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Crítica | Me Tira da Mira: A Retomada do Cinema Nacional Após a Pandemia

O filme combina referências que atingem diferentes gerações, e mesmo partindo de uma fórmula que é bastante conhecida, ainda consegue ser atual.

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O gênero cop comedy (que mistura comédia e ação, normalmente tendo personagens policiais como protagonistas) teve o seu auge nos anos 80, mas nunca desapareceu realmente do mundo do cinema, mostrando ser um estilo longevo e que sabe se renovar a cada geração.

Ainda que tenha sido um dos grandes carros-chefe dos “enlatados” americanos em décadas passadas, hoje em dia ele está bem enraízado em diversos países (inclusive no Brasil), com produções que nada deixam a desejar. E já deixando claro, este é o caso de Me Tira da Mira, que chega aos cinemas brasileiros no dia 24 de maio.

O filme nos apresenta Roberta (Cléo, que, além de atuar, também participa como produtora e assina a trilha sonora), uma policial civil audaciosa e insubordinada. Ela é filha de Jorge (Fábio Jr.), um delegado da Polícia Federal, e tem um relacionamento mal-resolvido com Rodrigo (Sérgio Guizé).

Insatisfeita por ser afastada da investigação sobre a morte da atriz Antuérpia Fox (Vera Fischer), ela resolve investigar o caso por conta própria, o que a leva à suspeita Clínica de Realinhamento Energético Bianchini, onde ela recebe ajuda da sua ex-terapeuta (e ex-namorada do seu parceiro, Lucas, interpretado por Fiuk), a atrapalhada psicóloga Isabela (Bruna Ciocca), e descobre que o que o lugar esconde pode ser muito maior do que ela pensava.

O filme tem uma veia cômica autêntica e inteligente, conseguindo arrancar risos a partir de diversas referências, que vão desde a cultura pop, filmes, as novelas globais, a participação de Fiuk no BBB, os cancelamentos da internet e até das músicas de Fábio Jr. A interação entre Cléo, Fábio e Fiuk gera alguns dos melhores momentos cômicos, onde até mesmo a sua relação familiar fora das telas é explorada.

Mas isso não é motivo para não dar destaque ao restante do elenco, principalmente Júlia Rabello (como a atriz Natasha Ferrero, uma “recém-cancelada” pela internet que busca alavancar novamente sua carreira) e Bruna Ciocca, que deram show e foram muito divertidas com suas personagens. No geral, o elenco todo foi muito bem, tanto os grandes medalhões (incluindo aí Vera Fischer, Stênio Garcia, Cris Viana e Maria Gladys) quanto os estreantes, como a ex-BBB Vih Tube (como a recepcionista Jéssica), combinando bem a experiência com as novas gerações.

Isso tudo só foi possível com a direção (primorosa) de Hsu Chien e Diego Timbó. É um filme que prima pela competência e completude. A comédia se utiliza muito bem de referências que atravessam diferentes gerações e mídias. As cenas de ação são muito bem desenvolvidas. E estes dois aspectos principais se mesclam perfeitamente à aventura, ao suspense, à comédia romântica e até uma pitadinha de drama, pois o filme ainda consegue abordar temas sérios, como traumas, relações familiares, ansiedade e distúrbios emocionais, mesmo em meio à trama de investigação, comédia e ação. Praticamente todos os personagens principais tem subtextos trabalhados de forma competente na trama.

Coletiva de imprensa

Muito foi perguntado durante a entrevista coletiva da pré-estréia sobre se a relação familiar entre Fábio Jr., Cléo Pires e Fiuk haveria influenciado a sua dinâmica no filme, Fábio foi enfático ao assumir que sim, inclusive citando que foi apenas a convite de Cléo que ele voltou a atuar.

O diretor Hsu Chien citou a importância do projeto, da retomada das produções do cinema nacional durante a pandemia, e sobre como foi possível filmar tomando todos os cuidados e mantendo todas as restrições de segurança.

Cléo falou sobre a sua satisfação de iniciar sua carreira de produtora, atuando em um filme com a sua família, participando da escolha de elenco e atuando tanto à frente quanto por trás das câmeras. E Bruna Ciocca não escondeu a satisfação com seu projeto e estreia no mundo do cinema. E tem motivos para isso.

Vale a pena?

Me Tira da Mira é, definitivamente, um acerto. A sua trama é simples, mas consegue abordar temas diversos e passear entre gêneros diferentes. O seu elenco nitidamente acreditou no que estava fazendo, pois todos entregaram um excelente trabalho, principalmente na parte cômica (que é uma das mais difíceis para quem atua).

A sua direção e produção foram muito competentes, equilibrando ação, comédia, suspense e até alguns momentos de drama. O filme combina referências que atingem diferentes gerações, e mesmo partindo de uma fórmula que é bastante conhecida, ainda consegue ser atual. Neste momento de retomada do cinema brasileiro após o pior da pandemia, ele certamente merece ser conferido.

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