Crítica | Mamonas Assassinas – O Filme

Chega aos cinemas o filme que presta homenagem ao grupo Mamonas Assassinas que alcançou seu auge em 1995 e teve um final trágico em 1996. Em pouco tempo a banda conseguiu um sucesso estrondoso com suas músicas icônicas, misturando o rock com letras cômicas, se tornaram uma marca de toda uma geração e ainda são lembrados e celebrados.

O longa conta com direção de Edson Spinello e produção de Walkiria Barbosa, que conseguiram trazer para telas algo único e surpreendente. As cenas iniciais já dão o ritmo que irão seguir, sensível e de memória, um tributo para aqueles que se foram e principalmente para os que ficaram.

Crítica | Mamonas Assassinas - O Filme 1
Imagem: Divulgação | Imagem Filmes

Voltando para a cidade de Guarulhos, enquanto o grupo de rock alternativo Utopia se apresentava, uma pessoa pede para que toquem o clássico Sweet Child o’ Mine da banda Guns N’ Roses, já que nenhum dos integrantes sabia a letra, Dinho (Ruy Brissac) se oferece para ajudar a banda e mesmo sem saber a letra, sua performance singular conseguiu cativar o público, garantindo a sua posição como vocalista do grupo.

As dificuldades enfrentadas pela banda para conseguir gravar seu primeiro disco independente, com ajuda de Rick Bonadio (Ton Prado), toma uma boa parte do tempo total de tela. É importante retratar a época que antecede o sucesso, mas o longo período usado para isso “mata” o tempo essencial e poderia ter sido usado para evoluir no relacionamento dos integrantes e, principalmente, nas pessoas que estão ao seu redor. Um bom exemplo é o relacionamento com as suas famílias, desenvolvendo um pouco mais as interações entre os irmãos Samuel (Adriano Tunes) e Sérgio (Rhener Freitas) e suas desavenças causadas por uma mulher. Infelizmente, os outros dois integrantes da banda, Júlio (Robson Lima) e Bento (Beto Hinoto), tem poucas cenas relevantes, Rick Bonadio consegue ter mais tempo de tela e importância para o desenvolvimento do filme do que os próprios músicos, uma perda do potencial dos atores e, principalmente, das pessoas que interpretam. Encontrar um elenco que consegue trazer a energia daqueles que estão incorporando e manter uma unidade deveria ter sido a parte mais difícil para a produção, entretanto o roteiro se perde e fica desconexo e superficial em muitos pontos.

Algumas cenas foram recriadas a partir de gravações, como o discurso proferido por Dinho no Thomeuzão em Guarulhos que impressiona pela semelhança com os vídeos disponíveis em plataformas de vídeos como o YouTube. O detalhe mais surpreendente é a gravação das músicas que foram regravadas pelos atores (instrumental e vocal) para uma qualidade de som necessária para os cinemas, a diferença é imperceptível, mostrando toda a dedicação dos atores e a qualidade da produção para este feito, que pode ser vista nos detalhes dos cenários, nos sons de fundo de algumas cenas a TV ou o rádio que está ligado passando um programa ou propaganda veiculada nesses anos.

Crítica | Mamonas Assassinas - O Filme 2
Imagem: Divulgação | Imagem Filmes

Mesmo com toda a qualidade do elenco e atenção aos detalhes, Mamonas Assassinas – O Filme poderia ter um roteiro melhor desenvolvido, focado nos integrantes e seu relacionamento, as dificuldades da banda até o sucesso e o que acontecia atrás dos palcos. Mostrar o romance que tiveram com mulheres pode ser um bom recurso narrativo se bem explorado e com um propósito, entretanto mostrar apenas para dizer que tiveram relacionamentos sem um aprofundamento faz com que as personagens sejam mal aproveitadas e sem razão de estar representadas. O relacionamento de Dinho com sua namorada e a pressão para a separação com a banda começa e termina sem grandes momentos, como se não fosse um impasse, mas algo que pode ser simplesmente deixado para lá, sem conflito nenhum.

Mamonas Assassinas – O Filme está em cartaz nos cinemas e teve a maior estreia para um filme nacional desde a pandemia.

Crítica | Mamonas Assassinas - O Filme 3
Imagem: Divulgação | Imagem Filmes

Coletiva de Imprensa

Durante a coletiva tivemos a oportunidade de saber mais detalhes sobre a produção do filme e curiosidades que aconteceram antes e durante as gravações, assim como os maiores desafios que enfrentaram.

Gravar em Guarulhos não é fácil, a quantidade de aviões circulando é alta, atrapalhando a programação de filmagem que precisou se adaptar a esse inconveniente, outro problema enfrentado pelo local foram as chuvas constantes que atingiam a cidade, interrompendo as gravações. Outro momento lembrado por eles foi a preparação de Beto, sobrinho de Bento e que compartilha uma semelhança inacreditável com o tio, que possui diversas tatuagens e era preciso cobrir todos os dias antes de começarem a gravar, levando nesse processo de uma a duas horas e diversas camisetas brancas do ator. Os fãs também se mostraram fieis à banda e aos seus detalhes, notando a diferença nas roupas e detalhes que o público em geral não notaria.

Uma grande contribuição para a produção foi o apoio das famílias dos integrantes que além de ajudarem na produção, abriram suas casas mostrando os quartos intocados e até mesmo emprestando pertences dos músicos para a produção, dentre esses objetos, roupas e até mesmo a bateria usada Sérgio. A família foi um um grande motor para a realização do filme, Walkiria conta que seu desejo era que os pais deles pudessem ver o trabalho final e pela idade já avançada de alguns deles, era importante que o projeto fosse concluído com certa celeridade. Os relatos de intervenções sobrenaturais também ganharam a internet, com relatos de objetos caindo sem explicação, problemas técnicos que apareciam e eram solucionados sem que ninguém tomasse uma atitude. Ruy Brissac relatou que ao visitar uma propriedade da família de Dinho, foi para um canto agradecer e fazer orações, o local que ele escolheu para fazer isso era o mesmo que o vocalista ia para realizar as suas preces e agradecimentos. Ruy Brissac e Adriano Tunes fizeram parte do elenco de O Musical Mamonas que aconteceu em 2016 e levou para o teatro sua discografia icônica, recebendo reconhecimento da crítica, recebendo indicações ao Prêmio Bibi Ferreira e levando o prêmio de Melhor Ator Revelação e Melhor Ator Coadjuvante.

Mais de 20 anos depois, os Mamonas Assassinas não foram esquecidos e continuam a mostrar seu sucesso, na plataforma de streaming Spotify a banda é ouvida em 33 países e seu álbum Mamonas Assassinas continua entre os 10 álbuns mais vendidos do Brasil.

Nota do Thunder Wave
Um tributo para aqueles que se foram e principalmente para os que ficaram, Mamonas Assassinas - O Filme mostra o caminho para o sucesso estrondoso da banda que conquistou corações em 1995 e continua na memória afetiva dos brasileiros.

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