É louco pensarmos que a franquia Missão: Impossível tem nada mais que 22 anos e seis filmes, sendo o primeiro lançado em 1996, dirigido pelo lendário Brian De Palma e estrelado por Tom Cruise, que nessa época já era um grande astro que precisava de uma franquia. Um dos maiores charmes da franquias foram as constantes trocas de diretores que traziam algo de novo a cada filme. Se o primeiro é dirigido por De Palma, o segundo é por John Woo, o terceiro por J.J. Abrams, o quarto por Brad Bird e o quinto por Christopher McQuarrie. Cada um deles trouxe algo de novo e a sua assinatura, que é o que deixa a franquia muito coesa em termos de qualidade. Quando foi anunciado que McQuarrie retornaria para o próximo filme, houve certo receio pela quebra da tradição da troca do diretor. Mas fico feliz em falar que podem ficar despreocupados, porque Missão: Impossível – Efeito Fallout (Mission: Impossible – Fallout) consegue mostrar que essa franquia ainda tem gás, mesmo sendo inferior aos seus antecessores.

Após uma negociação mal sucedida , o agente Ethan Hunt (Cruise) precisa encontrar três ogivas de plutônio, que caiu nas mãos de um grupo terrorista conhecido como Os Apóstolos, composto pelo resto do antigo grupo liderado por Solomon Lane (Sean Harris), o Sindicato. Para isso, Hunt vai precisar da ajuda da sua equipe formada por Benji (Simon Pegg) e Luther (Ving Rhames), além do novato Walker (Henry Cavill). Além do pequeno tempo que tem para encontrar as ogivas, Hunt descobre que a misteriosa Illsa Faust (Rebecca Fergusson) está envolvida de alguma forma com a sua missão.

Missão: Impossível- Efeito Fallout | Imagem: Paramount

O roteiro continua sendo assinado por McQuarrie e se mostra o calcanhar de Aquiles, por ser uma trama que não consegue causar empatia. Por mais que haja a coesão dos acontecimentos e das entradas dos personagens, o espectador não consegue criar alguma identificação com a história, por ela ser achar mais inteligente que acha que é, tem personagens em excessos e cenas desnecessárias para a trama.

Apesar disso, deve se reconhecer o talento de McQuarrie na direção por fazer um filme que o espectador fica preso desde o começo, por conta do cuidado da condução na ação. Assim como Nação Secreta, o diretor sabe onde colocar as cenas e como fazê-las sem que o público fique anestesiado com a ação. Aliás deve-se dizer que são sequencias de ação arriscadas e ousadas, que impressionam não só pela qualidade da execução, mas como o diretor consegue criar a tensão, a partir de situações que não soam forçadas. E as sequencias são feitas em montagem paralela – quando a cena mostra dois ou mais eventos ocorrendo ao mesmo tempo – e o espectador não fica perdido durante a ação e fica tenso também. Isso não se deve apenas ao talento de McQuarrie na direção, mas do ótimo trabalho do montador Eddie Hamilton, que também mostra um excepcional controle de ritmo, já que é um filme de 147 minutos que não cansam.

O visual também se mostra diferente do filme anterior, já que sai Robert Elswitt na fotografia e entra Rob Taylor, com um estilo diferente. Se Elswitt que havia fotografado os dois tinha um estilo mais seco e com as cores mais chapadas, Taylor utiliza mais câmera na mão e luzes muito mais saturadas – quando elas ficam mais fortes -, que até recriam um clima noir muito interessante, apesar dessas luzes incomodarem em alguns momentos.

O elenco continua tendo uma excelente química. Os veteranos da franquia continuam muito bem, mostrando o quanto eles estão à vontade em seus papéis, com destaque a Simon Pegg que nesse se mostra com o humor mais contido que dos outros filmes. O retorno de Sean Harris como Lane também é muito bem vindo, porque a voz cavernosa e o seu olhar frio, o deixam com o ar de ameaçador a todo o momento. A grande novidade fica por conta de Henry Cavill, que se mostra uma boa surpresa, porque além da presença física imponente do ator, o filme sabe como usar a sua canastrice e funciona muito bem.

Missão: Impossível- Efeito Fallout | Imagem: Paramount

Aí chegamos a Tom Cruise, que mesmo com 56 anos mostra que ainda se segura fazendo esses filmes. Além da entrega física – que vemos realmente o ator em ação e isso conta muito –, ele sempre foi um ator muito carismático, que sabe como deixar a plateia tensa com uma expressão rápida, que realmente ele se questiona se vai conseguir completar a missão. E ele mais uma vez carrega o filme nas costas.

Enfim, Missão: Impossível – Efeito Fallout não é o melhor da franquia pela frieza na trama, mas é uma ótima pipoca com excelentes cenas de ação. Se possível, vejam no IMAX que vale a experiência.

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