Do mesmo diretor de Hereditário (2018), Midsommar – O Mal Não Espera a Noite chega trazendo um conceito diferente para os filmes de terror, desde o pôster que traz cores brilhantes e com flores, fugindo do tradicional, que apresenta tons mais escuros. A premissa também foge do convencional tendo como pano de fundo uma comemoração tradicional sueca. Midsommar é a celebração do solstício de verão, quando o sol atinge seu ápice, uma comemoração realizada por muitos anos por povos pagãos.

Começando com uma cena de floresta e flores, com cânticos, abre o longa com leveza para em seguida nos mostrar uma das personagens principais, Dani (Florence Pugh), que sofre com depressão após uma tragédia. Dani é a típica personagem que precisa de uma mudança em sua vida, e mesmo contra a vontade dos amigos do namorado, Christian (Jack Reynor), ela embarca na viagem para a Suécia junto com eles para a vila de Pelle (Vilhelm Blomgren) que é uma representação do que seria uma comunidade alternativa, com alto uso de substâncias alucinógenas, uma mistura de hippie com tradições pagãs.

Midsommar – O Mal Não Espera a Noite | Imagem: Paris Filmes

Como a festividade é o ápice de incidência de sol na região, os dias praticamente não possuem horas de escuridão total, o que promove um clima totalmente diferente, onde as atrocidades acontecem e não são escondidas, estão presentes para quem quiser ver. Traz também uma situação de incômodo muito grande para aqueles que estão assistindo, não temos aqueles momentos clássicos de filmes de terror. Mas a crueldade como tudo é mostrado, não deixa dúvidas da intenção do diretor, coisas ruins existem, não são bonitas e não precisam do escudo da noite para serem feitas.

Assim como em Hereditário, temos durante toda a trama indícios do que irá acontecer no filme, o que torna intrigante a construção da história para os mais atentos, escondendo detalhes nos cenários, nas falas e até mesmo alguns gestos dos personagens.

A fotografia exuberante impressiona a todo momento, a sucessão de cenas chocantes que se misturam com a violência explicita de outras, cria um contraste que perturba de uma maneira que é difícil de ser descrita, a aceitação dessa realidade que pode ser cruel em alguns momentos com naturalidade e sorrisos nos deixa com um gosto amargo na boca.

Para entender alguns detalhes mais profundos e por quê estão ali, é preciso estar muito atento e ter um conhecimento muito específico sobre os ritos de Midsommar, as diferenças entre os modelos de escritas de runas e seus significados, arte, história. Alguns detalhes precisariam ter sido aprofundados, mas surpreende por manter a qualidade de sua obra anterior.

Para os amantes de um terror diferente, é uma excelente pedida.

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