sexta-feira, 24, setembro, 2021

Crítica | Never Have I Ever – 2ª Temporada

A série provoca o público ao apostar em jornada reflexiva sobre erros e acertos em busca do verdadeiro “eu”

Chegou a segunda temporada da série Never Have I Ever, conhecida no Brasil como Eu nunca… A produção original da Netflix criada por Mindy Kaling (The Office, Projeto Mindy), está disponível no catálogo desde o dia 15 de julho e tem estado no ranking das mais assistidas da semana e por vários motivos. Além de ser uma trama divertida, com personagens bem construídos e os temas abordados pela série são relevantes. E o mais importante é o fato da série retratar as imperfeições do ser humano, mostrando que além de acertos, a vida é cheia de erros e é assim que amadurecemos.

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Eu Nunca... - 2ª temporada (2021) | Crítica - Home | SiriNerd
Kamala, Devi e Nalini enfrentam conflitos na segunda temporada / Reprodução

A segunda temporada tem dez episódios que se passam no segundo ano escolar de Devi Vishwakumar (Maitreyi Ramakrishnan) que apresenta muitas atitudes questionáveis, e em sua maioria, chegamos a ter ranço da garota de tão sem noção que ela se mostra. No entanto, podemos refletir com os erros e as má atitudes tomadas pela protagonista.

Vemos que desde o início da trama, Devi é apresentada como uma jovem que tem tudo. Porém, com a morte repentina do pai, alguns problemas começaram a surgir e que afetaram a vida de Devi, como o relacionamento conturbado com a mãe e a paralisia psicológica. Apesar de ter começado a superar os acontecimentos vistos na primeira temporada, percebemos que ainda tem muita coisa não superada e isso reflete na sua personalidade como as alterações de humor muito rápido, age por impulso, mente, manipula, e o pior, é que ela não sabe o que fazer com todos esses sentimentos conflitantes dentro dela. E as consequências são descrições mal pensadas que machucam pessoas que se importam com ela, as quais ela se importa também.

Ainda que seja fácil julgar o comportamento de Devi, percebemos que em algumas passagens o seriado nos questiona também e faz com que o ar reflexivo seja um aspecto intrínseco da série que está presente do começo ao fim. Podemos refletir sobre os erros que cometemos na adolescência que por si só já é um período difícil, imagine para quem já passou por alguma situação estressante e traumática? No momento que estamos vivendo, é impossível não se sentir como um peixe fora d’água ou ansioso diante de algum problema, seja ele grande ou não. 

Eis aqui a cereja dos questionamentos acerca de Devi, na verdade ela que se questiona sobre sua saúde mental, sobre sua sanidade e ao perceber as consequências geradas de suas atitudes mal pensadas, ela se entristece. Mas a série faz com que toda essa sensação de conflito, de tristeza, de dúvida, seja ouvida, seja acolhida e através das palavras da Dra. Ryan (Niecy Nash) que fala sobre pessoas que sentem tudo intensamente e, por isso, vivem no extremo todas as suas emoções, podemos perceber que a vida é assim. Aprendemos com os erros, com os nossos e com os de outras pessoas. Outra personagem que compartilha lições de vida é a avó de Devi que a aconselha a não perder tempo, pois quando nos damos conta, pode ser tarde.

O foco de Never Have I Ever não está voltado apenas para Devi. A produção traz ótimos temas para debatermos. A todo momento vemos que a série está constantemente questionando a ideias “quem eu sou” e “quem eu deveria ser” e como isso afeta a nossa vida. A prima da personagem, Kamala (Richa Moorjani), começa a trabalhar na area de seus sonhos, mas ela se dá conta de que não é fácil. Ela percebe o quaõ misogina e sexista o mundo corporativo pode ser. Além disso, ela também começa a enxergar pequenos problemas em sua relação com Prashant (Rushi Kota) e se questiona se não poderia ter uma vida diferente daquela que todos pensaram para ela. Afinal, o que ela pensou para ela?

Eu Nunca...: Qual foi a escolha de Devi no final da 2ª temporada na série  da Netflix? - Notícias de séries - AdoroCinema
Devi e sua dúvida entre Ben e Paxton / Reprodução

Outra personagem que tem uma sacudida é a mãe de Devi, Nalini (Poorna Jagannathan), que tem grande relevância durante os dez episódios. Ela começa a se culpar por sentir vontade de ter alguém após a morte do marido. Acredito que por ser uma produção idealizada por mulheres, esses questionamentos estão mais presentes na vida de uma mulher, pois é mais comum o julgamento e a condenação da postura feminina e o mais cansativo é ter que se provar dia após dia. 

Outra situação interessante é o conflito que Fabíola (Lee Rodriguez) sente para entrar no universo de Eve (Christina Kartchner), sua namorada. N aprimeira temporada, ela assumiu sua homossexualidade e com isso, ela achou que os problemas acabariam. Errada! Ela se deparou com um universo totalmente diferente do dela e o questionamento “quem sou eu” ou “quem eu deveria ser” retorna. No decorrer da série, ela tenta agradar as pessoas para ser aceita, mas o principal é que ela não está feliz e está deixando de fazer o que ela gosta para satisfazer outras pessoas. 

Depois de ter suas expectativas destruídas  por sua mãe ausente na primeira temporada, a  personagem Eleanor (Ramona Young) também se vê testada em sua trajetória quando passa a ser a sombra de uma namorado que nem dela gostava, que a repreendia, além de por ele num pedestal e não se importar com o que suas amigas estavam falando sobre seu relacionamento abusivo. Vemos que ela normaliza atitudes de um relacionamento tóxico e se anula diante da figura masculina e o pior, essa tortura só acaba porque ele termina com ela e dá pior forma possível.

A sequência lida bastante com os relacionamento pessoas, a amizade, família e talvez, por abordar essas esferas sociais, Never Have I Ever faz com que tudo no fim dê certo e o fato de abordar conflitos complexos de uma forma natural mostra o quanto roteiro foi bem feito e essa urgência de falar com a geração atual sobre os problemas atuais foi uma sacada genial. A trilha sonora é muito boa e os looks são muito interessantes.

Nota do Thunder Wave
Embora a série tenha tido bons momentos, algumas pontas soltas precisam ser explicadas. Começamos a sequência com um triângulo amoroso, a chegada de novos personagens e algumas confusões que podem deixar alguns fãs frustrados. Mas a ideia é essa, é mostrar o quanto essa fase da vida é complicada. Se vai ter uma terceira temporada ou não, é incerto, mas saiba que se por um acaso a série terminar por aqui, ela é um dos maiores acertos no catálogo da Netflix. É um ótimo entretenimento!

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