que muitas vezes são casos rejeitados por todas as clínicas francesas.

A obra foi exibida no Festival de Cannes de 2019, o drama, marca o retorno de dois grandes nomes da comédia social francesa moderna, Eric Toledano e Olivier Nakache (do maravilhoso Intocáveis, e de Samba e Assim é a Vida). Foram três anos de intervalo entre Assim é a Vida e Hors Normes, e o filme, que acabou tendo sua première em Cannes de forma simples, foi eleito pelo público e crítica como um dos melhores do festival devido a sua delicadeza.

A partir da amizade real entre Toledano e Nakache, vemos na narrativa dois persistentes cuidadores daqueles que foram desprezados pelo sistema mudando a realidade de alguns. O longa faz com que o telespectador se aproxime do tema autismo com uma visão menos estereotipada. O longa mescla seu apoio na emoção e na dura realidade que mostra o quão difícil é a inclusão dessas pessoas na sociedade, além do acesso a tratamento adequado e humano. Mas mesmo tratando um tema complexo, algumas situações tem a sua graça, a sua sensibilidade, a sua doçura.

O ator Vincent Cassel (Irreversível, Cisne Negro), entrega uma de suas melhores performances interpretando o papel de Bruno, um homem que praticamente doou sua vida para a instituição que ele próprio fundou, e que cuida de crianças e adolescentes autistas. Já Reda Kateb (A Hora Mais Escura) é seu companheiro de luta, Malik, que gerencia uma parte da companhia, responsável por treinar jovens carentes para serem futuros cuidadores trabalhando para a instituição.

Mais que Especiais: Vincent Cassel, Reda Kateb
Malik e Bruno tentam fazer com que Valentin se acostume a estar fora da clínica / Reprodução Califórnia Films

A forma como é feita a filmagem do longa é vivida, como se a câmera estivesse na mão. Muitas vezes em escritórios e consultórios lotados, vans e quartos de hospital, sempre em movimento. As atuações são muito reais, algumas cenas chegam a ser inquietantes. A trilha sonora é bem pertinente ao filme, é quase que uma extensão cuidadosa da alma da produção. O roteiro é bem coeso, cada situação, momento, cena tem sentido e o resultado não poderia ser melhor, é um filme muito bem feito, muito bem dirigido.

Algo muito curioso é a quantidade de encontros que Bruno acaba tendo e nenhum dá certo. E esses encontros acontecem em meio ao caos em que a instituição vive, uma investigação oficial que acontece ao longo da trama e que ameaça fechar as portas da instituição não-licenciada de Bruno.

A produção é baseada numa história real, onde o personagem Bruno é inspirado em Stephane Benhamou, a quem Toledano e Nakache conheceram há 25 anos atrás e que cuidou de um jovem autista da família do próprio Toledano. Malik é baseado em Daoud Tatou, a quem os cineastas tiveram contato pela primeira vez quando fizeram um curta-metragem com a premissa de arrecadar fundos para ajudar Stephane. Em 2015, Toledano e Nakache dirigiram um documentário de 26 minutos sobre a corajosa dupla – um deles Judeu, o outro Muçulmano – intitulado We Should Make A Film About It (traduzido livremente como “Nós Deveríamos Fazer um Filme Sobre Isso”).

No decorrer da obra percebemos uma preocupação em retratar cada situação de forma real. Vemos uma diversidade muito interessante no elenco e além da mensagem principal que é a transmissão de que precisamos ser mais humanos e empáticos, temas como oferecer oportunidades para pessoas que normalmente não tem, a importância de se chegar no horário, da correta utilização da gramática e da necessidade de ser sensível são aspectos importantes de serem abordados que compõem a trama principal muito bem. É um filme com resultado satisfatório.

Nota do Thunder Wave
É uma trama arrebatadora, verdadeira, emotiva, delicada, dura, triste e real. São produções como esta que mostram que o audiovisual tem poder para inspirar e levantar assuntos que precisam ser debatidos. Vale muito a pena assistir Mais que Especiais.

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